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Escrito por • 24/10/2012

quem é o “consumidor digital”? 1/11

a ideia destes pequenos dez textos [daqui pra frente, somados ao texto “zero” de partida da série] é tentar estabelecer quem é, hoje, o tal do “consumidor digital” e o que pode ser o relacionamento entre este poderoso agente social e as empresas nos próximos muitos anos digitais [ou seja, uns três…]. pra isso, vamos usar slides do blog para o FWD2012, debate da mcKinsey brasil sobre redes, negócios e a rede de pessoas ao redor das empresas.

meu primeiro slide para a discussão…

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…trata de como temos que separar duas vertentes essenciais [e interdependentes: logo, como separar?…] do entendimento de redes sociais. primeiro… deve-se levar em conta que o novo…

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…pode não ter, necessariamente, a ver com os conceitos clássicos de capital social, que vêm do estudo das relações e processos de integração social lá da sociologia. vá ver a crítica, desde durkheim, num excelente texto de portes, neste link de 1998.

em 201o [‘The facets of social capital’, J. for the Theory of Social Behaviour 41(3); 308-326, infelizmente sem versão aberta, online] mikael rostila atualizou a crítica de portes, desde a longa e sofisticada definição de bourdier, de que o capital social é o agregado de recursos reais ou potenciais ligados à participação em redes de relacionamento mais ou menos formais de conhecimento [entre agentes vários] e reconhecimento [de um agente em relação a outros] que provê, a cada um dos membros da rede, suporte do capital coletivo comum a todos, credencial que intitula cada um, na rede, a crédito, nos vários sentidos da palavra.

difícil imaginar definição mais ampla, mas era preciso outra, simples e concisa. e portes, ao propor que capital social é a habilidade de garantir benefícios através do pertencimento a redes e outras estruturas sociais, fez isso. rostila tenta definir o capital social de uma forma que [no entender do blog] pode ser um bom ponto de partida para entender o que é o capital social das e nas redes sociais como as que dão origem ao consumidor digital estudado pela mcKinsey [e a que nos referimos no primeiro texto desta série].

para ajudar a resolver o embate entre as várias vertentes de entendimento do que é capital social, rostila usa uma definição baseada em recursos [que não deixa de ser criticável]. mas vamos pensar, aqui, apenas no contexto das redes sociais onde está o consumidor digital, fugindo do debate sociológico e econômico. feita a a ressalva, o capital social pode imaginado e definido a partir de dois componentes elementares. primeiro, vem o…

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…que dá conta de volumes, de forma objetiva, nas redes: quantos seguidores você tem? quantos seguidores eles têm? quantos efetivamente dedicam alguma atenção às suas contribuições à rede? quantos compartilhamentos das suas contribuições eles fazem, em que tempo, e para que outros agentes, nas redes em que estão?… o componente estrutural do capital social [e das redes sociais…] é essencialmente  quantitativo.

os componentes estruturais estão associados às redes [as ligações entre agentes] e às transações entre eles; são quase todos identificáveis e mensuráveis por sistemas de informação [agentes também, em rede, que “lêem” a rede], capazes de capturar, em tempo real, as estruturas de rede e, claro, suas mudanças.

em segundo lugar, e quase sempre mais importante, vem o componente…

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…do capital social, que dá conta do conhecimento existente ou sendo criado nas redes sociais, avaliado de forma qualitativa e não quantitativa. aqui, impacto é o que importa, em quase todos os casos. ao invés de quantos seguidores, quer-se saber quais seguidores; ao invés de quantos comentários, que comentários, com que consequências, como ações de consumidores em relação a um produto, que podem resultar num aumento de compras ou em um boicote.

rostila diz que o capital social compreende os recursos sociais que evoluem em redes e estruturas sociais caracterizadas por confiança mútua, às quais os agentes [detentores de tal capital] têm acesso.

pra mim, tem “social” demais aí. sem correr o risco de entrar num campo teórico para o qual o blog não tem competência, vamos terminar este episódio definindo apenas o capital em rede social e não o capital social de forma ampla.

daqui até o fim da série, pois… o capital em rede social é a combinação dos componentes estruturais [a rede, mensurável quantitativamente] e dos aspectos conjunturais [o conhecimento na, em e da rede, medido de forma qualitativa] associados a grupos de agentes interconectados [seja de que forma for; nas “redes sociais” dos “consumidores digitais”, que estamos tratando aqui, os mecanismos de conexão são virtuais e exemplificados por sistemas como twitter e faceBook].

pense nisso. faz sentido? faz sentido na sua rede, ou nas redes em que você está? amanhã a gente volta, pra falar das dinâmicas das redes sociais, pois a estrutura e a conjuntura das redes em que nossos agentes participam evoluem o tempo todo… até lá.

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