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Escrito por • 18/03/2011

um bloguinho, um milhão?

parte da blogosfera e das redes sociais brasileiras despertou, dia destes, com a revelação de que uma das grandes divas da canção nacional iria "receber" mais de um milhão de reais para… botar um blog no ar.

para muitos deve ser assustador, considerando que qualquer um tem à disposição, e gratuitamente, dezenas de ferramentas e ambientes de criação e publicação na web. ainda mais porque destes ambientes e da inspiração e dedicação de indivíduos em todas as partes do mundo têm surgido grandes sucessos da web, vez por outra transportados para a mídia de massa. como foi o caso, no carnaval, de "vou não, posso não…" e de outras pérolas da cultura nacional e mundial.

aqui neste TERRA, o diretor do projeto do "blog" atacou o "patrulhamento idiota" que vem sofrendo, o que não abateu o fervor da discussão, até porque o projeto, apesar de privado, será realizado com recursos de isenção de impostos. e é aí onde está o problema, para o projeto, seus proponentes e a vida brasileira.

fosse o nosso um país mais simples, haveria uma regra qualquer no sistema de imposto de renda dizendo que qualquer cidadão ou negócio pode investir uma parcela de seus impostos a pagar em atividades e bens culturais que beneficiem a cidadania como um todo. aí, o cidadão poderia comprar telas, montar um museu particular… desde que tal instituição fosse aberta ao público, gratuitamente, um número de dias por ano. simples assim. e é assim que funciona em muitas partes do mundo civilizado.

e eu e o leitor, em conjunto com outras 1.700 pessoas, poderíamos doar, cada um, R$1.000 de nossos impostos a pagar [desde que dentro das tais regras simples de um "novo" imposto de renda…] para cobrir o orçamento original do projeto de um "blog" cultural, fosse o que está sendo discutido esta semana u qualquer outro. isso seria um problema de nossa economia privada, eu e mais 1.699 pessoas, fãs da cantora, do cantor, poeta, pintor ou o que fosse. e o assunto estaria encerrado aí.

ou quase: o trabalho teria que ser feito, os recursos teriam que ser aplicados nele e, alguma hora, algum tipo de processo de auditoria de investimentos oriundos de renúncias fiscais iria conferir se os fundos não teriam desaparecido pelo ralo. assim é que a coisa toda deveria funcionar.

mas não, aqui é o brasil e o estado… uma babá, cuidando para que só seja feito, pelas crianças traquinas que todos parecemos aos olhos da vasta, confusa, ineficaz e ineficiente burocracia estatal, o que "pode" ser feito, o que é autorizado pelos cartórios federais, estaduais e municipais. e, claro, pelos privados.

resultado? o "blog" teve que pedir autorização a um cartório federal, situado no minC, para captar os recursos. aí, lá no cartório do minC, se reúne uma comissão de sábios que decide não só que projetos podem ou não captar recursos mas quanto cada um pode, entrando no mérito de cada proposta, cortando aqui, modificando ali, literalmente tutelando a iniciativa de cada proponente, cerceando sua criatividade, limitando a inovação em potencial e por aí vai. e este não é só o caso do cartório do minC; são milhares de cartórios controlando a vida nacional em todos os níveis.

aí é onde o país está de cabeça pra baixo. o problema não é o "blog". o problema, gigantesco e histórico, é o sistema, é a tutela da vida nacional, das relações privadas, das trabalhistas até culturais, que estamos nos impondo há séculos. e que, quando discutimos como agora, apontamos todos os dedos para o "blog". e as pessoas do "blog" reagem, com muitos argumentos de qualidade, inclusive… mas nenhum deles apontando para a insanidade do sistema que nos cerca, no qual estamos imersos.

ou mudamos o sistema, simplificando-o imensamente, dando mais largura de banda para pessoas e instituições atuarem, ou seremos sempre um país travado, confuso, e burro. porque todo sistema de muitas e conflitantes regras leva necessariamente a um emburrecimento de todos os agentes privados e da sociedade como um todo. quanto mais específica e minutária é a intromissão do estado na vida das pessoas, menos somos nós mesmos, mais somos uma massa homogênea sob um controle central.

