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Escrito por • 23/02/2015

qual é o PROBLEMA da educação?

a galera da ciaTech soluções digitais gravou, comigo, mais ou menos no fim do ano passado, uma reflexão sobre o estado da arte e prática da educação [também no brasil], pra provocar um debate que estavam fazendo em são paulo [o CiaClass SapiênCia] e pra onde eu não pude ir. a gravação rolou na FGV DIREITO RIO, feita por um pessoal muito fera [zico santana à frente] e o resultado está abaixo.

entre as teses que defendo, a que parece mais estranha, quando se leva em conta que eu sou de tecnologia, é que tecnologia não vai resolver os problemas estruturais da educação… nem agora nem no futuro… e que a faceta mais ortodoxa do ambiente educacional, bem acima dos professores –que já são antigos o suficiente, é o sistema regulatório, que é velho e, porque não dizer, burro. aqui no brasil, em particular, onde vivemos um dos maiores e mais profundos dramas educacionais do planeta, nem os professores estão inovando mais, nem o ambiente ficando mais criativo, tampouco a regulação menos invasiva e mais flexível. muito pelo contrário. estamos, assim, nos preparando para ser… nada, no futuro, num mundo que depende, e cada vez mais, de educação, aprendizado, conhecimento e seu exercício prático.

vamos precisar de muita sorte pra sair do outro lado, seja ele qual for…

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3 Responses to qual é o PROBLEMA da educação?

  1. Boa noite Silvio. Excelente post, sou fã do seu trabalho! Se me permite, gostaria de alimentar o debate, por ser algo em que penso frequentemente, principalmente na trilogia – ensino, pesquisa e extensão. Algo me faz pensar que o mais natural para uma sociedade industrial saudável seria um forte influxo das suas necessidades para a academia, algum tipo de “extensão inversa”, gerando a pesquisa e que resultaria no modelo de estudo. A naturalidade como separamos o que o aluno vê na academia com o que ele presencia no “mundo real”, enfatizando a importância da universidade corporativa no cenário brasileiro, nos mostra o quanto esses mundos ainda diferem no nosso país, por falta de parcerias ou dificuldade na sua manutenção. As instituições que conseguem mantê-las e alimentá-las, certamente formam os melhores profissionais. No vale do silício dos anos 60/70, a necessidade de guerra e o grande influxo de capital de risco levou aos centros de pesquisa americanos a excelência em qualidade e o alinhamento com as necessidades da indústria. No Brasil, além dos problemas cujas raízes explorou no vídeo, ainda temos que enfrentar um baixíssimo grau de industrialização, alto custo operacional da indústria e ainda, surpreendentemente, honestidade acadêmica no comprometimento do corpo discente e a busca pelo diploma como bem maior. MOOCs se diferem nesse aspecto por terem como base a busca ativa pelo conhecimento, fator determinante na qualidade do aprendizado, como levantou no vídeo. Obrigado e até mais! Um abraço!

  2. Grande Silvio! Como estão as coisas?

    1) Quais modelos estritamente considera falho?

    Primeiro acho necessário aprofundar um pouco mais a definição de modelo educacional, porque o Brasil tem um sistema de ensino que permite a utilização de vários modelos. É possível incluir modelos desde a definição do curso no MEC ou CAPES até nos planos de aulas.

    Especificamente sobre modelos de práticas educacionais [que parece ser o foco da sua provocação], é possível diversificar propostas para extensão do conhecimento, entre eles o individual. Assim, eu discordo que a tecnologia não promova uma grande mudança nesse contexto, já que o conhecimento individual está cada vez mais estimulado e acessível.

    2) Por que você nasceu em Taperoá-PB e ascendeu os estudos no ITA utilizando o mesmo modelo que todos os outros?

    Por conhecer tanta gente talentosa, percebo que a questão educacional não é o modelo, mas a sua forma de: planejamento, execução, controle e avaliação, especialmente oportunidade de acesso à recursos.

    Lembra da discussão dos restaurantes? Problemas na avaliação!
    Lembra da discussão dos MOOCS? Problemas no planejamento e execução!
    Lembra da discussão sobre evasão? Problemas na avaliação e controle!
    Lembra da discussão sobre qualidade do ensino? Problemas na execução e controle!

    3) Se o principal agente na relação conhecimento-valor é o professor, porque ele não é valorizado? Não só em termos de remuneração, mas de atenção?

