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Escrito por • 12/02/2009

suspeitos, acusados e condenados online

imageo departamento estadual de ordem política e social do estado de são saulo [deops] foi os olhos e ouvidos [e muito mais] do poder paulista entre 1924 e 1983, vigiando, reprimindo e perseguindo as pessoas e movimentos que “ameaçavam” a moral, os bons costumes e, de resto, o poder e seus donos. agora, os arquivos outrora secretos do deops, parte da história e da memória política do brasil, estão on-line. na imagem deste parágrafo, o “fichado” 61.391, monteiro lobato.

a riqueza de informação é impressionante e, ao mesmo tempo assutadora: segundo a professora maria luiza tucci carneiro“No momento em que o cidadão ficava sob suspeita, a polícia abria um prontuário e, após a detenção, produzia a ficha de qualificação, que trazia a fotografia de frente e de perfil… Além da fotografia policial e as fotos confiscadas, temos um amplo universo documental acumulado ao longo dos anos. Alguns cidadãos suspeitos chegaram a ter o cotidiano vigiado por 15 anos consecutivos”.

e isso sem celulares, câmeras digitais, cartões de crédito deixando rastro por todo canto e, óbvio, sem computadores ou internet.

a versão digitalizada e online dos arquivos do deops, como uma retrospectiva da atuação dos órgãos de repressão décadas atrás, vai ser essencial para o estudo do período e serve-nos de alerta para o futuro. não só porque os órgãos de “segurança” continuam muito vivos, sob outros nomes e disfarces, mas porque as possibilidades à sua disposição, em tempos de internet, são bem mais radicais do que em 1924.

veja esta notícia aqui: um número cada vez maior de estados americanos começa a disponibilizar, online, todo o seu registro criminal. isso significa que todos os cidadãos que tenham passado pela polícia, seja lá por qual razão, tem sua história “criminal” à disposição do grande público.

em novembro passado, os registros da flórida foram consultados quase 40.000 vezes, e a coisa está apenas começando. por um lado, trata-se de mais informação, anteriormente disponível apenas no sistema judiciário e prisional, a serviço da sociedade. por outro, pode-se condenar pessoas para sempre. se o propósito de um sistema penal é uma combinação de castigo [pelo crime cometido] e reeducação e recuperação [para uma nova vida lá fora], abrir para o mundo a informação de que alguém perdeu a carteira por dirigir bêbado pode por em risco, para sempre, as chances da pessoa conseguir um emprego

na flórida, em particular… "You get everything we have, except anything ordered sealed or expunged by a court: descriptive data of the person physically, everything about the charge and the arrest, regardless of whether it’s dismissed or the charges weren’t pursued, the court action, information on incarceration"… ou seja: basta ter sido acusado ou preso por engano para estar no registro online da flórida. parada dura.

e isso sem contar que pesquisas por nome podem levar a homônimos, que os sistemas [cada estado americano está montando um…] podem ser sabotados para incluir nomes de desafetos e por aí vai.

um número importante de teóricos e ativistas está propondo que uma das mais fundamentais características do ser humano [e da sociedade] a de esquecer, passe a fazer parte da legislação sobre os sistemas de informação que, cada vez mais, apóiam e dominam nossas vidas.

este blog discutiu o assunto neste post, onde se dizia que… os sistemas de informação devem, necessariamente, esquecer. acontece que as tecnologias para captura, publicação, armazenamento, replicação, busca e disseminação de informação, combinadas na rede nos últimos anos, criaram uma nova capacidade: a incapacidade de esquecer. nunca, em nenhuma época, ninguém teve tanta informação sobre tantas pessoas e seus hábitos como certas empresas estão começando a ter, na rede.

somem às empresas, agora, o estado publicando, cada vez mais, a vida de cada um. isso pode acabar mal…

[ps: mais de um comentarista notou que o texto menciona DEOPS ao invés de DOPS. para resolver tal dúvida a favor de DEOPS, como está no texto, sugiro clicar no primeiro link ou consultar, online, o texto dos professores maria lúcia tucci carneiro e boris kossoy "a imprensa confiscada pelo DEOPS, 1924-1954", disponível neste link.]

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0 Responses to suspeitos, acusados e condenados online

  1. Rodrigo disse:

    he he he he he he…..
    eu estou adorando tudo issu!!!!!!!

  2. Justiceiro disse:

    Essa lista daqui a algum tempo só vai ter politicos e favelados( po favor, eu sei que em favela a maioria é gente trabalhadora, estou me referindo a aquela minoria ) !!!! Morte a todos eles !!!!
    Prisão perpétua e pena de morte no Brasil Já !!!!