isso sem falar que quanto mais difícil se torna cumprir todas as regras, por causa da inerente complexidade de sistemas que têm muitas delas, maior o potencial de corrupção, ética, moral e concreta, na bolsa e no bolso, porque sempre haverá, em tais sistemas, um grande mercado de criação de dificuldades para se vender facilidades.

resultado? o problema não é um "blog" que obtém uma licença para captar um financiamento milionário. o problema é o sistema como um todo, burro como ele só. e é ao sistema, muito mais que ao "blog", que todos nós deveríamos estar dirigindo nossas críticas e exigindo mudanças.

porque enquanto o sistema for como é… vai continuar sendo absolutamente legal se pedir uma licença para captar fundos milionários para o que quer que pareça cultural. mas no brasil, na vasta maioria dos casos, preferimos criticar a conjuntura ao invés de combater a estrutura. será que não está na hora de mudarmos a forma de lidar com este tipo de problema?…

pra terminar… no caso de um projeto como este, com os propósitos, pessoas e competências envolvidas, com as redes [sociais e muito mais] de que participam, como agentes de primeira linha… eu aposto que, mesmo sem qualquer isenção, se houvesse um "livro de ouro" [como o que sustentava o taperoá F. C. na década de 50] para ser assinado a mil reais por linha, com direito a créditos e agradecimentos no "blog"… os 1.700 mecenas-fãs apareceriam em menos de 72 horas. ou não?…

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36 Responses to um bloguinho, um milhão?

  1. Este assunto me faz lembrar do Museu do Computador, uma iniciativa de de São Paulo, que vive mendigando recursos para sobreviver. É um projeto que beneficia a cidadania como um todo.

    Será que é culpa do curador, que não sabe ser lobista num país de interesses?

    Abraço de seu sempre aprendiz!
    Marco Andrei

  2. Este assunto me faz lembrar do Museu do Computador, uma iniciativa de de São Paulo, que vive mendigando recursos para sobreviver. É um projeto que beneficia a cidadania como um todo.

    Será que é culpa do curador, que não sabe ser lobista num país de interesses?

    Abraço de seu sempre aprendiz!
    Marco Andrei

  3. Este assunto me faz lembrar do Museu do Computador, uma iniciativa de de São Paulo, que vive mendigando recursos para sobreviver. É um projeto que beneficia a cidadania como um todo.

    Será que é culpa do curador, que não sabe ser lobista num país de interesses?

    Abraço de seu sempre aprendiz!
    Marco Andrei

  4. Fabricio disse:

    Lúcido.
    O problema da proposta final, um livro de ouro, é se os fãs seriam fãs o suficiente para doar grana de seu bolso para uma projeto (me refiro ao escrito, aquele aprovado pelos sábios) que teve trechos copiados da wikipedia, justifica-se a si mesmo como o enchedor de poesia da internet e que, do valor total do projeto, destine quase 50% do valor só para a artista (que é uma das que mais fatura pelo ECAD).

    Seria Bethânia dizer: “vcs, meus 1000 fãs mais queridos, dêem-me uma grana para um projeto legal de blog, basta mil reais cada – embolso 500 e os outros 500 eu distribuo entre meus parceiros aqui e invisto no blog.”

  5. Fabricio disse:

    Lúcido.
    O problema da proposta final, um livro de ouro, é se os fãs seriam fãs o suficiente para doar grana de seu bolso para uma projeto (me refiro ao escrito, aquele aprovado pelos sábios) que teve trechos copiados da wikipedia, justifica-se a si mesmo como o enchedor de poesia da internet e que, do valor total do projeto, destine quase 50% do valor só para a artista (que é uma das que mais fatura pelo ECAD).

    Seria Bethânia dizer: “vcs, meus 1000 fãs mais queridos, dêem-me uma grana para um projeto legal de blog, basta mil reais cada – embolso 500 e os outros 500 eu distribuo entre meus parceiros aqui e invisto no blog.”

