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Escrito por • 28/07/2011

um crescimento amazônico

pra quem achava, muito tempo atrás, que e-commerce não ia "dar dinheiro", taí a curva de crescimento dos negócios da amazon.com nos últimos dez anos…

…onde se vê que o volume de negócios aumentou quase vinte vezes desde 2000 e cresce, ainda, a taxas superiores a 50% por ano. não é coisa pouca para um negócio que já tem mais de 15 anos.

no começo, a amazon.com era uma livraria. depois, o maior shopping center do planeta. agora, além de ter virtualizado o negócio de livros com o kindle [a plataforma, e não só o dispositivo; quase US$5.5B este ano] e entrar no mercado de aplicações móveis e dispositivos de informatização pessoal [vem aí o tablet da empresa, sobre a plataforma android]…

…a amazon criou o primeiro e até agora mais efetivo negócio de infra e serviços computacionais e de informação sob demanda na internet [amazon web services, AWS]. não é coisa pouca: AWS, criado do zero a partir de 2006, já aponta para uma receita de US$2.5B em quatro anos.

a amazon começou do zero. o kindle também, apesar de canibalizar parte do negócio de venda de livros físicos. mas o impacto, aqui, é sobre a venda dos "livros dos outros" e não da amazon, que continua vendendo os livros, agora digitais, em volume ainda maior que físicos. e AWS também veio do zero, como parte dos dois níveis inferiores da "torre de software" de que falamos no texto passado aqui do blog.

isso é parte da explicação da curva lá em cima. inovações que não entram em conflito [direto, pelo menos] com negócios já existentes e sobre as quais não há uma arenga institucional relacionada à "proteção" de núcleos de receita e poder na corporação. resultado? mais receitas e mais lucros.

pra ter uma idéia da bronca num outro negócio onde o "novo" entra em conflito permanente e explícito com o "velho" e quais são as consequências para a receita, no tempo, olhe o gráfico abaixo…

chart of the day, microsoft, profit, income by division, july 2011

…que mostra cinco anos consecutivos de prejuízos da divisão de "serviços online" da microsoft. redmond, certamente, tem competência para "fazer" alguns dos melhores "sistemas online" do mundo. mas o tal do "online", lá, pode nunca ter tido a prioridade estratégica que kindle e AWS tiveram, na amazon, por causa do conflito em potencial com outras áreas de negócio da empresa. pra explicar o prejuízo do online, talvez a gente devesse olhar para o tamanho do lucro da "divisão office" do negócio de steve ballmer, muito mais lucrativo agora do que há cinco anos. o problema é… isso é sustentável por quanto tempo?

se eu fosse a microsoft –ou qualquer outro negócio, digital ou não, hoje- olhava mais para a amazon. muito mais. e muito mais de perto. afinal de contas, aquela curva lá em cima não é brincadeira…

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3 Responses to um crescimento amazônico

  1. Paulo Nasc disse:

    Olá professor Meira: pelo visto a Microsoft está se envenenando com a própria saliva. Olhando p’ro gráfico lá de cima lembro-me da frase do professor da Univ de Oxford, em 1800: “Quando a Exposição de Paris fechar, ninguém mais vai ouvir falar em luz elétrica.” O nome do cara ficou registrado – Erasmus Wilson, o Balmer da época.

  2. Romano disse:

    Falando em crescimento:

    http://www.mckinseyquarterly.com/Media_Entertainment/Radio_TV/Succeeding_in_Chinas_online_video_market_2840

    “Succeeding in China’s online video market”

    “Profits are coming, but only players with the deepest pockets will survive to enjoy them.”
    JULY 2011 • Alan Lau
    Source: Media & Entertainment Practice

  3. Antes e-commerce, agora social commerce… não tem jeito… ou você fica, tem objetivos e trabalha, ou sempre dirá que não funciona no seu mercado.
    O fato é que em qualquer mercado há os bons e os maus players. Na minha opinião, não há mercado que não suporte um commerce bem estruturado, que acompanha o cliente, que conversa, que dá atendimento e isso o social commerce faz muito bem.

    Parabéns pela matéria… muito oportuna!