  3. LEONARDO disse:

    Estamos correndo mais um risco: o ter conteúdos direcionados a determinadas pessoas conforme seu perfil, a exemplo do que ocorre com as crianças, que são bombardiadas por propagandas de produtos nos intervalos dos programas infantis.
    Hoje, não sabemos nada da verdade: há pesquisas e estudos para todos os lados; não raro, ao lermos mais de 1 jornal, encontramos opiniões sobre o mesmo fato complementamente opostas…
    Pode ser que haja mais um ramo profissional: o certificador de veracidade da informação: CVI.

  4. De disse:

    Não seria D.O.P.S.??

    tsc tsc tsc

  5. Tacito disse:

    Isaac Asomiv já falava disso. Tanta informação controlada pelos sistemas digitais ainda vai acabar nos levando a um destino como em “Eu, Robô”. Tecnologia sem bom senso, sem dúvida e sem o esquecimento, poderão ser fatais, sim.

  6. Constantine disse:

    “Voilà! À vista, um humilde veterano vaudeviliano, apresentado vicariamente como ambos vítima e vilão pelas vicissitudes do Destino. Esta visagem, não mero verniz da vaidade, é ela vestígio da vox populi, agora vacante, vanescida, enquanto a voz vital da verossimilhança agora venera aquilo que uma vez vilificaram. Entretanto, esta valorosa visitação de uma antiga vexação, permanece vivificada, e há votado por vaporizar estes venais e virulentos verminados vanguardeiros vícios e favorecer a violentamente viciosa e voraciosa violação da volição. O único veredito é a vingança, uma vendeta, mantida votiva,não em vão, pelo valor e veracidade dos quais um dia deverão vindicar os vigilantes e os virtuosos. Verdadeiramente, esta vissiosidade de verbosidade vira mais verbose vis-a-vis uma introdução, então é minha boa honra conhecê-la e você pode me chamar de ….”

  7. Suselena disse:

    Acho isso um absurdo uma falta de ética pois se ja foram punidos o porque de reviver tudo de novo , sem contar o perigo de isso cair em mãos erradas, pessoas com interesses ocusos.
    Fica aqui o meu protesto quem gosta de passado é museu e mais quem revive o passado não pode nascer pro futuro.

  8. Ângelo R. Fernandes disse:

    O que se escreve sobre a época da ditadura e repreensão, geralmente é uma crítica ao sistema da época. Nunca ninguém disse ou falou sobre quem era realmente os “investigados”. Dá a impressão que eram todos homens bem intecionados que só queriam o bem para o Brasil. Dá a entender que ” eles” seriam a solução para os problemas da época. A pergunta é a seguinte: O que eles pregavam, defendiam e intencionavam. Com certeza esclarecer estes fatos seria até mesmo vergonhoso para os dias de hoje. Comunismo, Socialismo radical etc. etc.

  9. Luiz Tadeu disse:

    Nós votamos.Temos direito ao voto.Somos obrigados a votar.
    Incoerente.Os políticos estão aí.Temos direito ao voto.Somos obrigados a votar.
    Sem mais!

  10. Esse sistema deveria ser implantado no Brasil, relativamente aos sonegadores de impostos aos cofres da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

  11. Carlos de Santana disse:

    Peraí, Silvio.
    “esquecer”? Mas, quais seriam os critérios para “esquecer”? quem julgaria este esquecimento? Será que estas razões que vc coloca para o “esquecer” não seriam razões contraditórias ao “mantra do esclarecimento” que nós jornalistas, historiadores, sociólogos, formadores de opinião sempre dizemos – “o brasil é um país sem memória”?

    Carlos

  12. Quanto ao comentário do Angelo R. Fernandes, deve ser dito que os investigados não eram piores nem desejavam para o Brasil coisa pior que aqueles que tomaram o poder de assalto e implantaram a ditadura militar durante 20 anos!!!!!

  13. Volnei Paulo Lazzaretti disse:

    Deveriam fazer o mesmo com a corja de políticos. Ah, e não na net e sim na tv e em horário nobre
    Volnei Lazzaretti – Professor e Relações Públicas

  14. Volnei Paulo Lazzaretti disse:

    O correto é “D.O.P.S”!
    Volnei Lazzaretti

  15. Eduardo disse:

    Como diversos outros casos escrabosos que vemos por aí, isso me faz pensar se existe realmente algo que podemos chamar de humanidade. Para mim o ser-humano é vil e ainda não me convenceram do contrário. Uma pequenina parcela da população do planeta acredita em honestidade, bondade, fraternidade etc, mas é incapaz de se organizar ou se fazer presente. Em qq grupo sempre há aqueles que não dominam o seu lado negro e não resistem à possibilidade do poder. Tudo o que se prega de bom em praticamente todas as religiões não se aplica nem às próprias instituições que as pregam. Se realmente existe um propósito ou possibilidade do ser-humano se manter como espécie, estamos andando no sentido contrário … sem retrovisor.

  16. marcos disse:

    Se isso for implementado o sujeito vai pensar mil vezes antes de dirigir bêbado ou fazer outra besteira!