  6. Fabricio disse:

    Lúcido.
    O problema da proposta final, um livro de ouro, é se os fãs seriam fãs o suficiente para doar grana de seu bolso para uma projeto (me refiro ao escrito, aquele aprovado pelos sábios) que teve trechos copiados da wikipedia, justifica-se a si mesmo como o enchedor de poesia da internet e que, do valor total do projeto, destine quase 50% do valor só para a artista (que é uma das que mais fatura pelo ECAD).

    Seria Bethânia dizer: “vcs, meus 1000 fãs mais queridos, dêem-me uma grana para um projeto legal de blog, basta mil reais cada – embolso 500 e os outros 500 eu distribuo entre meus parceiros aqui e invisto no blog.”

  7. Victor disse:

    Falta uma informação crucial a respeito do projeto nesse post, e em quase todo lugar que o criticou.

    A Folha, primeira a noticiar o “BethâniaGate”, fragmentou a informação e nos trouxe a impressão de que era apenas um blog. Mas não é.

    É um projeto audiovisual com 365 vídeos da Maria Bethânia declamando poesia. Blog é apenas o meio de release deste material. E para fazer centenas de minutos de material, com uma boa equipe técnica, edição e o que for mais, implica em um custo alto.

    Só trazendo um pouco mais de contexto ao projeto da Bethânia mesmo, embora o post critique o mecanismo de incentivo como um todo.

    Sinceramente sou meio dividido nessa questão. Vejo abusos no uso da lei de incentivo, panelinhas em editais, projetos super comerciais se aproveitando da lei (como o Cirque du Soleil)…

    Mas também vejo projetos excelentes, sobretudo no cinema brasileiro, que jamais seriam realizados se não houvesse tal incentivo. Não falo de um ‘Bruna Surfistinha’, que usou a lei a propósito, mas é um projeto comercial e deveria se pagar sozinho. Falo do cinema identidade, de documentários seminais, de grandes trabalhos que não tem um apelo de mercado, mas que são importantes para o Brasil se conhecer melhor, e custam caro para fazer.

    Para mim, se a lei de incentivo está dentro, o conteúdo deveria ser lançado em uma licença que permitisse uma distribuição digital ampla do material. Uma contrapartida e tanto para separar os projetos que visam o lucro dos puramente culturais. Se for um filme (álbum, *) comercial, que seja aberta uma linha de financiamento do BNDES para ajudá-lo, não uma renúncia fiscal.

    • srlm disse:

      v, este texto não critica o projeto, mas o sistema e o processo nele embutido, que faz com que o estado TUTELE o que os indivíduos e instituições devem ou não fazer. temos que mudar o SISTEMA.

      se fizermos isso e um banco, por exemplo, resolver botar vários milhões em projetos como este… ótimo. danado é e o estado cartorializar, decidir, supervisisionar toda e qualquer atividade da vida brasileira, como se fôssemos, todos, incapazes…

  8. Victor disse:

    Falta uma informação crucial a respeito do projeto nesse post, e em quase todo lugar que o criticou.

    A Folha, primeira a noticiar o “BethâniaGate”, fragmentou a informação e nos trouxe a impressão de que era apenas um blog. Mas não é.

    É um projeto audiovisual com 365 vídeos da Maria Bethânia declamando poesia. Blog é apenas o meio de release deste material. E para fazer centenas de minutos de material, com uma boa equipe técnica, edição e o que for mais, implica em um custo alto.

    Só trazendo um pouco mais de contexto ao projeto da Bethânia mesmo, embora o post critique o mecanismo de incentivo como um todo.

    Sinceramente sou meio dividido nessa questão. Vejo abusos no uso da lei de incentivo, panelinhas em editais, projetos super comerciais se aproveitando da lei (como o Cirque du Soleil)…

    Mas também vejo projetos excelentes, sobretudo no cinema brasileiro, que jamais seriam realizados se não houvesse tal incentivo. Não falo de um ‘Bruna Surfistinha’, que usou a lei a propósito, mas é um projeto comercial e deveria se pagar sozinho. Falo do cinema identidade, de documentários seminais, de grandes trabalhos que não tem um apelo de mercado, mas que são importantes para o Brasil se conhecer melhor, e custam caro para fazer.

