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Escrito por • 23/09/2010

reconstruindo uma mente…

…a partir do backup. como assim “do backup”?

primeiro, assuma que uma mente é “apenas” o efeito colateral de um cérebro executando seu “código”, tudo o que foi programado lá por aprendizagem [de todos os tipos] em contextos [de todos os tipos, em todos os tempos].

o parágrafo acima, claro, pode ser debatido pelos próximos 20, 30 anos sem que se chegue a qualquer conclusão razoável. mas é no mínimo instigante ver a palestra de martine rothblatt “Reconstructing Minds from Software Mindfiles”, que parte do princípio de que vai ser possível fazer “uploads” [de partes] da [informação criada e armazenada na] mente em qualidade suficientemente boa para o “download”… em outro cérebro, parecer uma continuação razoável do seu próprio. seu corpo dança, sua “vida” continua, noutro recipiente.

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isso tem toda chance do mundo de dar errado, radicalmente errado, mas já que chegamos até aqui, o resumo da conversa é…

“I do think, however, there is a (natural) tendency to way overestimate the importance of copying our brain structure to copying our minds. I think our minds will be uploadable in good enough shape to satisfy most everyone by reconstructing them from information stored in software mindfiles such as diaries, videos, personality inventories, saved google voice conversations, chats, and chatbot conversations. The reconstruction process will be iteratively achieved with AI software designed for this purpose, dubbed mindware.“

mindfiles, mindware: gosto dos nomes e do conceito. e rothblatt não assume coisas do outro mundo, nada como mecânica quântica, mas uma reconstrução [provavelmente {muito} parcial] do “self” baseada em coisas que google, twitter, microsoft, ebay, amazon e o imposto de renda [e todo mundo que pega nossos arquivos lá…] e outros já estão guardando [ou espalhando] pra nós.

para ver a palestra na íntegra, é só clicar abaixo:

achou que faz sentido? então comece sua biblioteca de mindfiles agora mesmo em www.cyberev.org e prepare-se para a imortalidade. de uma vez por todas e certamente sujeita a bugs, vírus, worms, etc…

mas, antes, talvez valha a pena ler o disclaimer, uma boa parte do qual está em MAIÚSCULAS:

…DUE TO THE UNCERTAIN NATURE OF CURRENT AND FUTURE TECHNOLOGY AND LAWS AFFECTING CONSCIOUSNESS STORAGE AND REVIVAL, CyBeRev DOES NOT WARRANT OR REPRESENT THAT YOUR CYBERCONSCIOUSNESS WILL BE MAINTAINED INDEFINITELY OR THAT THE CYBERCONSCIOUSNESS WILL BE REVIVED.

WE PROVIDE NO ASSURANCE AS TO IF OR WHEN THIS DEMONSTRATION OF BEME-BASED REVIVAL WILL SUCCEED OR WILL BE SATISFACTORY.  THIS IS PURELY AN EXPERIMENTAL DEMONSTRATION PROJECT AND MAY BE TERMINATED AT ANY TIME, WITHOUT NOTICE

e boa sorte.

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8 Responses to reconstruindo uma mente…

  1. Tomasz disse:

    Tô precisando de um download urgentemente pra uma prova, pois não dá tempo de estudar tudo

  2. Tomasz disse:

    Tô precisando de um download urgentemente pra uma prova, pois não dá tempo de estudar tudo

  3. Fernando disse:

    Sílvio, se juntar a clonagem de seres humanos com o dowload de memórias será a imortalidade?

  4. Fernando disse:

    Sílvio, se juntar a clonagem de seres humanos com o dowload de memórias será a imortalidade?

  5. Aluno de HFC disse:

    Opa, que bacana!
    Mas Sílvio, e as notas de #HFC do período passado hein? O senhor deixa eu me formar, deixa?

  6. Aluno de HFC disse:

    Opa, que bacana!
    Mas Sílvio, e as notas de #HFC do período passado hein? O senhor deixa eu me formar, deixa?

  7. Romano disse:

    S, os comentários que se seguem são baseados no livro:

    “O ERRO DE DESCARTES: EMOÇÃO, RAZÃO E O CÉREBRO HUMANO”, do neurologista Antônio R. Damásio. ISBN 85-7164-530-2

    Preferi transcrevê-los (adaptado) por razões óbvias: não sou neurocientista, mas interessado no assunto.

    “O tecido nervoso é constituído por células nervosas (neurônios), apoiadas por células da glia. Os neurônios são as células essenciais para a atividade cerebral. Nos nossos cérebros existem bilhões (10)deles organizados em circuitos locais constituindo regiões corticais(quando dispostos em camadas) ou núcleos (agregados em grupos que não formam camadas).”

    “As regiões corticais e os núcleos interligam-se formando sistemas, e sistemas de sistemas, com níveis de complexidade progressivamente mais elevados. Em escala, neurônios e circuitos locais são microscópicos e as regiões corticais, núcleos e os sistemas são macroscópicos.”

    “Não é raro depararmo-nos com cientistas incrédulos quanto à possibilidade de algum dia virem a compreender o cérebro quando são confrontados com a complexidade das conexões entre os neurônios. Alguns preferem esconder-se atrás da idéia de que tudo está interligado entre si e de que a mente e o comportamento emergem dessa conexão caótica, de uma forma que a neuroanatomia nunca conseguirá revelar. Felizmente, estão enganados.”

