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Escrito por • 19/09/2012

reescrevendo humanos em software: episódio #1

tudo é software. parece um mantra, mas é apenas uma verdade cada vez mais objetiva, em todo lugar que a gente vá, em toda coisa que se usa, em todas as funções econômicas e sociais. não é algo aparente para uma vasta maioria das pessoas, ainda, mas é cada vez menos provável que alguém consiga passar um dia inteiro sem usar –ou estar inserido no contexto de- software, pelo menos em situações urbanas, nos países onde houver um mínimo de infraestrutura.

exemplo? imagine-se indo a um prédio de escritórios. em quase todos eles, a portaria foi informatizada. em muitas delas, o processo de recepção é mais ou menos o seguinte: 1. vão capturar informação sua para um cadastro, incluindo uma foto; 2. vão perguntar pra onde você vai e só vão lhe autorizar a ir até lá; como? 3. a catraca de acesso ao prédio lê seu crachá e indica, num visor, qual elevador você deve tomar; 4. o elevador não tem controles, apenas um display que indica onde está no momento; 5. o elevador lhe deixa no andar autorizado, como se tudo fosse mágica. aliás, qualquer tecnologia suficientemente complexa [e que a gente não entende…] é indistinguível de mágica.

no parágrafo acima, você entrou num prédio de escritórios e uma representação sua “entrou” no sistema de informação da portaria. a informatização do prédio, na verdade, “cria” representações [abstratas] do prédio [concreto], cujo propósito é controlar, do mundo virtual onde estão os sistemas de informação, o que acontece no concreto, cá embaixo, onde estamos subindo e descendo no elevador.

quer testar [o sistema de informação d]a segurança do prédio? vá até o andar para o qual você está autorizado, ache a escada de incêndio e, por ela, se dirija a outro andar… para o qual, obviamente, você não tem licença para ir. se [e um grande se, no brasil, sempre …] o sistema [agora, um grande sistema que inclui hardware, software e pessoas] funcionar, o alarme da porta deverá chamar a atenção de um humano para uma câmera de segurança, este acionará um guarda [armado, talvez] que sairá atrás de você, que fugiu dos limites impostos pelo sistema, criando uma exceção que deve ser tratada de pronto. quanto mais rigorosas forem as regras do ambiente de que estamos falando, mas radical será a resposta do sistema como um todo, incluindo a dos agentes humanos dentro dele.

o blog não recomenda que você saia por aí testando o funcionamento [ou não] de sistemas como este, especialmente em ambientes onde você não detém o controle absoluto da situação. pode ser perigoso e envolver riscos à vida.

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estamos usando software para construir sistemas que simulam, no universo abstrato da computação, comunicação e controle, o ambiente concreto de nossas ações do dia-a-dia, até nos casos simples como visitar um prédio. tais simulações estão passando a condicionar, cada vez mais, a realidade, em quase todos os campos de atividade humana, determinando o que se pode ou não fazer em cada contexto, o tempo todo, em quase todo lugar.

olhando pra imagem acima, a base de tudo são linguagens de programação, usadas para escrever um tipo peculiar de texto, chamado programa; programas são textos que representam algoritmos [sequências finitas de instruções bem definidas…] e que são abstrações executáveis: ao realizar as operações indicadas pelo programa, a “máquina” [um computador digital, quase sempre], “cria” mundos virtuais. lá no começo do texto, o programa que informatiza a portaria virtualiza uma porção do do prédio e do que nele acontece, fazendo com que, para um número de ações, só o que existe e pode acontecer no “mundo virtual” criado pelo software pode, de verdade, acontecer no prédio. claro que há o jeitinho brasileiro em ação, em todo canto, mas isso é outra história.

o que nos interessa, pra fechar este episódio, é que sistemas de informação são simulações de mundos… e que estes simulacros estão, cada vez mais [em quantidade, intensidade, qualidade, grau de controle da situação…] presentes em todos os aspectos de nossas funções e interações pessoais, econômicas e sociais. sim… mas o que é mesmo que isso tem a ver com reescrever pessoas em software? bem, isso é coisa para os próximos capítulos da série… espere e verá.

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