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Escrito por • 28/12/2013

previsões, 7: mais do mesmo

Este é o último dos textos da série de previsões para 2014 aqui no blog; a lista de todos os posts [inclusive este] tá bem aqui neste link. tanta coisa é ou depende de tecnologias de informação que a gente poderia escrever dezenas de textos como este. mas se você esperava um sobre big data, por exemplo, não rolou. e nem precisamos de um: big data é o tratamento de tipos, fluxos e volumes de dados aos quais não estávamos acostumados num passado recente; agora, estamos. big data é  informação tratada com algoritmos e estruturas de dados [muito] complexos, que a computação parecia ter esquecido. não mais, está na ordem do dia há tempos e não é tendência nem previsão, é um fato, ponto.

outro texto que poderia ter rolado era sobre robôs: esse eu queria ter feito, até porque há muito por trás da compra da boston dynamics por google, além de coisas muito mais básicas e práticas como BAXTER e UBR-1, robôs de poucas dezenas de milhares de dólares que podem ser usados até na padaria da esquina.

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mas robôs como ATLAS, acima, estão longe do brasil, país sede da próxima copa mundial de futebol de robôs [ano que vem, junto com a copa dos humanos], e parecem mais uma das revoluções que nós vamos perder. seria esta uma previsão da “classe” mais do mesmo? tipo… em 2014, o brasil não fará nenhuma ação para criar, aqui, uma base industrial para robótica, e o país continuará, nesta e em áreas associadas, importando quase tudo o que usa, a menos de sistemas que, no melhor estilo de substituição de importações, serão produzidos aqui, protegidos por uma reserva de mercado e vendidos localmente por preços estratosféricos que só farão aumentar o custo brasil. sim, isso é o mais do mesmo, e há um longo texto aqui do blog, de dezembro passado, sobre isso, onde se pode olhar pra 35 anos desse tipo de mais do mesmo e ver que no que foi que ele deu.

mas vamos deixar isso pra lá, por enquanto. outro mais do mesmo poderia ser o do fim do jornalismo. mas não é. um certo tipo de instituição investigativa e noticiosa está seriamente ameaçada de extinção; mas o jornalismo, renovado, em rede, com novas estruturas de produção, distribuição, conexão, interação e outros -e muito menores- custos, vai sobreviver. a web e as redes sociais mudam, radicalmente, o ecossistema de informação em que estamos imersos; é inimaginável pensar que não mudariam os jornais, o rádio, a TV. e contexto vai ser muito importante, aqui: quem é o “leitor”? ele escreve ou não? onde está [no mundo físico], de onde vem e pra onde vai [ou foi, no mundo abstrato e no concreto…]? e por aí vai. e isso vem, é claro, da análise de grandes volumes de dados sobre comportamentos, o que não deixa de ser big data… mas não é o data, nem o big, que interessam: é contexto.

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um mais do mesmo interessante, que começa a pautar ações de empreendedores e investidores é a localidade dos comportamentos na rede. tá certo que a localidade, no caso das notícias, ainda não descobriu um caminho. centenas de milhões de dólares já foram perdidos na procura e, até agora, nada. e uma das razões é que [eu acho] o formato que PATCH tentou, pra citar um esforço, não faz sentido e não rentabilizaria notícias hiperlocais [do seu bairro, sua praça ou padaria e talvez sua empresa]. alguém vai descobrir ou inventar este formato em breve e ele deverá ser uma combinação de móvel, fixo e contexto. em rede. e muito mais do que local.

e a gente tá falando de um bocado de previsões de que não iria falar se cumprisse a premissa do título do post, que era falar de “mais do mesmo”. vamos, pois, voltar ao começo e falar disso, pra conversa fazer [um mínimo de] sentido. TICs mudam muito, e muito rápido. mas os comportamentos, dependentes de hábitos e cultura, demoram [bem] mais a mudar do que as possibilidades criadas por TICs habilitam. isso quer dizer que, pra entender o futuro, no meio de tanta mudança tecnológica, talvez seja bom usar uma versão modificada do paradoxo de hagel: no original o paradoxo é… a melhor forma de se preparar para mudanças é, primeiro, decidir o que não vai mudar. isso se aplica às mudanças na sua vida pessoal, e em contextos onde você pode [tentar] controla[r] o que vai [ou não] mudar. no mercado, em um contexto onde o efeito de suas ações é  limitado ou imprevisível, a melhor maneira de se preparar para mudanças é, antes da competição, identificar e entender o que tem a menor probabilidade de mudar e melhorar sua performance nestes invariantes. e rápido, muito rápido. bem antes da tal da competição.

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em todos os processos de mudança, especialmente no curto prazo, enquanto todos esperam que o mundo mude de uma hora pra outra, ele quase sempre muda… mas de tal forma que, se a gente estiver prestando atenção e tentando aprender, muito e rápido, dá pra usar [nos negócios e vida pessoal] a estabilidade que vem de mais do mesmo [agora] pra bancar as tentativas, erros e aprendizado pro daqui a pouco [ou muito…] que provavelmente vai ser [muito!] diferente mesmo.

toda previsão responsável sobre o futuro tem que englobar um mínimo de mais do mesmo, daí este último texto sobre exatamente isso. e a gente acerta, dúvida zero. mas não se engane: não, nunca pense que o mais do mesmo é pra sempre. ele é só um buffer, um anteparo entre você e o futuro. e o futuro sempre vem. e do futuro.

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