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Escrito por • 05/06/2010

sempre conectado, vai ser difícil não trabalhar o tempo todo…

vez por outra me perguntam quanto tempo eu “passo na internet”. no começo, há uns quinze anos, a pergunta ainda fazia sentido; afinal de contas, em 1995 eu só tinha internet, e daquelas muito lentas, na minha sala no CIN/UFPE. para a vasta maioria da população, internet era mais uma curiosidade. pra mim, era trabalho e, como o trabalho não ia para casa, pois as máquinas do trabalho –e mesmo a parca conexão de lá- eram inviáveis em casa [nem pensar no celular, então]… imagequando eu queria entrar na internet o jeito era ir para o local de trabalho. e cansei de passar sábados, domingos e noites muitas na internet, “lá no trabalho”.

foram bons tempos, aqueles; mas saudade zero, deles. como diz piero tonin no cartoon ao lado, o inferno foi tão bem pensado e construído que a internet, lá, é garantidamente lenta. além de, claro, só existir no local de trabalho…

a última das perguntas de gabriel dudziak, também o fim da nossa série de textos [depois de um, dois, tres, quatro, cinco conversas resultantes da mesma entrevista], é a versão contemporânea da pergunta original sobre o tempo que passamos na rede: Como você vê o fato de hoje termos que ficar conectados e informados praticamente 24 horas por dia?  A tecnologia que era para ajudar o ser humano a se libertar de afazeres e serviços repetitivos está aprisionando-o?

minha resposta é…

Só fazemos mais do que fazíamos antes (os que fazem, e não são todos) porque queremos fazer mais. Somos agentes livres, dentro de um ambiente em que cooperamos e competimos para sobreviver.

Este "sobreviver" é que dá o nome ao problema; muitas vezes queremos "sobreviver" num apartamento maior, com um carro melhor, viajando mais, para lugares mais caros, tomando vinhos cada vez mais sofisticados, e nunca nos perguntamos se o esforço que realizamos para tal vale a pena. Perdemos um pouco, ou quem sabe, muito, do nosso ser para o ter, que na maioria das vezes nem nosso é, é das comunidades de que fazemos parte.

Como a rede deslocaliza e dessincroniza as ferramentas e meios de trabalho, numa sociedade em que quase todos somos criadores e manipuladores de informação, a oportunidade de "fazer mais" está sempre ao nosso lado. E vai estar cada vez mais, à medida que nosso padrão de conectividade se torne móvel, de boa qualidade e baixo custo, nesta década.

Vai ser difícil não trabalhar o tempo todo. Os que conseguirem ter tempo para outras coisas, desligados de suas conexões, talvez aproveitem uma outra vida, assim, "meio desligada".

Não significa que viverão menos, mais, ou melhor. Pouco importa; no fundo, somos e seremos todos diferentes e é isso que queremos: o direito, para todo o sempre, de sê-lo.

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0 Responses to sempre conectado, vai ser difícil não trabalhar o tempo todo…

  1. David Cadeira disse:

    Entrevista Silvio Meira parte1- Infobrasil 2010.
    http://www.youtube.com/watch?v=qf6GcB9vLmk

  2. David Cadeira disse:

    Entrevista Silvio Meira parte1- Infobrasil 2010.
    http://www.youtube.com/watch?v=qf6GcB9vLmk

  3. Anselmo Lacerda disse:

    Estamos conectados sempre, isso é inevitável por que precisamos, necessitamos e também somos “obrigados”, entre as aspas de certa maneira. Já aconteceram situações em que falta de comunicação, ou simples leitura de email causos problemas quando relatado pela charge acima, além disso, parece que quando vc não abre sua caixa de email é o dia em que mais emails importantes são enviados e que precisam de feedback imediato. Então, como vc mesmo diz no texto, o celular é uma extensão dessa rede que você leva para todos os locais.

    Até ponto vamos aguardar essa grande quantidade de informações que somos bombardeados todos os dias, o que realmente é aproveitado, o que devo ler no meu dia a dia que seja importante e útil para a vida acadêmica e para manter informado sobre o mercado.

  4. Anselmo Lacerda disse:

    Estamos conectados sempre, isso é inevitável por que precisamos, necessitamos e também somos “obrigados”, entre as aspas de certa maneira. Já aconteceram situações em que falta de comunicação, ou simples leitura de email causos problemas quando relatado pela charge acima, além disso, parece que quando vc não abre sua caixa de email é o dia em que mais emails importantes são enviados e que precisam de feedback imediato. Então, como vc mesmo diz no texto, o celular é uma extensão dessa rede que você leva para todos os locais.

    Até ponto vamos aguardar essa grande quantidade de informações que somos bombardeados todos os dias, o que realmente é aproveitado, o que devo ler no meu dia a dia que seja importante e útil para a vida acadêmica e para manter informado sobre o mercado.

  5. Fábio Mendes disse:

    “….. o que realmente é aproveitado, o que devo ler no meu dia a dia que seja importante e útil para a vida acadêmica e para manter informado sobre o mercado.”
    esse trecho do comentário do Anselmo Lacerda é bem interessante, acho que o caminho é: temos hoje a internet cada vez mais próxima, agora vamos aprimorar as suas funções e otimizar os benefícios, cada vez mais as recompensas serão questionadas em detrimento do tempo que dispormos para a rede.
    Parabéns Silvio pela matéria e Anselmo pelo comentário.