    Para mim, se a lei de incentivo está dentro, o conteúdo deveria ser lançado em uma licença que permitisse uma distribuição digital ampla do material. Uma contrapartida e tanto para separar os projetos que visam o lucro dos puramente culturais. Se for um filme (álbum, *) comercial, que seja aberta uma linha de financiamento do BNDES para ajudá-lo, não uma renúncia fiscal.

    • srlm disse:

      v, este texto não critica o projeto, mas o sistema e o processo nele embutido, que faz com que o estado TUTELE o que os indivíduos e instituições devem ou não fazer. temos que mudar o SISTEMA.

      se fizermos isso e um banco, por exemplo, resolver botar vários milhões em projetos como este… ótimo. danado é e o estado cartorializar, decidir, supervisisionar toda e qualquer atividade da vida brasileira, como se fôssemos, todos, incapazes…

  9. Victor disse:

    Falta uma informação crucial a respeito do projeto nesse post, e em quase todo lugar que o criticou.

    A Folha, primeira a noticiar o “BethâniaGate”, fragmentou a informação e nos trouxe a impressão de que era apenas um blog. Mas não é.

    É um projeto audiovisual com 365 vídeos da Maria Bethânia declamando poesia. Blog é apenas o meio de release deste material. E para fazer centenas de minutos de material, com uma boa equipe técnica, edição e o que for mais, implica em um custo alto.

    Só trazendo um pouco mais de contexto ao projeto da Bethânia mesmo, embora o post critique o mecanismo de incentivo como um todo.

    Sinceramente sou meio dividido nessa questão. Vejo abusos no uso da lei de incentivo, panelinhas em editais, projetos super comerciais se aproveitando da lei (como o Cirque du Soleil)…

    Mas também vejo projetos excelentes, sobretudo no cinema brasileiro, que jamais seriam realizados se não houvesse tal incentivo. Não falo de um ‘Bruna Surfistinha’, que usou a lei a propósito, mas é um projeto comercial e deveria se pagar sozinho. Falo do cinema identidade, de documentários seminais, de grandes trabalhos que não tem um apelo de mercado, mas que são importantes para o Brasil se conhecer melhor, e custam caro para fazer.

    Para mim, se a lei de incentivo está dentro, o conteúdo deveria ser lançado em uma licença que permitisse uma distribuição digital ampla do material. Uma contrapartida e tanto para separar os projetos que visam o lucro dos puramente culturais. Se for um filme (álbum, *) comercial, que seja aberta uma linha de financiamento do BNDES para ajudá-lo, não uma renúncia fiscal.

    • srlm disse:

      v, este texto não critica o projeto, mas o sistema e o processo nele embutido, que faz com que o estado TUTELE o que os indivíduos e instituições devem ou não fazer. temos que mudar o SISTEMA.

      se fizermos isso e um banco, por exemplo, resolver botar vários milhões em projetos como este… ótimo. danado é e o estado cartorializar, decidir, supervisisionar toda e qualquer atividade da vida brasileira, como se fôssemos, todos, incapazes…

  10. O nosso país sempre criou dificuldades para vender facilidades e isto já se transformou em uma espécie de segunda natureza no senso comum.

    Tecnocratas, burocratas e reativos de toda espécie dominam o poder desde sempre e isso tem que ACABAR. O que fazer? Acho que todos concordam: EDUCAÇÃO. Mas tem que ser uma EDUCAÇÃO DE VERDADE, que crie ADULTOS com SENSO CRÍTICO e não crianças, treinadas para decorar gabaritos criados pelo próprio sistema.

    No caso do ‘Blog da Bethânia’, o que não ‘soa’ bem é o fato dela ou dos seus agentes, se servirem do conhecimento dos ‘gabaritos do sistema’ para validar um benefício que teria que ser de fácil acesso à todos da sociedade. Vai tentar conseguir o mesmo benefício para ver o caminho das pedras que vão te colocar.