    “Selecione alguns neurônios no córtex cerebral ou nos núcleos, aleatoriamente ou de acordo com suas preferências e descobrirá que cada neurônio se comunica com um pequeno grupo de outros neurônios, mas nunca com a maioria ou todos os restantes.”

    “Consequências:
    1) o que um neurônio faz depende do conjunto no qual se insere;
    2) o que os sistemas fazem depende de como os conjuntos se influenciam mutuamente numa arquitetura de conjuntos interligados;
    3) a contribuição de cada conjunto para o sistema a que pertence depende de sua localização nos sistema.”

    “Resumindo, a especialização do cérebro é uma consequência do lugar ocupado pelos conjuntos nos sistema de grande escala.”

    O ERRO DE DESCARTES

    “Descartes procurava uma fundação lógica para a filosofia (“Penso, logo existo”).”

    “É esse o erro de Descartes: a separação abissal entre o corpo e a mente, … Especificamente: a separação das operações mais refinadas da mente, para um lado, e da estrutura e funcionamento do organismo biológico, para o outro.”

    “Pode bem ter sido a idéia cartesiana de uma mente separada do corpo que esteve na origem, na metade do século XX, da metáfora da mente como programa de software.”

    “De fato, se a mente pudesse ser separada do corpo, talvez fosse possível compreendê-la sem recorrer à neurobiologia, sem nenhuma necessidade de saber neuroanatomia, neurofisiologia e neuroquímica.”

    Concluindo, “o ponto de partida da ciência e da filosofia deve ser anti-cartesiano: existo (e sinto), logo penso.”

    Meus questionamentos: considerando o exposto acima será o nosso cérebro digital? (ou se analógico, podemos ter “conversores analógicos-digitais” para tal?). Sabe-se muito sobre o assunto, mas até agora não se sabe responder a uma simples pergunta: como os neurônios armazenam “informação”? etc, etc, etc…

    Como você comentou, é assunto para render muito……
    []s

  8. Romano disse:

    S, os comentários que se seguem são baseados no livro:

    “O ERRO DE DESCARTES: EMOÇÃO, RAZÃO E O CÉREBRO HUMANO”, do neurologista Antônio R. Damásio. ISBN 85-7164-530-2

    Preferi transcrevê-los (adaptado) por razões óbvias: não sou neurocientista, mas interessado no assunto.

    “O tecido nervoso é constituído por células nervosas (neurônios), apoiadas por células da glia. Os neurônios são as células essenciais para a atividade cerebral. Nos nossos cérebros existem bilhões (10)deles organizados em circuitos locais constituindo regiões corticais(quando dispostos em camadas) ou núcleos (agregados em grupos que não formam camadas).”

    “As regiões corticais e os núcleos interligam-se formando sistemas, e sistemas de sistemas, com níveis de complexidade progressivamente mais elevados. Em escala, neurônios e circuitos locais são microscópicos e as regiões corticais, núcleos e os sistemas são macroscópicos.”

    “Não é raro depararmo-nos com cientistas incrédulos quanto à possibilidade de algum dia virem a compreender o cérebro quando são confrontados com a complexidade das conexões entre os neurônios. Alguns preferem esconder-se atrás da idéia de que tudo está interligado entre si e de que a mente e o comportamento emergem dessa conexão caótica, de uma forma que a neuroanatomia nunca conseguirá revelar. Felizmente, estão enganados.”

    “Selecione alguns neurônios no córtex cerebral ou nos núcleos, aleatoriamente ou de acordo com suas preferências e descobrirá que cada neurônio se comunica com um pequeno grupo de outros neurônios, mas nunca com a maioria ou todos os restantes.”

    “Consequências:
    1) o que um neurônio faz depende do conjunto no qual se insere;
    2) o que os sistemas fazem depende de como os conjuntos se influenciam mutuamente numa arquitetura de conjuntos interligados;
    3) a contribuição de cada conjunto para o sistema a que pertence depende de sua localização nos sistema.”

    “Resumindo, a especialização do cérebro é uma consequência do lugar ocupado pelos conjuntos nos sistema de grande escala.”

    O ERRO DE DESCARTES

    “Descartes procurava uma fundação lógica para a filosofia (“Penso, logo existo”).”

    “É esse o erro de Descartes: a separação abissal entre o corpo e a mente, … Especificamente: a separação das operações mais refinadas da mente, para um lado, e da estrutura e funcionamento do organismo biológico, para o outro.”

    “Pode bem ter sido a idéia cartesiana de uma mente separada do corpo que esteve na origem, na metade do século XX, da metáfora da mente como programa de software.”

    “De fato, se a mente pudesse ser separada do corpo, talvez fosse possível compreendê-la sem recorrer à neurobiologia, sem nenhuma necessidade de saber neuroanatomia, neurofisiologia e neuroquímica.”

    Concluindo, “o ponto de partida da ciência e da filosofia deve ser anti-cartesiano: existo (e sinto), logo penso.”

    Meus questionamentos: considerando o exposto acima será o nosso cérebro digital? (ou se analógico, podemos ter “conversores analógicos-digitais” para tal?). Sabe-se muito sobre o assunto, mas até agora não se sabe responder a uma simples pergunta: como os neurônios armazenam “informação”? etc, etc, etc…

    Como você comentou, é assunto para render muito……
    []s