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Escrito por • 24/08/2009

um terço do país em rede

dados do ibope para julho dão conta de que um terço dos brasileiros têm acesso a alguma forma de internet, seja de casa, escola, trabalho ou lanhouse. pense numa notícia boa. são quase 65 milhões de pessoas, com 16 anos ou mais, que estão na rede de alguma forma. e mais de 40 milhões de pessoas moram em casas que têm algum tipo de conexão à rede.

mas no ano, de julho passado a este, o número de pessoas que efetivamente usou a rede, durante o mês, subiu 10%, de 33 para 36 milhões de pessoas. esta notícia já não é tão boa assim: indica que só um pouco mais da metade de quem poderia estar usando a rede está, de fato, na rede. por que?

não há dúvida alguma que a rede é essencial para tudo o que ocorre na sociedade moderna. se você está lendo este blog, provavelmente depende da rede quase que, digamos, para viver. como se explica que 160 milhões de brasileiros não tenham passado pela rede, minutos que sejam, no mês passado?

aí é onde entra a explicação de augusto gadelha, secretário de política de informática do ministério de ciência e tecnologia, em entrevista ao tele.síntese: Há uma pobreza de conectividade no Brasil, mesmo nas grandes cidades. A Austrália está falando em 100 Mbps, isto já é uma realidade em Tóquio, na Coréia do Sul e em outros lugares. No Brasil, nós estamos sonhando com uma velocidade de 2Mbps, que é muito inferior. Além do que, a velocidade acima de 1 Mbps ainda é muito pouca aqui. Se pensarmos no campo, então ela se torna inexistente. Temos muitas ligações de baixas velocidades. E as próprias ligações que são vendidas como de alta velocidade, na realidade, efetivamente, são de velocidades abaixo de 300 a 400 Kbps.

não é preciso agregar mais nada ao depoimento do secretário. talvez seja necessário, então, perguntar: quando e como, mesmo, é que nós vamos ter, o brasil e os brasileiros, e de verdade, acesso à internet?

enquanto o atual estado de coisas perdurar, vamos continuar sendo campeões em número de horas navegadas: em julho, o brasileiro médio que usou a rede passou 48 horas e 26 minutos online. este blog, há tempos, defende a tese de que isso não ocorre porque queremos, de livre e espontânea vontade, passar tanto tempo na rede, mas acabamos passando porque levamos muito, muito tempo pra fazer, na rede, o que queremos.

clique na figura abaixo para ver um texto deste blog, de um ano atrás, exatamente sobre este assunto. a imagem é de um estudo da universidade de oxford que mostra o brasil no fim de uma lista de 42 países quando o assunto é quantidade, disponibilidade, cobertura e qualidade do acesso à internet em banda larga. e fica a pergunta: quem é que não está fazendo o que deveria fazer, onde, pra que possamos estar, todos, na rede, de verdade?

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0 Responses to um terço do país em rede

  1. Victor Rodrigues disse:

    Nossa net tartaruga é realmente um atraso para o crescimento de vários tipos de serviços..

    Mas a internet chegar a certos lugares que hoje não chega talvez seja mais importante para atingir mais pessoas. Nesse momento, acho que a gente precisava, mais do que dos 100mbps, de parques e comunidades conectadas via wifi. A internet pode ser muito mais quando se tem mais banda, mas isso aqui, lentinho assim, poderia mudar a vida de muita gente do jeito que é.

    Enquanto a prefeitura de Natal investe num projeto bem legal de acesso à rede, o que a prefeitura de SP faz? Colocou wifi na marquise do Ibirapuera, num raio de 10 metros apenas. Quem conhece o parque sabe o tamanho daquilo ali, seria uma beleza que o parque fosse wifi por inteiro. O custo disso não me parece astronômico, principalmente pensando o retorno que teríamos. Pessoas com netbooks (baratos) podiam navegar na net enquanto relaxavam na graminha da nossa praia sem tubarão que é o parque, outros poderiam aproveitar a wifi para ouvir música na net enquanto correm.

    Só não vejo o governo se mexer pra isso. Parece que o pessoal está empenhado mesmo para que passemos a ver mais TV.

  2. Liana Soares disse:

    O atraso do Brasil na conectividade das coisas e agilidade das pessoas eh grande, significativo, e isso atrasa demais servicos, informacoes, trabalhos feitos… Eu sabia que era lento, mas so hoje tenho nocao do impacto de tamanha diferenca. Aqui na Suica o pacote mais lento oferecido eh de 300 kbps, eh chamado o “start”, para “novice surfers”. O mini de 1000 kbps eh para acesso ocasional. E para os usuarios frequentes e powers a velocidade eh de 5000 a 20000 kbps maximo. E os precos ainda sao atrativos. No Brasil, uma velocidade de 512 vc ja sente no bolso. E os brasileiros com poucas condicoes? Mal pode comprar um computador… Eh uma triste realidade que continua separando mundos e limitando as pessoas de usufruir ou ate mesmo conhecer os verdadeiros beneficios que a web 2.0, seus gadgets e toda a longa lista de servicos e equipamentos disponibilizam, enquanto no outro lado do hemisferio eh um requisito ja normal e indispensavel ao dia a dia…

  3. Otávio disse:

    Pago 80 reais por uma conexão de 400kbps. Pago o mesmo valor a 4 anos. Será que o custo da conexão não barateou nesse período? Hahaha a esse valor já era pra eu estar com meus 10mbps. Na GVT já tem essa velocidade por 60 reais. Agora querem ver algo extremamente vergonhoso? Entrem no site da Oi banda larga, escolham o estado do Amazonas – 200 reais por 400k e 400 reais por 600k. Só pode ser piada deles.

  4. Eugenio Hertz disse:

    Fiz um comentário aqui, digitei a sequencia, e o terra ofereceu a opcao de voltar.

    Ao fazer isso percebi que o texto de 6 paragrafos que eu havia escrevido simplesmente DESAPARECEU.

    MUITO OBRIGADO TERRA, voce so nos mostra como lixo é seu serviço, e como é conivente com toda a porcaria demonstrada nesse post sobre conectividade e precariedade no país.

    Muito obrigado, de coração, por ter perdido meu texto. Vou voltar mais 500 vezes aqui e aguardar carinhosamente que todos sejam perdidos.

    Respeitosamente ao que merecem….. CU.

  5. Eugenio Hertz disse:

    Nao adianta reclamar, essa buceta de país é assim mesmo.

    Aqui so vale a lei do roubo. Querem mudanças, vao embora desa MERDA

  6. Antônio Neto disse:

    É difícil assimilar os números tamanha diferença.

    Porém, há de se entender, muito mais importante que ter altos números de inclusão digital e taxas de transmissão na internet, neste momento, seria ter alfabetização e saneamento básico – o que reduziria increvelmente problémas básicos de saúde. Depois poderia se pensar em internet de 100 Mbps.

    Sinceramente acho compreensível as velocidades na internet no Japão, Coréia do Sul, Austrália e Brasil. Elas refletem bem o nível de desenvolvimento alcançado nesses países.