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Escrito por • 29/07/2013

somos todos criativos? sim.

Todos mesmo. e se pode treinar muita gente pra atingir o que, aos olhos de não especialistas, é trabalho de grande mestre. é isso que dafen, a vila dos pintores perto de shenzen, na china, faz. o lugar é uma combinação centro de pintura, exposição e negociação de obras de arte de classe mundial. a combinação, se você quiser, e parte das obras de arte, se você não ligar muito pra detalhes.

mas… olhe a imagem abaixo.

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no ateliê da jovem artista, há dois girassóis de van gogh. não se assuste. na cidade toda há dezenas de milhares, e a qualquer hora que você passar por lá. olha um no chão aí na imagem a seguir… no meio da rua.

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tudo bem que até van gogh copiou ele mesmo e os quadros nas duas fotos não são os primeiros, nem são cópias tão ruins assim. o único girassol vendido em tempos recentes foi em 1987, pelo que hoje seriam mais de R$180 milhões [e se parece com o da primeira foto]. os girassóis “da segunda foto” estão na neue pinakothek, em munique, e a história dos de van gogh está neste link. ah, sim, um girassol de van gogh básico custa cerca de R$80 em dafen e um de qualidade comparável aos que estão nos museus sai por umas 10 vezes mais. 800 pila por um van gogh… de museu? redes de hotéis, empresas, galerias… encomendam às dezenas. o wal mart, às dezenas de milhares. quase 3/4 da produção é exportada.

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certo. e isso mostra o que? mostra que a china conseguiu resolver o problema de copiar obras de arte –e grandes mestres- com algum nível de fidelidade e a preços de wal-mart. em dafen, 5.000 artesãos fazem cerca de 5 milhões de pinturas por ano, o que dá 1000 quadros por pintor por ano, quase 3 por dia. vida de artista, na china,  não é  moleza. e isso atrai muita gente, pois vocação e treinamento podem lhe conseguir um emprego e renda muito melhor do que montador de iPhone na foxConn, onde a vida é decididamente muito mais dura. abaixo, uma competição de cópia para ser avaliada em fidelidade e tempo de execução, pra escolher alunos para treinamento avançado e, quando for o caso, contratar pintores.

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você, amante da arte, está escandalizado com tal cenário? então prepare-se para a próxima rodada: breve, vai dar pra fazer a mesma coisa, com o mesmo efeito, sem qualquer humano no processo. na universidade de konstanz, pesquisadores estão trabalhando em um robô capaz de fazer o que os pintores de dafen fazem: analisar em grande detalhe uma imagem a ser copiada e fazer uma cópia quase tão perfeita quanto o original. o sistema ainda está nas primeiras versões, é baseado num braço de solda de uma linha de montagem… mas tem muito software e muita criatividade por trás, lá com a galera que está desenhando o sistema e desenvolvendo código.

claro que o propósito [ainda?] não é concorrer com dafen, mas tentar entender a pintura de forma computacional: a tese é que pintura é um processo de otimização no qual cor é distribuída sobre tela até que o pintor possa reconhecer o conteúdo [como o que queria “pintar”]. o sistema é simples e mostrado na imagem a seguir.

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e olha o que ele já faz, imitando rembrandt… daqui a quanto tempo você acha que  eDavid [o nome do robô pintor; veja o projeto aqui] pintará  esta tela como rembrandt, e não para ser um pintor como rembrandt? se bem que… bem, deixa pra lá; o rembrandt original está aqui.

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pra terminar…. veja eDavid “pintando” no vídeo abaixo. imagine as possibilidades. talvez, volte para o título e pense em incluir robôs no “todos”, lá. pra refletir mais, passe por uma série deste blog [reescrevendo humanos em software] e pense se vamos reescrever tudo, até nossas próprias funções em software.

eu acho que vamos. e a série é sobre isso. melhor aprender a programar…

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