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Escrito por • 17/05/2011

uma inovação radical: dinheiro, entre pares

dinheiro, você sabe, é um virtual. a moeda de um país e a quantidade dela em sua conta define o que você pode comprar. se os desejos valem menos do que você tem, sobra-lhe crédito. se são mais do que sua capacidade de pagamento, ou você não compra ou cria um débito, seja com cartões de crédito, financeiras, amigos, uma caderneta de fiado na padaria… algum registro de que você comprou algo pelo qual não podia pagar na hora e ficou de pagar depois.

uma das coisas que define um governo é a capacidade de emitir moeda e controlar seu suprimento dentro de sua área de ação. a regulação dos meios de pagamento é uma preocupação essencial dos governos contemporâneos e interferir neste processo é tratado, independentemente do lugar, como crime federal dos mais graves. pra você ter idéia da seriedade da coisa, se você receber moeda falsa [sem saber], descobrir que a tem e retorná-la à circulação, sua pena pode variar de seis meses a dois anos.

daí o cuidado quase paranóico que se tem com os processos de fabricação e distribuição de papel moeda, como mostra a imagem abaixo, da nossa nota de cem reais.

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mas e se… nós nos articulássemos em rede e, em conjunto –na verdade, entre pares, muitos pares-, resolvêssemos emitir nossa própria moeda e os sistemas de transação e controles que regulariam seu uso nos mercados globais, passando a dispensar bancos, cartões de crédito, sistemas de transações… governos, em suma, de tudo o que está, hoje, associado à noção de remuneração, dinheiro, compra e pagamento?

estaríamos falando de uma inovação absolutamente radical, talvez a maior desde o templo de hera? ou de um crime contra a economia internacional, cujos autores seriam perseguidos aqui e algures pela interpol?…

isso é o que veremos em breve. aqui entra em cena a galera de bitcoin.org, responsáveis por criar uma moeda radicalmente virtual e distribuída, descrita por satoshi nakamoto neste link.

o que é bitcoin, uma moeda feita de/em bits?…

We define an electronic coin as a chain of digital signatures.  Each owner transfers the coin to the next by digitally signing a hash of the previous transaction and the public key of the next owner and adding these to the end of the coin.  A payee can verify the signatures to verify the chain of ownership.

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complicou?… a definição diz que uma moeda eletrônica é uma cadeia de assinaturas digitais. se a assinatura original é válida e representa um certo valor de troca, a sequência de assinaturas daí para a frente, caso seja igualmente válida, diz que o "dinheiro" é válido para a transação corrente.

note que este é exatamente o caso do "dinheiro" que carregamos. você me dá R$20, eu assumo que é uma nota válida, emitida [assinada] pelo banco central, representando o poder de compra equivalente ao que R$20 vale no mercado, e passo para a frente "pelo valor que comprei"… e por aí vai. só que, no caso das notas atuais, elas são físicas, recisam de uma casa da moeda e tal.

passando a emitir nossa própria moeda verdadeiramente virtual, de forma segura, não identificada e distribuída, na prática, tiramos de cena os governos, os cartões e… o banco central, que não há de gostar nem um pouco deste assunto. jason calacanis descreve o cenário atual de bitcoin neste texto, apostando que governos e bancos centrais vão proibir bitcoins dentro dos próximos 12 a 24 meses, porque o projeto seria "o mais perigoso que ele já viu". ainda por cima, ele diz também que este é o projeto de software aberto mais perigoso já concebido e em andamento.

mas por que? bem, veja o vídeo abaixo…

… porque você se junta com uma galera, para criar uma moeda, que é "minerada" computacionalmente, criada de forma previsível e limitada [só vinte um milhões de unidades até 2140], armazenada numa carteira digital sob seu controle. e vocês transferem valores entre si, de forma que não pode ser observada por terceiros… inclusive pelos tais governos, bancos centrais e sistemas de coleta de impostos de todos os tipos, como a receita federal.

o sistema todo é feito em código aberto e pode ser verificado por qualquer um que entenda a complexidade do processo. em tese, não é possível falsificar bitcoins, a não ser a custos computacionais que excedem, em muito, o valor da moeda nos mercados internacionais. aliás. cada bitcoin vale quase oito dólares, hoje, talvez resultado do artigo de calacanis.