    Essa é a minha proposta para analisar o perfil docente http://jaguaracisilva.blogspot.com.br/2013/08/analise-do-perfil-docente_3.html

    4) Por que avaliamos cursos e publicações e não há NENHUM DADO sobre o valor que a universidade traz de fato para uma cidade ou região em termos de IDH? E a mobilidade de estudandes e valor que se transfere com ele para outras regiões?

    5) Por que a universidade ainda não domina seus próprios processos se eles não mudam há 500 anos?

    O problema na minha opinião está na própria condição de existência da instituição, que por não ter [ou não definir para todos] sua identidade individual e coletiva, não sabe nem mesmo o seu valor perante a sociedade.

    6) Qual o valor da UFPE para Recife, Pernambuco e o Brasil? Ela contribuiu para melhoria de quais áreas de conhecimento? Quantas empresas foram constituídas, empregados gerados, patentes e inovações? Quantos estudantes entraram, saíram formados e hoje trabalham onde?

    Essa última pergunta é fácil para você, justamente porque as grandes mentes da área de tecnologia de PE encontraram a relação de identidade e assim o valor é percebido por todos.

    Mais uma vez, eu cito exemplos de sucesso onde o modelo não foi problema para gerar valor. Você sabe [ou não se lembra pelo tanto de tempo que passou] que entre a UFPE e os estudantes existe uma identidade forte que é disseminada através do ecossistema local de inovação.

    Mesmo que uma perspectiva da educação superior no Recife tenha uma predileção [ou direção bem definida] por conta da construção da sua identidade ao longo de tantos anos, as outras são suportadas por tabela [parece pra mim, posso está equivocado, informe melhor agente 🙂 ].

    O ecossistema local acaba por suportar todo o ciclo de educação voltado para inovação, permitindo sintonia com o modelo educacional no que tange: planejamento, execução, controle e avaliação FORA DA UNIVERSIDADE na prática da pesquisa ou indústria.

    Há uma forte ligação entre o ecossistema local e a UFPE, e essa condição privilegia disseminar o conhecimento individual coletivamente, onde poucos o recebem formalmente, porém muitos são alcançados. Neste caso, fica claro o retorno da universidade em termos de IDH na região [pelo menos pra mim].

    IDH é o principal valor que a universidade deveria se preocupar quanto instituição de ensino, pesquisa e extensão. O problema da educação no Brasil é que não há relatórios de IDH x universidade.

    Fica aí minha proposta para você entregar à presidente da república que lançou o “Brasil pátria educadora”.

    Um abraço!!

  3. Elvira disse:

    Boa tarde, Profº Sílvio!
    Apesar de passado meio ano, só agora vi esse post o qual achei muito interessante, tanto as suas colocações quanto os pontos ressaltados por Rafael Battesti e Jaguaraci Silva. M as o principal de tudo isso é o objetivo para o qual estamos trabalhando. Por exemplo: todo início de ano tem a chamada “Semana Pedagógica” antes de iniciar o ano letivo, que todos acreditam iniciar apenas quando estiver dentro da sala de aula, antes não conta nada. Pois bem, a secretaria de educação e não a direção da escola, vem cheia de receitas e nomes para ensinar ao professor uma fórmula mágica para tirar a educação do buraco e fazer aqueles alunos repetentes e repetidos avançarem nas séries, mas, nunca fizeram essa lição prévia sugerida pelo professor Sílvio, de perguntar ao professor o que o incomoda em sua prática? Quais suas necessidades reais,? Quais as dúvidas para o ano vigentes? Ao contrário, vem tudo preparado aos moldes do que eles acham ser necessário para resolver os problemas acusados nas tantas siglas do MEC.
    A questão da tecnologia está se tornando um problema porque como bem sabemos, hoje é acessível, embora as pessoas não saibam dar utilidade aos objetos dispostos no mercado, além disso, os nosso alunos, as vezes, chegam à escola com um SMART mais sofisticado que o do professor, mesmo não sabendo usar 1% do seu potencial; que me adianta computadores na escola danificados e sem internet? São problemas que vão se avolumando e se atropelando criando com isso um grande bolsão de exclusões… Justo quando as políticas públicas de educação gritam que é preciso incluir.
    Olha para a escola pública, hoje em dia, é como passar numa esquina onde tem um pedinte, você só vai enxergá-lo se parar e observar a criatura em toda sua constituição, aí dá para entender as diferenças sociais, os esquecimentos, as omissões. Digo isso porque semana passada ao olhar minha escola vi quanto a educação brasileira nos proporciona o básico do básico para formar indivíduos com objetivos, foco, oportunidades reais. Bem, nessa situação, ficamos na torcida pelas excesções dessa regra doida chamada sociedade.