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Escrito por • 06/10/2015

é possível inovar em educação? [1]

vez por outra o blog resolve refletir sobre educação, especialmente aqui no brasil. a última intervenção foi por uma universidade revolucionária, uma entrevista dada à revista novas ideias, da UNI-RN. hoje, e nos próximos capítulos [pra conversa não ficar longa demais] é sobre inovação em educação.

a pergunta-título do acontece educação, evento do C.E.S.A.R e instituto singularidades, em são paulo, era simples e muito complexa ao mesmo tempo: é possível inovar em educação? eu fui um dos responsáveis, junto com muita gente boa, pelas provocações por lá. e o evento, sabiamente, não permitiu apresentações visuais. mas eu tomei umas notas pra guiar minha fala, e é a partir delas que este texto foi escrito. eu anotei dez pontos, abordados em sequência, numa intervenção de vinte minutos.

o primeiro é…

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claro que é possível inovar em educação. a menos que o sistema ao redor seja absolutamente proibitivo, o que quer dizer, na prática, uma ditadura, sempre é possível inovar em qualquer cenário. inclusive no brasil. a gente, por aqui, às vezes se esquece de conquistas inovadoras como o estado democrático de direito, uma arquitetura e organização social que conquistamos a duras penas e que está aqui, conosco, há 30 anos. pode não ser a melhor democracia do mundo, mas temos as instituições democráticas funcionando razoavelmente bem por três décadas consecutivas, pela primeira vez, em toda a história do brasil. parece pouca coisa, mas não é.

parte da infraestrutura da sociedade e da democracia é a educação. de mais de uma forma, o futuro da democracia e da sociedade estão associados à nossa capacidade de inovar em educação. como os exemplos daqui [em pequena escala, de escolas, cidades e parte do sistema educacional de estados] e do mundo, em larga escala, mostram que sim, é possível inovar em educação, não há porque duvidar da possibilidade de mudar o sistema educacional. mas, mais do que possível, é necessário inovar na educação brasileira. e muito.

as evidências de todos os setores e cenários da economia e da sociedade, da violência às doenças e até a baixa produtividade [na economia] e pouca efetividade na representação democrática apontam para a má qualidade da educação como um dos principais, se não o principal motivo da baixa performance de muitas –senão todas- facetas significativas da sociedade brasileira. logo, não só é possível, mas é necessário inovar na educação brasileira.

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acontece que muita gente –e muitos de nós, que estamos envolvidos em educação e inovação, nela- não percebe que a solução dos problemas de educação envolve muito mais do que professores, alunos, salas de aula, escolas e materiais educacionais. chegamos ao ponto de haver quem ache que a introdução de uma ou outra tecnologia [no sistema] mudaria a educação radicalmente. mais esquisito ainda, há quem ache que explicações dadas num quadro negro, com giz colorido [qual minhas aulas na antiga primeira série, na década de 60], no youTube, são uma revolução. a ponto de governos e fundações de renome apostarem muito no papel supostamente revolucionário de banalidades como estas. mas –e ainda bem- há uma explicação por trás de tais entendimentos. a vasta maioria dos agentes de inovação em educação não costuma se perguntar se a inovação [local, em métodos, processos e ferramentas, por exemplo] é suficiente para mudar o sistema educacional.

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e aí é onde o bicho pega. educação, em qualquer lugar minimamente organizado [e o brasil é um deles] é um sistema. e isso tem consequências gigantescas sobre a possibilidade de inovar, em educação, quando se pensa em educação em larga escala, no sistema como um todo. um sistema é um conjunto de princípios e outro, de instituições, que faz com que os princípios sejam seguidos e que tudo o que vem dos princípios [formais ou informais, regidos por leis ou não] seja cumprido, na prática, no conjunto de organizações que faz parte do sistema.

todos nós, brasileiros, sabemos que o sistema brasileiro [pelo menos o sistema vigente no brasil hoje] é um dos mais complicados, confusos, corruptos e [em boa parte por causa destes três] caros do mundo. estes 4Cs fazem com que quase qualquer um que queira inovar em qualquer coisa, no brasil [como país, como um sistema de sistemas] deixe o todo para lá e passe a se preocupar apenas com pequenas partes dele. entre os qualquer um, estamos falando de partes inteiras do MEC, das secretarias estaduais de educação e, mais explicitamente, das maiores fundações, institutos e ONGs [brasileiras ou não] que tentam pensar e fazer inovação em educação no brasil.

como o todo é complicado demais e quase impossível de ser tratado no curto e médio prazo, partes do estado e quase a totalidade das instituições privadas simplesmente ignora o sistema e tenta justificar sua existência com ações e resultados de curto prazo… e baixo impacto, pilotos que servem de exemplo e ganham prêmios nacionais e internacionais mas que, por causa disso e por outro lado, jamais terão a largura e profundidade para resolver, minimamente que seja, o caos educacional do brasil.

