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Escrito por • 16/05/2008

pirataria de software caindo, no brasil. deveria?

nunca se vendeu tantos PCs legais no brasil. a indústria “cinza”, como eram conhecidas as montadoras informais, que trabalhavam com placas e cpus “importadas” do paraguai e software pirata vindo da internet [e copiado das matrizes dos fabricantes] está reduzida à sua expressão mínima, resultado da queda dos juros e de políticas federais que levaram, às lojas, PCs completos e legais a menos de mil reais e em muitas prestações mensais. se o primeiro semestre sinalizar o ano, a indústria venderá perto de 12 milhões de PCs em 2008, um crescimento de 17% em relação a 2007. números chineses em pelo menos uma parte da economia brasileira, sinal de que estamos mesmo, pela via do próprio bolso, nos informatizando. legal.

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ao mesmo tempo, a BSA [business software alliance] entidade que reúne os grandes fabricantes mundiais de software, dá conta de que a pirataria de software está caindo por aqui, cerca de cinco pontos percentuais nos últimos dois anos. isso dá uma estimativa de 59% de software não licenciado rodando no país, causando um prejuízo de US$1.61B aos seus donos. ao mesmo tempo, um estudo comparativo entre o preço das licenças de software no brasil e nos eua [onde a pirataria afeta 20% dos programas, menor taxa do planeta] mostra que os brasileiros têm razões bastante objetivas para piratear software.

usando os preços de software da microsoft, no brasil e nos eua, em relação ao PIB per capita, gustavo duarte mostra que uma suite de software de negócios, aqui, custa quase vinte vezes mais do que nos estados unidos, enquanto a suite para casa custa quinze vezes mais. pirataria vira, neste caso, aritmética pura. para as diferenças de preços, as razões são muitas, da menor escala do mercado e maiores custos de distribuição à fúria arrecadatória que caracteriza o fisco nacional. o usuário, neste caso, deixa de ser contribuinte, em muitos casos por instinto de sobrevivência: se o preço fosse razoável, a loja da esquina até que pensaria em comprar software legal pra tudo o que faz. pela hora da morte, nem pensar. até porque, como o lojista sabe, a fiscalização dificilmente vai chegar lá.

já passou da hora de se tentar diminuir a pirataria de software jogando a batata quente na mão dos usuários. mesmo em países ricos e educados como a inglaterra, estudos mostram que o público consumidor define o que acha o preço justo para bens e serviços digitais… e tudo que foge da norma é objeto de muita pirataria. o que significa que a indústria de software tem que começar a tratar seriamente o problema da pirataria, por aqui, também a partir do ponto de vista -e de custo, e bolso- da redução do valor das licenças e, depois, do modelo de negócios.

e isso é pra já, enquanto ainda há licenças e receitas recorrentes a partir delas. porque a indústria de software como licença está sendo rapidamente [ainda bem] substituida pela de software sob demanda e como serviço… e esta mudança parece ser inexorável. não está muito longe o dia em que o único software no seu e no meu lado da internet vai ser um browser, dentro do qual vamos rodar tudo o que queremos [veja, por exemplo, youOs]. até lá, e enquanto os custos não caírem pra perto do poder aquisitivo real do público, as tentativas de acabar com a pirataria vão ser muito menos eficazes do que seria uma revisão das bases de negócio e custo do software para seus usuários… muitos dos quais, pelo menos por enquanto, não têm a menor intenção de se tornar  consumidores.

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0 Responses to pirataria de software caindo, no brasil. deveria?

  1. Lauro Garcia do Amaral Jr. disse:

    O texto em si é muito bom pelo conteúdo que exprime a realidade da situação. Mas é lamentável a “ignorancia” de quem o fez no sentido de “matar” a lingua portuguesa, ao não começar novas frases com letras maiusculas. Realmente é algo triste se perceber que uma pessoa culta, formadora de opinião se dá ao trabalho de cometer um desserviço dessa natureza à lingua portuguesa.

  2. Cesar disse:

    Concordo com seus argumentos a respeito dos softwares. Mas o texto ficou chato de ler, pelo simples motivo de que você não começou as suas frases com letras maiúsculas. Respeito a nossa língua.

  3. Paulo Rocha disse:

    Ao altíssimo preço, some-se o preço cobrado pelas atualizações. É ridículo o desconto que se dá para quem quer um produto e tem a versão anterior, e muitas vezes as mudanças são pouco significativas (mas sempre geram problemas de compatibilidade para quem não tem a versão mais recente). O consumidor é cada vez menos bobo, não vai aceitar pagar mais que o preço justo.

  4. João Leme disse:

    Os preços praticados no Brasil não condizem com a realidade econômica de nosso país. Primeiro eu colocaria o fato de que não há imposto nos software de forma a elevar o preço aos níveis aqui aplicados. Inclusive em um fórum (ForumPCs) houve uma intensa e acalorada discussão acerca do assunto, onde alguns membros inclusive comentaram que se um consumidor comprar seu software por algum Website qualquer irá pagar apenas o imposto sobre a mídia.

    Imaginemos a seguinte situação:

    Eu compro um sistema operacional dessa forma, pago o imposto sobre a mídia e mesmo assim o preço é absolutamente inferior, e não falo de diferençca de 10, 20, ou mesmo 30 por cento apenas. Ou seja, as empresas do ramo, geralmente americanas enxergam uma boa forma de retirar o dinheiro do povo com seus programas.

    A própria Microsoft poderia tomar uma postura diferente no Brasil, praticando preços condizentes com a nossa realidade e que não fossem superiores aos praticados nos EUA. Agora pra se manter as coisas como estão é simples, basta não vender o produto em nossa língua lá fora, dessa maneira, como não existem pacotes de linguagem como em outros sistemas, o povo acaba sendo obrigado a pagar os míseros 300, ou sei lá quantos reais custam esses programas.

    A propósito gostaria de ressaltar que não utilizo programas comerciais em virtude de meu computador rodar sob o sistema operacional Linux e satisfazer bem todas as minhas necessidades.

  5. Camila disse:

    Olha,estou proucurando o que é pirataria de software!
    Para uma pesquisa de eskola.
    Alguem poderiiaa me ajuda?
    Grata Camila Rodrigues

  6. Caro Lauro Garcia do Amaral Jr.,
    Acho que você não percebeu um pequeno detalhe que acabou causando o seu infeliz comentário sobre as letras minúsculas no início das frases do autor desse artigo. Esse formato faz parte do layout do site, não é erro e muito menos ignorância do autor usar as letras minúsculas. Da mesma forma que alguém escolhe escrever um texto em Times New Roman, Arial, Tahoma, o autor escolheu escrever em letras minúsculas, mas apenas por questão de estética do site. Nesse caso o ignorante foi você.
    Silvio, parabéns pelo artigo, gostei muito da sua visão sobre o assunto.

    Abraços.