    Agindo dessa forma, o ‘blog da Bethânia’ que supostamente será criado para levar cultura “gratuíta” ao povo, cria um paradoxo, pois, em vez de lutar contra a ignorância, acaba alimentando um sistema EXTREMEMENTE BURRO e que só nos coloca no final da fila do desenvolvimento de verdade.

    http://www.scarpini.zip.net

  11. O nosso país sempre criou dificuldades para vender facilidades e isto já se transformou em uma espécie de segunda natureza no senso comum.

    Tecnocratas, burocratas e reativos de toda espécie dominam o poder desde sempre e isso tem que ACABAR. O que fazer? Acho que todos concordam: EDUCAÇÃO. Mas tem que ser uma EDUCAÇÃO DE VERDADE, que crie ADULTOS com SENSO CRÍTICO e não crianças, treinadas para decorar gabaritos criados pelo próprio sistema.

    No caso do ‘Blog da Bethânia’, o que não ‘soa’ bem é o fato dela ou dos seus agentes, se servirem do conhecimento dos ‘gabaritos do sistema’ para validar um benefício que teria que ser de fácil acesso à todos da sociedade. Vai tentar conseguir o mesmo benefício para ver o caminho das pedras que vão te colocar.

    Agindo dessa forma, o ‘blog da Bethânia’ que supostamente será criado para levar cultura “gratuíta” ao povo, cria um paradoxo, pois, em vez de lutar contra a ignorância, acaba alimentando um sistema EXTREMEMENTE BURRO e que só nos coloca no final da fila do desenvolvimento de verdade.

    http://www.scarpini.zip.net

  12. O nosso país sempre criou dificuldades para vender facilidades e isto já se transformou em uma espécie de segunda natureza no senso comum.

    Tecnocratas, burocratas e reativos de toda espécie dominam o poder desde sempre e isso tem que ACABAR. O que fazer? Acho que todos concordam: EDUCAÇÃO. Mas tem que ser uma EDUCAÇÃO DE VERDADE, que crie ADULTOS com SENSO CRÍTICO e não crianças, treinadas para decorar gabaritos criados pelo próprio sistema.

    No caso do ‘Blog da Bethânia’, o que não ‘soa’ bem é o fato dela ou dos seus agentes, se servirem do conhecimento dos ‘gabaritos do sistema’ para validar um benefício que teria que ser de fácil acesso à todos da sociedade. Vai tentar conseguir o mesmo benefício para ver o caminho das pedras que vão te colocar.

    Agindo dessa forma, o ‘blog da Bethânia’ que supostamente será criado para levar cultura “gratuíta” ao povo, cria um paradoxo, pois, em vez de lutar contra a ignorância, acaba alimentando um sistema EXTREMEMENTE BURRO e que só nos coloca no final da fila do desenvolvimento de verdade.

    http://www.scarpini.zip.net

  13. Sílvio Mieira, o texto é válido e tudo mas carece de uma informação: a Rouanet, atualmente, ou seja, sem qualquer reforma ainda, aceita SIM mecenato privado. Trata-se do art. 18 do capítulo IV da Lei 7.505, a nossa Rouanet.
    Assim, a situação que você acabou de descrever pode ser concretizada de fato, e isso é um dos fatores que me faz discordar completamente do parecer do analista do MINC que aceitou esse projeto sem ressalvas. O artista pode dar o preço que quiser a seu trabalho mas, em se tratando de recursos públicos, há o princípio da ‘economicidade’ que mesmo no caso da Rouanet deve ser observado. O que gere este princípio é, dentre outras coisas, dados comparativos entre os valores solicitados pelo proponente em relação a produtos da mesma natureza realizados por outros também com incentivos públicos.
    Tenho certeza que a média de solicitação para realização de blogs não é um milhão, então, fosse que fosse, Bethânia ou euzinha-desconhecida-aqui, era dever do analista indicar isso e solicitar redimensionamento do projeto ou mesmo aprovar com ressalva. Não sei se há um mecanismo na Lei para indicar que determinado produto artístico possa ser financiado apenas por pessoas físicas (como na situação hipotética de você e seus amigos) mas creio que não. De todo modo o MINC, por meio de seus analistas, deveriam compreender que a ‘letra fria da lei’ não diz tudo, e por este motivo exatamente há pessoas especializadas em mediar sua aplicação. Errou o produtor de Maria Bethânia pela falta de noção e dimensionamento do impacto negativo dessa proposta sobre a imagem da cantora; errou o analista em não se valer desses dispositivos para a aplicação do mecanismo de incentivo de forma mais equânime e errou o MINC, por atribuir apenas ao ‘preconceito’ as reclamações da sociedade diante dessa situação anômala que se estabeleceu.

