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Escrito por • 22/08/2011

redes e movimentos sociais e mudança real

quem disse que a revolução não ia passar na TV enganou-se pelo menos um pouco, ontem. de mais de uma forma, as imagens [pra mim, na web] da tomada de trípoli pelas forças populares foram momentos únicos.

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passei horas trabalhando num laptop e vendo a alJazeera noutro. direto de tarābulus, binġāzī e mişrātah, a transmissão ao vivo da emissora árabe fez, em si mesma, história. e direto da confusão: repórteres no meio da multidão, parte dela armada, senhoras comemorando a tomada da capital a disparar AK-47 dos terraços… difícil acreditar que não morreu gente por acaso, feliz com o fim de mais uma ditadura árabe.

as patéticas mensagens do ditador, transmitidas pela TV estatal que ele, de alguma forma, ainda controlava, eram o contraponto à festa na rua. contra multidões na praça dos mártires, a máquina de propaganda governamental mostrava uns poucos gatos pingados agitando uma bandeira que não era mais a da líbia, pois que o povo tinha restaurado a antiga, que era de todos antes do ditador ter decretado a sua.

qual foi o papel da internet e das redes sociais na tomada da líbia pelas forças populares? difícil dizer agora, pelo menos com certeza. mas o fato é que o governo de lá desligou a rede entre o fim de fevereiro e começo de março, e só ontem o mundo começou a "ver" o país de novo em seus roteadores, e de forma esporádica.

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isso dá uma ideia do que move –verdadeiramente- o mundo. nas outras viradas árabes, a rede não desapareceu completamente ou, quando sumiu, foi por pouco tempo. o papel das redes sociais na articulação das pessoas, comunidades, resistência… foi enorme. mas, ao fim e ao cabo, não foi no mundo virtual que os "mubaraks" caíram, foi nas ruas, pela pressão ou, quando não foi possível, pela força popular.

o que nos leva ao brasil e dois marcos da nossa história: o fim da ditadura mais recente e as eleições diretas e o "fora collor". nos dois casos, ainda não havia a conectividade e a capacidade de mobilização da internet e do espaço social. o que mudou o rumo da história e das nossas vidas foi gente nas ruas, a pressão popular e insustentável, na época tanto provocada como ecoada pela grande mídia.

hoje, nas nossas redes sociais, vemos movimentos tênues "contra a corrupção", pela moralidade, como se um "trending topic" mundial feito no brasil fosse mudar o mundo. pelo menos o nosso. como se um país, uma sociedade inteira, fosse um produto. do ponto de vista social, amplo, não é um "pônei maldito" que vai nos redimir, resolver os grandes imbroglios nacionais, da nossa incompetência histórica para tratar os problemas essenciais [como a educação, fonte de quase todos eles] à nossa indisposição para mudança: queremos que tudo mude, desde que a mudança não nos afete pessoal e diretamente.

na líbia, a partir de hoje e dos próximos muitos meses, muita coisa vai mudar. uma grande rede humana e institucional vai determinar novos e emergentes comportamentos, criando novos arranjos nacionais que vão afetar a vida de quase todos, ao ponto de piorar [talvez muito] a vida de muitos que lutaram pela mudança. e que talvez, em alguns meses, estejam desiludidos, arrependidos e se tornem contra o novo tempo, saudosos de um passado que era ruim mas, de certa forma, melhor que um certo presente objetivo, prático, real, do seu dia a dia.

assim caminha a humanidade. no egito, líbia e outras geografias, ditaduras sanguinárias ficaram no poder por décadas a fio, suprimindo opinião e toda oposição, até que, com ou sem internet e rede social, não deu mais pra segurar. e tudo começou a mudar, em alguns lugares até para não mudar muito, talvez. no resto do mundo, para todas as outras mudanças, não será diferente.

se as pessoas físicas, no mundo concreto, não se movimentarem de verdade, a história recente mostra que não acontece… nada. mesmo que seja muito interessante e animado participar dos movimentos sociais virtuais, são os concretos, nas ruas, nas urnas e, quando elas não estão disponíveis, na força, que mudam o mundo.

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16 Responses to redes e movimentos sociais e mudança real

  1. Bruno Bezerra disse:

    É isso aí Silvio.

    Seja em Líbia, em Recife, na sua Taperoá ou na minha Santa Cruz do Capibaribe… a internet fomenta a democracia, mas a atitude [ou quase sempre a mudança de atitude] das pessoas é a mais poderosa inovação que derruba ditaduras e constrói governos e cidadania.

    @brunobezerra

  2. Bruno Bezerra disse:

    É isso aí Silvio.

