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Escrito por • 07/12/2013

previsões, 2: grandes tendências

É muito difícil prever se e quando será lançada uma lente de contato celular realmente útil. que possa ser usada por muito tempo, não resseque a córnea, carregue energia pra muito tempo [vinda de que fonte?…], tenha boa resolução e envie informação subliminar, por via ocular, diretamente para seu cérebro. que faça uma varredura do ambiente ao seu redor, identifique pessoas com quem você já esteve em contato e lhe indique quem são [com nomes e tudo mais, claro] e o que estiveram fazendo de relevante nos últimos dias, ou depois da última vez que você os encontrou, online ou off. não é a lente que faria isso, claro, como não é o celular que lhe sugere cards [veja isso aqui], mas os sistemas de informação por trás dele que computam, o tempo todo e em função de onde você está e o que está fazendo, coisas que podem lhe interessar.

o conceito não é novo; coisa bem mais radical aparece em la mort en direct, um dos últimos filmes estrelados por romy schneider, onde um jornalista implanta uma câmera atrás dos olhos [e transmissores no cérebro] para filmar um paciente terminal sem ele saber. e isso em 1980. partes da coisa estão acontecendo agora, como este blog mostrou neste link.  mas… esqueça; lentes de contato em rede não são uma previsão de curto ou médio [talvez nem de longo…] prazo, e a gente quer falar de outra coisa aqui.  do que? de tendências de médio prazo, do que já está acontecendo agora e vai definir esta década, no mundo. todo. tipo o que?…

um conjunto de mudanças globais, massivas e quase inevitáveis, está  mudando o mundo em larga, muito larga escala. como assim, larga? que tal aumentar o PIB do mundo em 40% na década? isso não se daria com umas lentes de contato, google glasses ou carros elétricos, mesmo que fossem muitos. milhões deles. mas o fato é  que tendências globais, nos países ricos e pobres, estão agregando 27 trilhões de dólares ao PIB global até 2020, 16 trilhões nas economias em desenvolvimento, em boa parte [10 trilhões] porque mas de 1 bilhão de pessoas se tornarão novos consumidores, porque terão renda maior do aquela absolutamente essencial para sobreviver.

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o gráfico vem de um estudo da bain & co.,  que mostra que só a entrada de mais de 1/7 da população mundial nos mercados é tão importante quanto tudo que vai acontecer nos países e mercados desenvolvidos. e é pena que outros 1 trilhão de dólares, e só nesta década, serão gastos pelos países pobres [ou quase] em armas e exércitos, num aumento da escalada militar global; o que talvez seja compensado, pelo menos em parte, por 2 trilhões de dólares em educação, parte essencial do processo de trazer países em desenvolvimento para o mundo civilizado.

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china e índia, como não poderia deixar de ser, é de onde virá o maior contingente de novos consumidores. o brasil, egito e EUA têm a mesma parcela de gente se tornando parte do mercado, na década, o que deveria merecer uma reflexão, de nossa parte parte, sobre os porquês disso.

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mas o que a bain & co. diz [e será  que é isso mesmo?] é que só os países que estão lá na frente é que estão investindo na next big thing, ou as próximas inovações a definir os mercados [nas próximas décadas], que devem passar por genômica, nanotecnologia, robótica, inteligência artificial e ubiquidade [que tem a ver com universalização das comunicações desta e da década anterior]. e estima-se que o investimento é  na casa de US$1 trilhão. e aqui… muito pouco ou quase nada. o que quer dizer que a gente pode fazer uma previsão adicional: que países como o brasil, por pura e simples falta de políticas e estratégias [pois recursos há] continuarão, por muito tempo, como meros consumidores de produtos e serviços inovadores em quase qualquer cenário do futuro próximo. e não há qualquer sinal de mudança, pois lugares como o nosso continuam insistindo em atrasadas, se não falidas, políticas de substituição de importações, associadas a reservas de mercado que levam, apenas, a preços estratosféricos para tudo o que está  na fronteira de uso [e não precisa nem ser inovador…] em qualquer mercado. a gente falou disso neste link. mas são palavras ao vento…

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