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Escrito por • 09/04/2009

TICs na crise: dá pra inovar? [3]

este é o terceiro artigo de uma série, neste blog, sobre as tecnologias de informação e comunicação [TICs] e a crise econômica, financeira, industrial e de credibilidade, mundial, que assola de forma cada vez mais intensa o brasil. no primeiro texto da série [TICs: a crise se instala] o ponto de partida era que…

a crise mundial chegou; segundo os analistas do gartner group, o mercado mundial de hardware deve diminuir em quase 15% no ano; o setor de serviços de TICs deve cair 1.7% e o mercado de software vai ficar estagnado, com um crescimento de 0.3%. dependendo da margem de erro da previsão, vai cair também. segundo o chefe de previsões globais do gartner group, a queda nos orçamentos de TICs nas empresas e o controle de gastos dos consumidores“vai resultar numa forte queda do mercado de TI neste ano, que vai ser pior do que a retração causada pelo estouro da bolha da internet em 2001".

o segundo texto [TICs em crise? software como serviço], como o próprio título diz, aponta para software como serviço como forma de atender, na prática, a um mantra –fazer mais com menos– que os diretores financeiros começam a impor aos CIOs, os chief information officers, a galera que, em última análise, é responsável por informação e seu processamento nas empresas:

se você e sua empresa não migraram para SaaS na última crise, esta crise é a hora de mudar de lado. um grande número de empresas já provê suas soluções, na rede, como serviço. e a rede está ficando mais rápida, mais resiliente e tem, a cada dia, um melhor custo/benefício. daí, um número cada vez maior dos serviços que precisamos prover para nosso público interno, clientes, usuários e parceiros está lá, prontinho, na rede.

ontem, em recife, participei de um fórum de perspectivas para CIOs, promovido pelo IDG; as palavras-chave da agenda do evento dizem tudo sobre nosso tempo: crise, riscos, desafios, transformação, oportunidades, inovação, evolução…

minha contribuição ao debate tinha a ver com inovação, TICs e crise. o ponto de partida era a pergunta, singela… é possível inovar em tempos de crise? a resposta, imediata, é que em tempos de crise é preciso inovar e quem não inova não sobrevive. em TICs e em qualquer outra coisa. porque?

image primeiro, o cenário –digamos assim, mais amplo: todo mundo está competindo numa economia exponencial, onde todo negócio é de software e em rede. exponencial por que?… porque o preço da mesma capacidade de tecnologias de informação cai cerca de 50% por ano.

isso não quer dizer, claro, que eu e você [e as empresas] estejamos pagando cada vez menos pelo hardware e software que usamos: significa que estamos comprando cada vez mais hardware e software pelo mesmo preço. se você, todo ano, dobrar o valor de alguma coisa, o comportamento da coisa parece com o gráfico da figura, uma exponencial. e exponenciais, num mercado qualquer, sejam de oferta, demanda, capacidade, custos ou preços, resultam na transformação radical de todos os negócios. no nosso caso, significa que os negócios, por causa da queda dos custos, estão se transformando em software e rede.

o que quer dizer, em última análise, que seu [e meu] negócio, sejam lá do que forem, são parte de uma economia exponencial; se a gente errar no uso de algum meio ou forma de TICs, é melhor passar pra próxima geração, pois não teremos tempo de “ir atrás”. se TICs [e as empresas para as quais servem de infraestrutura] fossem uma ecologia, estaríamos falando de um sistema em que o tempo passa muito rápido e onde, ao mesmo tempo, a frequência de queda de grandes meteoros é muito alta. resultado? todo mundo, o tempo todo, é um dinossauro em potencial… de outro ponto de vista… estamos sempre em crise. e isso pode ser um problema ou oportunidade. e quase sempre é alguma combinação dos dois.

em tempos de crise, três fatores adicionais de seleção natural [de empresas e de TICs] entram em ação: 1] nas crises, há muito mais pressão e incentivos para assumir riscos, porque as práticas estabelecidas não dão o resultado esperado; 2] sob pressão, numa ecologia qualquer, a lei de darwin [que aponta para a sobrevivência dos mais aptos] é ainda mais relevante e 3] sob pressão, na crise, investimento é muito mais importante do que crédito porque, nas crises, o crédito para manter o passado é sempre muito mais caro do que o investimento para criar o futuro…

resultado? toda crise é tempo de procurar, em TICs e no resto do seu negócio, oportunidades para evoluir, para inovar. evolução -e inovação- é transformação, permanente e para continuar competitivo, frente a um contexto que pode estar mudando muito rapidamente, e onde, muito antes do que você espera, competidores podem aparecer com novas tecnologias e modelos de negócio que podem destruir o seu. simples assim. nunca tão fácil de fazer quanto falar, mas simples assim.

meus slides de ontem estão aqui, é só clicar pra pegar. domingo, depois do feriado em maragogi [onde?] vai aparecer, aqui, mais um capítulo desta série. até lá.

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0 Responses to TICs na crise: dá pra inovar? [3]

  1. Eduardo disse:

    É fato que em tempos de crise a palavra é inovar, aqueles que entram num crise de braços cruzados esperando uma boa ação do governo, geralmente saem da crise mais abatidos do que estariam se tivessem pelo menos tentado.