  14. Sílvio Mieira, o texto é válido e tudo mas carece de uma informação: a Rouanet, atualmente, ou seja, sem qualquer reforma ainda, aceita SIM mecenato privado. Trata-se do art. 18 do capítulo IV da Lei 7.505, a nossa Rouanet.
    Assim, a situação que você acabou de descrever pode ser concretizada de fato, e isso é um dos fatores que me faz discordar completamente do parecer do analista do MINC que aceitou esse projeto sem ressalvas. O artista pode dar o preço que quiser a seu trabalho mas, em se tratando de recursos públicos, há o princípio da ‘economicidade’ que mesmo no caso da Rouanet deve ser observado. O que gere este princípio é, dentre outras coisas, dados comparativos entre os valores solicitados pelo proponente em relação a produtos da mesma natureza realizados por outros também com incentivos públicos.
    Tenho certeza que a média de solicitação para realização de blogs não é um milhão, então, fosse que fosse, Bethânia ou euzinha-desconhecida-aqui, era dever do analista indicar isso e solicitar redimensionamento do projeto ou mesmo aprovar com ressalva. Não sei se há um mecanismo na Lei para indicar que determinado produto artístico possa ser financiado apenas por pessoas físicas (como na situação hipotética de você e seus amigos) mas creio que não. De todo modo o MINC, por meio de seus analistas, deveriam compreender que a ‘letra fria da lei’ não diz tudo, e por este motivo exatamente há pessoas especializadas em mediar sua aplicação. Errou o produtor de Maria Bethânia pela falta de noção e dimensionamento do impacto negativo dessa proposta sobre a imagem da cantora; errou o analista em não se valer desses dispositivos para a aplicação do mecanismo de incentivo de forma mais equânime e errou o MINC, por atribuir apenas ao ‘preconceito’ as reclamações da sociedade diante dessa situação anômala que se estabeleceu.

  15. Sílvio Mieira, o texto é válido e tudo mas carece de uma informação: a Rouanet, atualmente, ou seja, sem qualquer reforma ainda, aceita SIM mecenato privado. Trata-se do art. 18 do capítulo IV da Lei 7.505, a nossa Rouanet.
    Assim, a situação que você acabou de descrever pode ser concretizada de fato, e isso é um dos fatores que me faz discordar completamente do parecer do analista do MINC que aceitou esse projeto sem ressalvas. O artista pode dar o preço que quiser a seu trabalho mas, em se tratando de recursos públicos, há o princípio da ‘economicidade’ que mesmo no caso da Rouanet deve ser observado. O que gere este princípio é, dentre outras coisas, dados comparativos entre os valores solicitados pelo proponente em relação a produtos da mesma natureza realizados por outros também com incentivos públicos.
    Tenho certeza que a média de solicitação para realização de blogs não é um milhão, então, fosse que fosse, Bethânia ou euzinha-desconhecida-aqui, era dever do analista indicar isso e solicitar redimensionamento do projeto ou mesmo aprovar com ressalva. Não sei se há um mecanismo na Lei para indicar que determinado produto artístico possa ser financiado apenas por pessoas físicas (como na situação hipotética de você e seus amigos) mas creio que não. De todo modo o MINC, por meio de seus analistas, deveriam compreender que a ‘letra fria da lei’ não diz tudo, e por este motivo exatamente há pessoas especializadas em mediar sua aplicação. Errou o produtor de Maria Bethânia pela falta de noção e dimensionamento do impacto negativo dessa proposta sobre a imagem da cantora; errou o analista em não se valer desses dispositivos para a aplicação do mecanismo de incentivo de forma mais equânime e errou o MINC, por atribuir apenas ao ‘preconceito’ as reclamações da sociedade diante dessa situação anômala que se estabeleceu.