*  *  *  *  *  *  *

breve, neste mesmo horário e canal, os próximos capítulos. se você quiser saber quando,
tudo o que acontece aqui é anunciado no meu twitter, @srlm. siga. e até lá.

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7 Responses to é possível inovar em educação? [1]

  1. Marcelo Nunes disse:

    Acho que a principal pergunta que temos que nos fazer é “a quem serve um modelo de educação retrógrado, caro e ineficiente?”. Existe algum sistema educacional de referência no mundo que consiga ser efeitvo e não só gerar escolas modelo para sair em ranking de escolas mais inovadoras? Que outro país do nosso tamanho e com nossos problemas sociais já resolveu este problema ou está em vias de? Ou será que o caminho é único por sociedade e devemos procurar a NOSSA forma de inovar em educação? Acho que a reflexão no Acontece EDUCAÇÃO foi extraordinária por juntar tantos atores diferentes em um ambiente próximo e possível de se dialogar.

  2. Há muitas fontes onde beber. Se partirmos que a educacao é como a mulher bionica (ou steve austin) ou mesmo qualquer morimbundo chegando a um hospital é preciso primeiro estabilizar o sujeito. Há partes faltando. Para evitar mais traumas, em paralelo deve se buscar as proteses. Afinal quando acordar do coma induzido, vai saber que perdeu as pernas e o ouvido, mas q há uma solução e estão construindo essas partes para serem muito mais fortes. Para q isso tudo aconteça tem que os Oscar Goldmans do empresariado e outras forças hoje vigentes entendam a utilidade (eles so entendem como utilidade) . Por fim o centro cirúrgico (educadores) tem q ser amplo com muitas especialidades e aqui q temos q ser criativos pois essa operação nunca foi feita até o fim por aqui. Uma vez bionica como olhar para tras e ver todas as mazelas do acidente e nao se revoltar e fazer um tttttttt em quem permitiu q o acidente acontecesse, mesmo por culpa e nao dolo. A espera do novo capítulo.

  3. Eder Messias disse:

    Se não fizermos nada para salvar a educação do país, daqui a pouco tempo teremos pessoas que não passarão por nenhuma instituição de ensino sabendo mais que pessoas que estudarão em escolas com sistemas de ensino ultrapassados. É estranho né? Mas hoje com vídeos no Youtube, Duolingo e outros sistemas de ensino gratuitos e online, pode ser possível.
    Resumindo: Estudar numa instituição de ensino apenas pelo diploma em papel? Não deveria ser pelo conhecimento?

  4. claudio disse:

    Nós aqui da ABRADI a Associação Brasileira de Desenho Instrucional acreditamos que o design instrucional correto e a aplicação de novas tecnologias aliado a outras já existentes é sim um caminho de evolução da reflexão pedagogica e que existe uma tendencia a melhorar a educação e o entusiasmo dos estudantes para um futuro educacional com melhores resultados. Se reportarmos aos inicio dos metodos educacionais na Grecia e Roma antigos, poderemos notar que sempre ocorreram inovações tecnologicas. A aula de campo fora de sala fechada nos tempos de Platão e Socrates foi questionada pois parecia uma grande revolução nas tecnicas e tecnologia da época para educar. No entanto isso ocasionou uma evolução em todo o meio educacional que persiste até os dias atuais e não mudou o professor como direcionador da reflexão pedagogica. Acreditamos que isso hoje ocorre novamente, e, no futuro o professor será até melhor reconhecido como o agente direcionador dos conteudos disponiveis com as novas tecnologias mas para isso ele deve se capacitar. Vejam mais dicas no site abradi ponto org.

  5. Para inovar na educação, é preciso inverter essa frase: é preciso de educação para inovação. Há muitos setores que precisam de inovação, porém não existe GENTE para com uma boa cabeça para lidar com isso. No meu entendimento, devemos evitar gasto de energia pensando no sistema atual, ou mesmo nos atores. Precisamos pensar numa educação que realmente necessitamos para a formação de GENTE.

  6. […] enfaticamente que leiam e reflitam sobre os outros dois posts,  além desse, seguindo o link http://boletim.de/silvio/possvel-inovar-em-educao-1/ […]