    Mas o que significa inovar? para algumas pessoas (muitas pessoas), inovar significa criar alguma novidade. poucos são os que entendem que inovar é encontrar um novo caminho mudar o contexto, e principalmente poucos são aqueles que entendem que a crise permite encontrar novos caminhos de forma mais fácil.

    e o que é que tem haver o setor de TI em todo esse discurso?
    antes de falar sobre TI precisamos primeiramente entender qual o sentido da TI. Para aqueles que são de TI, isso significa algo indispensável para a sobrevivência de qualquer empresa, pois permite agir de forma mais rápida e desenvolver seu planejamento. Para o pessoal que não é de TI, ela é algo superfulo, um banco de dados. Para que seja possível constatar isso, procure pelas ruas aquelas empresas que preferem divulgar a imagem da sua empresa em outdoors e em panfletos ao invés de utilizar a internet para este fim, ou quantas grandes empresas possuem um relacionamento com a internet que ultrapassem as paginas estáticas.

    O setor de TI é geralmente mais propício a fazer inovação, pois inovação sempre teve uma relação intima com a trajetória da TI. E embora ainda seja bastante subestimada por muitos, ela tem se desenvolvido de forma memorável dinate de tanta crise.

    Então para aqueles que são de TI vai um recado, não seja aquele indivíduo que ao ouvir falar de crise encosta na cadeira, cruza os braços, e diz “vamos demitir”, seja aquele que enclinado-se encosta na mesa com um belo sorriso no rosto e diz “vamos trabalhar”. Apenas aquele que arregaçam as mangas são capazes de procurar e encontar novos caminhos, e não simplesmente esperar pelo governo ou que as coisas melhorem. É exatamente o comportamento no momento da crise que nos mostra aqueles que são vencedores e aqueles que são os iguais. Estude o comportamento do mercado que você quer atingir, veja exatamente aquilo que ele precisa, e o ofereça de uma forma irresistível, mude o contexto dos negócios, e não simplesmente crie uma novidade, pois as novidades nunca serão de fato inovações.

  2. Eduardo disse:

    É fato que em tempos de crise a palavra é inovar, aqueles que entram num crise de braços cruzados esperando uma boa ação do governo, geralmente saem da crise mais abatidos do que estariam se tivessem pelo menos tentado.

    Mas o que significa inovar? para algumas pessoas (muitas pessoas), inovar significa criar alguma novidade. poucos são os que entendem que inovar é encontrar um novo caminho mudar o contexto, e principalmente poucos são aqueles que entendem que a crise permite encontrar novos caminhos de forma mais fácil.

    e o que é que tem haver o setor de TI em todo esse discurso?
    antes de falar sobre TI precisamos primeiramente entender qual o sentido da TI. Para aqueles que são de TI, isso significa algo indispensável para a sobrevivência de qualquer empresa, pois permite agir de forma mais rápida e desenvolver seu planejamento. Para o pessoal que não é de TI, ela é algo superfulo, um banco de dados. Para que seja possível constatar isso, procure pelas ruas aquelas empresas que preferem divulgar a imagem da sua empresa em outdoors e em panfletos ao invés de utilizar a internet para este fim, ou quantas grandes empresas possuem um relacionamento com a internet que ultrapassem as paginas estáticas.

    O setor de TI é geralmente mais propício a fazer inovação, pois inovação sempre teve uma relação intima com a trajetória da TI. E embora ainda seja bastante subestimada por muitos, ela tem se desenvolvido de forma memorável dinate de tanta crise.

    Então para aqueles que são de TI vai um recado, não seja aquele indivíduo que ao ouvir falar de crise encosta na cadeira, cruza os braços, e diz “vamos demitir”, seja aquele que enclinado-se encosta na mesa com um belo sorriso no rosto e diz “vamos trabalhar”. Apenas aquele que arregaçam as mangas são capazes de procurar e encontar novos caminhos, e não simplesmente esperar pelo governo ou que as coisas melhorem. É exatamente o comportamento no momento da crise que nos mostra aqueles que são vencedores e aqueles que são os iguais. Estude o comportamento do mercado que você quer atingir, veja exatamente aquilo que ele precisa, e o ofereça de uma forma irresistível, mude o contexto dos negócios, e não simplesmente crie uma novidade, pois as novidades nunca serão de fato inovações.

  3. Junior Mesquita disse:

    Gostei muito de sua apresentação para o CIO, estarei lá para compreender melhor suas idéias.

    Abraço

    Júnior Mesquita.

  4. Junior Mesquita disse:

    Gostei muito de sua apresentação para o CIO, estarei lá para compreender melhor suas idéias.

    Abraço

    Júnior Mesquita.

  5. O Paul Graham observou muito bem que foi exatamente em uma crise do tamanho da atual (lá pela década de 70) é que surgiram empresas como a Microsoft e a Apple.
    Se a gente tira o fator psicológico que uma crise causa, ela deveria ser vista como oportunidade, como combustível para inovação. O fato de existir esse fator psicológico afetando os concorrentes é outro bom motivo para inovar, e sair da crise na frente dos outros.

  6. O Paul Graham observou muito bem que foi exatamente em uma crise do tamanho da atual (lá pela década de 70) é que surgiram empresas como a Microsoft e a Apple.
    Se a gente tira o fator psicológico que uma crise causa, ela deveria ser vista como oportunidade, como combustível para inovação. O fato de existir esse fator psicológico afetando os concorrentes é outro bom motivo para inovar, e sair da crise na frente dos outros.