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Escrito por • 27/06/2013

os jovens, nas empresas

A PwC, empresa de serviços profissionais que tem mais de 180 mil pessoas e escritórios em 776 localidades em 158 países, acaba de publicar um estudo sobre os jovens em seu [gigantesco] time. depois de consultar 44.000 colaboradores, fazer 300 entrevistas, realizar 30 estudos em grupo e tocar um debate em rede social com 1000 de seus jovens [gente com menos de 33 anos de idade] e 45 líderes, a PwC chegou a conclusões que podem interessar a todo tipo de empresa, em todo mundo, especialmente às mais próximas à economia do conhecimento.

o estudo diz que 3/4 dos colaboradores da PwC são millennials, 75% destes são solteiros e 92% não têm filhos. há um número de coisas a observar no resultado, mas é interessante o que a USC e LBS, condutores do esforço, acham que outras empresas podem aprender com o que a PwC descobriu, no primeiro estudo deste tipo e porte no mundo. abaixo, parte da lista, comentada em algum detalhe.

1] crie uma  cultura de trabalho flexível: 15% dos homens e 21% das mulheres do grupo dos millennials toparia ganhar menos e ser promovido mais lentamente em troca de trabalhar menos horas por dia ou menos dias por semana. isso só daria certo em negócios cujos processos de trabalho dessem conta de tal demanda, sem tratar os que trabalham menos como preguiçosos ou pouco dedicados…

2] performance depende de tecnologia, especialmente entre os mais jovens. olhe os dados da pesquisa FT/telefonica sobre jovens e tecnologia pra descobrir [se é que ainda não se ligou] porque, se seu negócio depende de jovens, tem que criar plataformas de colaboração que suportem os modos de interação e realização que eles já têm fora do seu negócio. ou você ainda usa fax? telegrama, talvez?…

3] construa e mantenha comunidades: grandes negócios são grandes times. isso não quer dizer que você deve ter times grandes, de muita gente; e times não são aglomerados de pessoas, mas um certo tipo de rede social. times são conjuntos de interações que têm processos de construção, evolução e manutenção próprios, feitos de trabalho e pessoas que criam, descobrem e resolvem problemas. parece difícil? é porque é; por isso que grandes negócios são tão raros e, na maioria dos casos, duram cada vez menos: olhando para as empresas do SP500, o tempo de vida médio era de 61 anos em 1958, caiu para 21 anos em 1980, é 18 anos agora e está indo pra 12 ou 13 em 2030.

4] aumente sua transparência sobre carreira, remuneração e recompensas. trate as pequenas e grandes contribuições e crie um sentimento –baseado na realidade- de ampla participação da comunidade nas decisões sobre o futuro das pessoas no negócio. empresas são abstrações, redes de pessoas; em rede, todo mundo sabe, cedo ou tarde, o que está acontecendo… e é melhor saber como parte do processo normal dos negócios do que descobrir por efeito colateral de alguma outra coisa e se sentir traído. nas redes, nas empresas e ruas, transparência tem que ser parte de sua estratégia.

5] pense em trabalho temporário de jovens como parte de sua estratégia; não que seja possível tocar um grande negócio só com temporários, mas muitos dos mais jovens preferem trabalhar para vários negócios ao mesmo tempo ou, por outro lado, trabalhar só uma parte de seu tempo em algum negócio, enquanto investem em outras atividades, com ou sem remuneração. isso pode ser muito relevante, em especial no médio prazo.

6] entenda seus colaboradores: entenda as diferentes gerações que fazem parte do seu negócio, entenda as pessoas, suas demandas e capacidades; aposte em formas inovadoras de engajar a galera, senão eles vão procurar outra aventura… e

7] talvez você tenha que ter múltiplas estratégias para sua rede: na economia do conhecimento e nas empresas que fazem parte dela, e ainda por muito tempo, não haverá falta de trabalho, mas de trabalhadores. uma das consequências é que as empresas estarão sempre à busca de competências difíceis de serem encontradas, raras talvez. ao mesmo tempo, ao se transformarem em escolas [ e a economia do conhecimento é, também, do aprendizado] as empresas que não se estruturarem para manter seus colaboradores no negócio por um tempo em que o aprendizado possa ser executado como conhecimento na prática, para gerar valor… poderão se ver o tempo todo investindo na formação de gente que perdem para quem, por outro lado, entendeu bem melhor o significado dos itens 1-7.

o diagrama abaixo sumariza a conversa acima e mostra que  o principal vetor para a retenção das pessoas, nos negócios, é a conexão emocional, o sentir-se parte do processo como um todo, em qualquer instituição que se preze. sem isso, as pessoas deixam pra lá, o negócio passa a andar de banda e morre, rápido. o que o estudo da PwC, LBS e USC diz, ainda mais, é que isso é ainda mais crítico entre os jovens, que são, obviamente, o futuro de qualquer negócio, inclusive do seu. se ligue. em rede.

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