    • srlm disse:

      isabela,

      grato pelo preicoso e preciso comentario: “o MINC, por meio de seus analistas, deveriam compreender que a ‘letra fria da lei’ não diz tudo, e por este motivo exatamente há pessoas especializadas em mediar sua aplicação. Errou o produtor de Maria Bethânia pela falta de noção e dimensionamento do impacto negativo dessa proposta sobre a imagem da cantora; errou o analista em não se valer desses dispositivos para a aplicação do mecanismo de incentivo de forma mais equânime e errou o MINC, por atribuir apenas ao ‘preconceito’ as reclamações da sociedade diante dessa situação anômala que se estabeleceu.”

  16. Só um esclarecimento: o artigo que cito não é dedicado exclusivamente para Pessoa Física, mas apresenta a validade da Lei, a saber: a Rouanet permite a PFs e PJs a doação a projetos culturais através de dedução em Imposto de Renda, sob os mesmo princípios.

  17. Só um esclarecimento: o artigo que cito não é dedicado exclusivamente para Pessoa Física, mas apresenta a validade da Lei, a saber: a Rouanet permite a PFs e PJs a doação a projetos culturais através de dedução em Imposto de Renda, sob os mesmo princípios.

  18. Só um esclarecimento: o artigo que cito não é dedicado exclusivamente para Pessoa Física, mas apresenta a validade da Lei, a saber: a Rouanet permite a PFs e PJs a doação a projetos culturais através de dedução em Imposto de Renda, sob os mesmo princípios.

  19. J.R.Pereira disse:

    Silvio, eu louvo suas colocações, simplesmente certeiras e brilhantes.
    O que me intriga é a necessidade de lei para se captar recursos para a Cultura.
    Sei que de um lado temos as panelinhas e favorecimentos, sei que de outro existem boas produções e tal…
    Mas o caso é a NECESSIDADE da lei pelo simples fato de que não somos capazes de nos organizar.
    E de captar os recursos!
    Porque basicamente o empresário não vê a Cultura como fonte de renda e lucro.
    Daí, entra a lei na jogada e uma bobagem de alguns vídeos de poesia e blog, que a Betânia poderia muito bem pagar de seu vasto bolso, se transforma numa doentia máquina de fazer dinheiro.
    É impressionante mas sempre que o Estado mete a mão nessas coisas, piora ainda mais!
    Não somos um país sério.

  20. J.R.Pereira disse:

    Silvio, eu louvo suas colocações, simplesmente certeiras e brilhantes.
    O que me intriga é a necessidade de lei para se captar recursos para a Cultura.
    Sei que de um lado temos as panelinhas e favorecimentos, sei que de outro existem boas produções e tal…
    Mas o caso é a NECESSIDADE da lei pelo simples fato de que não somos capazes de nos organizar.
    E de captar os recursos!
    Porque basicamente o empresário não vê a Cultura como fonte de renda e lucro.
    Daí, entra a lei na jogada e uma bobagem de alguns vídeos de poesia e blog, que a Betânia poderia muito bem pagar de seu vasto bolso, se transforma numa doentia máquina de fazer dinheiro.
    É impressionante mas sempre que o Estado mete a mão nessas coisas, piora ainda mais!
    Não somos um país sério.

  21. J.R.Pereira disse:

    Silvio, eu louvo suas colocações, simplesmente certeiras e brilhantes.
    O que me intriga é a necessidade de lei para se captar recursos para a Cultura.
    Sei que de um lado temos as panelinhas e favorecimentos, sei que de outro existem boas produções e tal…
    Mas o caso é a NECESSIDADE da lei pelo simples fato de que não somos capazes de nos organizar.
    E de captar os recursos!
    Porque basicamente o empresário não vê a Cultura como fonte de renda e lucro.
    Daí, entra a lei na jogada e uma bobagem de alguns vídeos de poesia e blog, que a Betânia poderia muito bem pagar de seu vasto bolso, se transforma numa doentia máquina de fazer dinheiro.
    É impressionante mas sempre que o Estado mete a mão nessas coisas, piora ainda mais!
    Não somos um país sério.