    Seja em Líbia, em Recife, na sua Taperoá ou na minha Santa Cruz do Capibaribe… a internet fomenta a democracia, mas a atitude [ou quase sempre a mudança de atitude] das pessoas é a mais poderosa inovação que derruba ditaduras e constrói governos e cidadania.

    @brunobezerra

  3. Ronaldo disse:

    E a ditadura da famiglia sir-ney, no Maranhão.
    Como o povo poderá derrubar ?

  4. Ronaldo disse:

    E a ditadura da famiglia sir-ney, no Maranhão.
    Como o povo poderá derrubar ?

  5. Ricardo disse:

    E a “HERANÇA MALDITA” do lulla, quando ficaremos livre dela e do seu criador ?

  6. Ricardo disse:

    E a “HERANÇA MALDITA” do lulla, quando ficaremos livre dela e do seu criador ?

  7. Mariana disse:

    Sílvio, estivemos aí em maio conversando sobre Brasil 2021. Precisamos dos teus contados para podermos te atualizar sobre o andamento do projeto e seu lançamento. Entre em contato comigo: mariana.farinas@ponteestrategia.com.br

    Um grande abraço,
    Mariana

  8. Mariana disse:

    Sílvio, estivemos aí em maio conversando sobre Brasil 2021. Precisamos dos teus contados para podermos te atualizar sobre o andamento do projeto e seu lançamento. Entre em contato comigo: mariana.farinas@ponteestrategia.com.br

    Um grande abraço,
    Mariana

  9. Luiz Fernando disse:

    Aqui também deveríamos sair as ruas para que os corruptos fossem paraà cadeia e muito mais importante seria a devolução do dinheiro roubado com juros e correção monetária . A falta de uma justiça imparcial , motiva a continuidade do roubo e serve de exemplo a todas as camadas da sociedade . Os grandes ladrões deste Brasil continuam livres e cada vez mais milionários as custas daquêles que sofrem nas filas de hospitais, filhos sem escolas, faculdades , aposentados que não tem seus proventos dignos, etc. O Brasil não precisa de Copa e sim de benefícios efetivos a sua população . Obras da Copa são mais motivos a roubos e por consequencia falta de dinheiro para as verdadeiras causas que poderiam amenizar o atrazo que vive nossa populaçã.Vamos acabar com esses disperdícios de dinheiro!!!!!!!!!

  10. Luiz Fernando disse:

    Aqui também deveríamos sair as ruas para que os corruptos fossem paraà cadeia e muito mais importante seria a devolução do dinheiro roubado com juros e correção monetária . A falta de uma justiça imparcial , motiva a continuidade do roubo e serve de exemplo a todas as camadas da sociedade . Os grandes ladrões deste Brasil continuam livres e cada vez mais milionários as custas daquêles que sofrem nas filas de hospitais, filhos sem escolas, faculdades , aposentados que não tem seus proventos dignos, etc. O Brasil não precisa de Copa e sim de benefícios efetivos a sua população . Obras da Copa são mais motivos a roubos e por consequencia falta de dinheiro para as verdadeiras causas que poderiam amenizar o atrazo que vive nossa populaçã.Vamos acabar com esses disperdícios de dinheiro!!!!!!!!!

  11. Edmundo disse:

    Neste país, aquele aparelhinho da sala é que faz a consciencia da população. Ele traz a chupeta mental diaria, com muitos crimes, muita religião, muita novela e muito futebol, e de politica muito pouco.
    Uma boa novela a todos. Edmundo

  12. Edmundo disse:

    Neste país, aquele aparelhinho da sala é que faz a consciencia da população. Ele traz a chupeta mental diaria, com muitos crimes, muita religião, muita novela e muito futebol, e de politica muito pouco.
    Uma boa novela a todos. Edmundo

  13. Tarcisio Bomfim disse:

    Caro Silvio, estah mais que na hora desta onda de liberdade crescer aqui no Brasil, com a bandeira CONTRA A CORRUPÇÃO. Não é possível. Em qualquer ministério federal ou secretaria estadual ou municipal que olhemos, existe indícios, cheiro uma verdadeira fumacinha preta de corrupção. No legislativo, federal, estadual ou municipal os corruptos vêem à publico sem VERGONHA para defender os comparsas. São verdadeiras quadrihas que durante todos os meses, não somente durante as festas juninas, querem se locupletar com o seu , o meu ou nosso dinheiro de impostos. Até no Judiciário onde deveríamos encontrar os baluartes da Justiça , vemos desembargadores e ministros passeando em jatinhos de advogados famosos. A Libia está conseguindo afastar a familia Khadafi. E o Brasil quando afastará a famila Sarney, a familia Collor, a famila Garotinho, a familia Sergio Cabral, a familia José Dirceu, afamila Palocci e familia Silva. TÁ NA HORA.

