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Escrito por • 25/10/2012

quem é o “consumidor digital”? 2/11

redes são dinâmicas. redes de agentes independentes, capazes de mudar suas conexões, comportamento e conhecimento, têm dinâmicas que podem mudar muito rapidamente e ser muito difíceis de acompanhar na visão de certos agentes, partícipes da rede ou não, que talvez queiram “entender” o que está ocorrendo, em tempo quase real, para “influenciar”, de forma mais ou menos determinística, o comportamento de outros agentes e/ou grupos deles.

este é o tema do…

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…segundo slide da apresentação no FWD 2012, dando sequência a considerações já discutidas nos primeiros textos da série, neste e neste outro links. indo direto ao assunto…

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…que começam com a possibilidade de se estabelecer…

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…fazendo uso de alguma infraestrutura de informação que as facilite. no caso de faceBook [por exemplo], tal infraestrutura é o grafo social e suas funcionalidades diretas [para os usuários], indiretas [na API, interface de programação] e obscuras [dentro de FB, funções às quais só FB tem acesso]. para uma discussão mais longa do assunto, veja este link, onde também se discute as diferenças fundamentais entre google e faceBook, como infraestruturas e negócios.

a partir destas conexões, os agentes conectados em rede [eventualmente] criam…

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…que servem como base para…

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…que levam à construção de…

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…compartilhados pelos agentes conectados que participam das interações nos primeiros momentos e [nos casos “virais”, em certas escalas] espalhados de modo semelhante ao “broadcast” do rádio e TV [mesmo quando se trata de uma rede de agentes independentes]. foi assim que todo mundo [literalmente] passou a saber muito mais de gangNam do que deveria ou queria.

a sequência conexões → relacionamentos → interações → significados não é uma “sequência” simples, pois há realimentação entre os componentes. como é de se imaginar, certas interações criam significados que reforçam relacionamentos e há outras que os enfraquecem, a ponto de destruir as conexões correspondentes. é exatamente isso que henry, prałat e zhang [no texto ‘Emergence of segregation in evolving social networks’. Henry, A.D., Prałat, P., Zhang, C.Q. Proc Natl Acad Sci USA. 108(21):8605-10, 2011, disponível grátis aqui] mostram, para o caso de redes sociais que passam por processos evolucionários.

os autores demonstram que um modelo de segregação de vizinhanças residenciais [antigo, de 1969], sempre vai emergir para redes, independentemente do nível de aversão entre agentes e, de quebra, provam que a similaridade de atributos entre agentes conectados sempre atinge uma distribuição estacionária, independente da forma da rede e do nível de aversão entre agentes. graficamente, partindo da rede à esquerda da figura abaixo, um grande número de interações terá como resultado a rede à direita da figura, que será estável até que um número de agentes mude seu comportamento “padrão” de forma significativa ou ocorra a intromissão de outros agentes, até então excluídos de rede.

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no estado inicial, todos os agentes fazem parte da mesma “rede”, potencialmente interagindo e criando significados [não necessariamente comuns]. à medida que uns passam a entender as preferências e atributos dos outros [imagem ao centro], começam a se formar duas redes, mediadas por uns poucos agentes que, apesar da “distância” entre seus atributos, ainda têm pontos em comum.

reflita sobre sua rede social [de negócios ou pessoal] neste contexto. e imagine o que você [e/ou outros, agindo com ou por você] pode fazer para levar e estabilizar uma rede a/em certos estados ou, por outro lado, como perturbar o equilíbrio de uma rede, se for este seu interesse. aqui, todo cuidado é pouco. redes sociais são mutantes, como sabemos, mas o processo de mudança é emergente: se você é o agente de mudança, saiba que a gente só sabe como começar [e nem isso, talvez], nunca quando nem quando nem como acaba. mas isso é tema para os próximos dois textos. até lá.

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