  22. Sativa Júnior disse:

    Achei uma tolice esses argumentos. Se o dinheiro vem de renúncia fiscal, é um dinheiro que o Governo deixa de arrecadar. Logo, nada mais justo e correto do que o Governo fazer um controle mínimo do que se fazer com o dinheiro que, na verdade, é do Estado. No mais, a aprovação do projeto desse blog foi uma absurdo. É óbvio que tem desvios aí.

  23. Sativa Júnior disse:

    Achei uma tolice esses argumentos. Se o dinheiro vem de renúncia fiscal, é um dinheiro que o Governo deixa de arrecadar. Logo, nada mais justo e correto do que o Governo fazer um controle mínimo do que se fazer com o dinheiro que, na verdade, é do Estado. No mais, a aprovação do projeto desse blog foi uma absurdo. É óbvio que tem desvios aí.

  24. Sativa Júnior disse:

    Achei uma tolice esses argumentos. Se o dinheiro vem de renúncia fiscal, é um dinheiro que o Governo deixa de arrecadar. Logo, nada mais justo e correto do que o Governo fazer um controle mínimo do que se fazer com o dinheiro que, na verdade, é do Estado. No mais, a aprovação do projeto desse blog foi uma absurdo. É óbvio que tem desvios aí.

    • srlm disse:

      sativa… o problema sendo discutido aqui é o do “estado tutor”… o estado babá… o estado que quer, talvez precise, pra existir em sua forma atual… controlar oq ue e porque os cidadãos e negócios fazem o que fazem. talvez precisássemos discutir AUTODETERMINAÇÃO… de uma forma mais objetiva. senão você nasce e aí o ESTADO diz que você vai ser… o que ele quer que voce seja. e você… vai querer? vai deixar?…

  25. Pedro disse:

    O mecanismo doação para cultura e posterior abatimento no imposto de renda já existe: http://www.cultura.gov.br/site/2011/01/03/doacoes-podem-ser-abatidas-do-imposto-de-renda/

    Se for do jeito que o blog propõe, haverá lavagem de dinheiro com força!

  26. Pedro disse:

    O mecanismo doação para cultura e posterior abatimento no imposto de renda já existe: http://www.cultura.gov.br/site/2011/01/03/doacoes-podem-ser-abatidas-do-imposto-de-renda/

    Se for do jeito que o blog propõe, haverá lavagem de dinheiro com força!

  27. Pedro disse:

    O mecanismo doação para cultura e posterior abatimento no imposto de renda já existe: http://www.cultura.gov.br/site/2011/01/03/doacoes-podem-ser-abatidas-do-imposto-de-renda/

    Se for do jeito que o blog propõe, haverá lavagem de dinheiro com força!

  28. Thiago Maia disse:

    Muito bom o seu ponto de vista Silvio. Inclusive as palavras que você utilizou e o exemplo ilustrado de 1700 pessoas pagando R$1.000,00 por um projeto já é (quase) possível:

    Justamente nessa ideia de provocar uma mudança de uma massa homogênea sob um controle central, gostaria de apresentar uma iniciativa da qual faço parte, a multidao.art.br (batizada com esse nome inspirada no conceito de Antonio Negri, que teoriza a multidão como um organismo político, onde cada sujeito faz valer suas opiniões e posições). É uma plataforma de financiamento colaborativo, bem na ideia ilustrada por você.

    Porque eu disse quase possível? Pois justamente por um problema do sistema, nossa legislação não entende que um apoio a um projeto cultural que envolva recompensas (no caso da multidão não financeiras) seja caracterizada como doação, sendo impedido de ser realizada via isenção fiscal.

    Bom, pelo menos é uma alternativa, que pretende justo colocar mais poder e decisão na mão de cada um de nós…

    Obrigado pelas palavras! Convido a todos a conhecer esse projeto.

    Um grande abraço

  29. Já viu o http://www.proibido.org Gente boa por lá escrevendo sobre o assunto… vale a pena verificar as idéias e discussões…