  14. Tarcisio Bomfim disse:

    Caro Silvio, estah mais que na hora desta onda de liberdade crescer aqui no Brasil, com a bandeira CONTRA A CORRUPÇÃO. Não é possível. Em qualquer ministério federal ou secretaria estadual ou municipal que olhemos, existe indícios, cheiro uma verdadeira fumacinha preta de corrupção. No legislativo, federal, estadual ou municipal os corruptos vêem à publico sem VERGONHA para defender os comparsas. São verdadeiras quadrihas que durante todos os meses, não somente durante as festas juninas, querem se locupletar com o seu , o meu ou nosso dinheiro de impostos. Até no Judiciário onde deveríamos encontrar os baluartes da Justiça , vemos desembargadores e ministros passeando em jatinhos de advogados famosos. A Libia está conseguindo afastar a familia Khadafi. E o Brasil quando afastará a famila Sarney, a familia Collor, a famila Garotinho, a familia Sergio Cabral, a familia José Dirceu, afamila Palocci e familia Silva. TÁ NA HORA.

  15. Paulo Seabra disse:

    A conectividade proporcionada pelos meios de comunicação, em especial, as redes sociais nos trazem hoje, graças à velocidade que lhes é peculiar, oportunidades únicas de acesso à informação. No entanto, não devemos confundir informação com conhecimento, ou seja, precisamos ser cautelosos com a informação que nos é “vendida”, evitando sermos levados ao esquecimento do passado histórico. A corrupção, no País, é endêmica e não começou no Governo A ou B. Ela tem origem nas Capitanias Hereditárias, com as escolhas de Portugal para a nossa “colonização” e, a partir daí, só cresceu e enraizando-se na nossa sociedade, promovendo grandes riquezas, às custas dos mais diversos tipos de saque ao alheio. A enorme concentração de renda verificada sempre foi o maior exemplo dessa triste realidade. Não tenho dúvida de que haja ainda muita corrupção no Governo, mas o que me preocupa é que os que vão à tribuna e alimentam a mídia de denúncias são os mesmos que se locupletaram durante décadas e, agora, apresentam-se como vestais da moralidade, incitando os mais incautos que, por desconhecerem a história do Brasil, clamam pela volta desses “lobos vestidos em pele de cordeiro”. Precisamos, sim, exigir mais transparência, mais repeito à coisa pública, mas, acima de tudo, investimento em educação para formar novas gerações com capacidade de discernimento entre o falso e o verdadeiro, independentemente de quem aponta o dedo da censura e se esconde atrás de uma máscara, apostando na nossa histórica conduta de esquecimento. Cobremos, mas lembremos que o crescimento de uma nação depende da conduta de cada cidadão. Não podemos ter o tipo de comportamento que Sartre, irônicamente, alertava, quando disse: “O inferno são os outros”.

  16. Paulo Seabra disse:

    A conectividade proporcionada pelos meios de comunicação, em especial, as redes sociais nos trazem hoje, graças à velocidade que lhes é peculiar, oportunidades únicas de acesso à informação. No entanto, não devemos confundir informação com conhecimento, ou seja, precisamos ser cautelosos com a informação que nos é “vendida”, evitando sermos levados ao esquecimento do passado histórico. A corrupção, no País, é endêmica e não começou no Governo A ou B. Ela tem origem nas Capitanias Hereditárias, com as escolhas de Portugal para a nossa “colonização” e, a partir daí, só cresceu e enraizando-se na nossa sociedade, promovendo grandes riquezas, às custas dos mais diversos tipos de saque ao alheio. A enorme concentração de renda verificada sempre foi o maior exemplo dessa triste realidade. Não tenho dúvida de que haja ainda muita corrupção no Governo, mas o que me preocupa é que os que vão à tribuna e alimentam a mídia de denúncias são os mesmos que se locupletaram durante décadas e, agora, apresentam-se como vestais da moralidade, incitando os mais incautos que, por desconhecerem a história do Brasil, clamam pela volta desses “lobos vestidos em pele de cordeiro”. Precisamos, sim, exigir mais transparência, mais repeito à coisa pública, mas, acima de tudo, investimento em educação para formar novas gerações com capacidade de discernimento entre o falso e o verdadeiro, independentemente de quem aponta o dedo da censura e se esconde atrás de uma máscara, apostando na nossa histórica conduta de esquecimento. Cobremos, mas lembremos que o crescimento de uma nação depende da conduta de cada cidadão. Não podemos ter o tipo de comportamento que Sartre, irônicamente, alertava, quando disse: “O inferno são os outros”.