  6. Fábio Mendes disse:

    “….. o que realmente é aproveitado, o que devo ler no meu dia a dia que seja importante e útil para a vida acadêmica e para manter informado sobre o mercado.”
    esse trecho do comentário do Anselmo Lacerda é bem interessante, acho que o caminho é: temos hoje a internet cada vez mais próxima, agora vamos aprimorar as suas funções e otimizar os benefícios, cada vez mais as recompensas serão questionadas em detrimento do tempo que dispormos para a rede.
    Parabéns Silvio pela matéria e Anselmo pelo comentário.

  7. Luiz Gustavo disse:

    Muito boa noite a todos e, especialmente a Silvio. Acredito naquela ideia da morte dos centros e de que teremos, cada vez mais, de construir espaços de produção de sentido e até de lazer em nosso ambiente de trabalho. Da mesma forma, ficará impossível não aproveitarmos os momentos que se querem de “lazer” para fortalecer nossa presença nas redes, que é uma forma de existir atualmente.
    Parece-me que cada vez menos podemos ser/existir contando com o tempo da nostalgia, que talvez seja o grande legado dos portugueses e da lusofonia e que nos faz imaginar e viver o ‘hoje’ como o tempo da perda, da incompletude, da saudade.
    De fato as coisas não mudaram tanto assim. Tento seguir o exemplo do meu pai, que mesmo pouco conectado com as redes sociais e trabalhando mais em sua empresa do que em casa, sempre me passou a ideia do trabalho como um momento de encontro, de produção pessoal e, porque nnão, de prazer?!
    Abraços!

  8. Luiz Gustavo disse:

    Muito boa noite a todos e, especialmente a Silvio. Acredito naquela ideia da morte dos centros e de que teremos, cada vez mais, de construir espaços de produção de sentido e até de lazer em nosso ambiente de trabalho. Da mesma forma, ficará impossível não aproveitarmos os momentos que se querem de “lazer” para fortalecer nossa presença nas redes, que é uma forma de existir atualmente.
    Parece-me que cada vez menos podemos ser/existir contando com o tempo da nostalgia, que talvez seja o grande legado dos portugueses e da lusofonia e que nos faz imaginar e viver o ‘hoje’ como o tempo da perda, da incompletude, da saudade.
    De fato as coisas não mudaram tanto assim. Tento seguir o exemplo do meu pai, que mesmo pouco conectado com as redes sociais e trabalhando mais em sua empresa do que em casa, sempre me passou a ideia do trabalho como um momento de encontro, de produção pessoal e, porque nnão, de prazer?!
    Abraços!

  9. Abimael disse:

    Trabalho , trabalho , trabalho ..
    Compreendo que muitas vezes será proveitoso, mas onde estão as previsões de que o homem moderno trabalharia menos e produziria mais ? Onde está o tal “ócio-produtivo” (não me lembro quem cunhou este termo ) .
    Analisando friamente, passamos mais tempo conectados não nas redes sociais ou trocando emails “bobinhos” com amigos ou twitando coisas bobas e simples.. mas estamos cada vez mais ficando escravos.. Talvez escravos de nós mesmos como disse o Sílvio Meira, mas talvez escravos de situações (ou chefes , ou fundos pensão que são acionistas majoritários ) que nos dão (ou exigem que compremos) um super celular que nos deixa conectados 24 horas por dia, exigindo , exigindo , exigindo.. E depois de muita exigência, talvez porque as ações não subiram tanto e os dividendos foram pequenos, simplesmente somos dispensados. E então pensamos “é a lei do mercado e isto faz parte” . Faz parte do que? De uma exigência cada vez maior as custas de estarmos conectados porque cortes de orçamento são feitos (para garantir contabilmente maiores lucros) e pessoas são dispensadas e onde 3 trabalhavam, agora trabalha só um.
    Infelizmente o que vejo é o que sempre existiu na humanidade : ganância. Agora ela vem apenas disfarçada .
    Abraços

  10. Abimael disse:

    Trabalho , trabalho , trabalho ..
    Compreendo que muitas vezes será proveitoso, mas onde estão as previsões de que o homem moderno trabalharia menos e produziria mais ? Onde está o tal “ócio-produtivo” (não me lembro quem cunhou este termo ) .
    Analisando friamente, passamos mais tempo conectados não nas redes sociais ou trocando emails “bobinhos” com amigos ou twitando coisas bobas e simples.. mas estamos cada vez mais ficando escravos.. Talvez escravos de nós mesmos como disse o Sílvio Meira, mas talvez escravos de situações (ou chefes , ou fundos pensão que são acionistas majoritários ) que nos dão (ou exigem que compremos) um super celular que nos deixa conectados 24 horas por dia, exigindo , exigindo , exigindo.. E depois de muita exigência, talvez porque as ações não subiram tanto e os dividendos foram pequenos, simplesmente somos dispensados. E então pensamos “é a lei do mercado e isto faz parte” . Faz parte do que? De uma exigência cada vez maior as custas de estarmos conectados porque cortes de orçamento são feitos (para garantir contabilmente maiores lucros) e pessoas são dispensadas e onde 3 trabalhavam, agora trabalha só um.
    Infelizmente o que vejo é o que sempre existiu na humanidade : ganância. Agora ela vem apenas disfarçada .
    Abraços

  11. quer dizer que ficar conectado é trabalhar o tempo todo???
    ficar conectado para mim é conhecer, aprender o tempo todo!!

  12. quer dizer que ficar conectado é trabalhar o tempo todo???
    ficar conectado para mim é conhecer, aprender o tempo todo!!