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e quem aceita bitcoins, você perguntaria?… t'aqui a lista, que tem dezenas de lojas de muitos cenários de negócios, principalmente de bens digitais e online. e já há, inclusive, casas de câmbio, onde se pode inclusive trocar bitcoins por linden dollars [lembra da moeda de second life?] e, dela, por euros ou dólares. ou seja, a coisa já tem convertibilidade universal.

mas há um mais de um senão. além dos bancos centrais, que deverão se sentir desafiados por esta nova capacidade de emitir meios de pagamento [sem nenhuma autoridade “central” sobre ela], você deve ter notado, lá atrás, que eu mencionei o fato de bitcoins serem invisíveis aos mecanismos de verificação de transações e arrecadação de receita dos governos… porque são criados por pessoas, entre si, transacionadas de forma segura [pelo menos esta é a tese] e visíveis apenas para os que participam da transação, mesmo assim não diretamente identificados .

e daí? bem, só duas coisas são absolutamente certas: a morte e os impostos.

cedo ou tarde, mesmo se o banco central não ligar para bitcoins [porque irrelevantes, talvez?…] o fisco vai se interessar pelo assunto e querer entender, bit a bit, o que está acontecendo. e esta será a grande prova de sobrevivência de uma iniciativa que, se por um lado viabiliza transações potencialmente ilegais, por outro facilita, e muito, a vida dos cidadãos que a usariam só porque iria simplificar, e muito, suas vidas absolutamente legais.

o vídeo abaixo é de um this week in startups special sobre bitcoin, com os caras correntemente à frente do projeto, gavin andresen e amir taaki. vá ver.

por um número de razões, e mesmo sabendo dos riscos, toda minha torcida é pra que bitcoin se torne uma moeda de largo espectro, passando pelos muitos obstáculos que serão criados pelo "sistema". até já instalei minha carteira virtual… que aliás, como qualquer carteira, pode ser "roubada"…

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0 Responses to uma inovação radical: dinheiro, entre pares

  1. Artur G. Valle disse:

    Seria o verdadeiro inicio da queda das fronteiras?

  2. Pedro Daltro disse:

    Projeto fascinante!! e a referência ao templo de heras valeu meu dia! não conhecia, obrigado pela dica.

  3. Luciano disse:

    Trabalho com projetos digitais em áreas segmentadas (apesar de só agora todo mundo descobrir que existia isso e dar o nome “Cauda Longa”). O grande problema de todas as ações inovadoras da web está na falta de exatidão no resultado da experiência que o usuário/cliente/pessoa terá com a proposta. Experiência no sentido abstrato, não-mensurável, e não a experiência a partir de uma defesa teórica, assim como o é o tal bitcoin. Acredito que uma moeda virtual, paralela, é algo não só possível como real na atualidade, mas ficará restrita a nichos e seus desdobramentos, dificilmente em escala global. Outro ponto é que, ao se afirmar que o Fisco não conseguirá “acompanhar” as transações, credita-se à proposta um know-how tecnológico que só ela teria – o Fisco não? Na minha opinião, as operadoras de crédito estão anos-luz a frente do bitcoin.

  4. Antonio Carlos disse:

    Assunto muito interessante, no entanto estranhei a péssima qualidade do texto, não tendo letras maiúsculas no início das frases, e ao mesmo tempo trechos sem semântica, incoerentes com a frase.

    Estranho o terra publicar um artigo com essa péssima qualidade de português.
    Deveria ao mesmo ser revisado por alguém e corrigido no que é necessário.

  5. A velocidade, a qualidade e a quantidade de mudanças, atingem níveis cada vez mais assustadores para o ESTABELECIDO. Senhores DONOS DO MUNDO, vai ficar pequeno. Pessoas ‘normais’, vai ficar estranho. Espectadores, curiosos, interessados pelo jogo e afins, MUDAMOS DE FASE. E, como em toda boa fase, há novos perigos, desafios e recompensas. Que venha EL TORO.

    Bitcoin, tô dentro. Quero ver de perto, quem vai dormir e quem vai ficar acordado com um barulho desses.

    Chico Scarpini

    http://www.scarpini.zip.net

  6. cleiner firmino da silva disse:

    gostria de entrar tambem nesse grupo.

  7. gostaria de entrar nesse grupo tambem.

  8. carlomagno disse:

    Melhor seria retornar ao escambo!!!

  9. disse:

    Hoje a única garantia que temos, é a da fiscalização dos governos. Esta prática que ora é sugerida, seria de altíssimo risco, e uma porta aberta a golpes da ordem mundial. Haveria, inclusive o risco, e muito alto, de uma quebradeira, ou colapso monetário, de todo o planeta. É muito assustador.

  10. Edison disse:

    É interessante como nós seres humanos queremos subverter tudo, esta mania de quere sair fora do fisco ter suas proprias moedas isto é de longa data desde o inicio de nossas mais remotas historia.

    Mais recentemente se podia trocar dinheiro por Boi lembram da historia do Boi Gordo, voce aplicava dinheiro e ficava com os bois virtuais.
    O que ocorreu, como os bois eram virtuai e o dinheiro ia para mãos de pessoas não criveis, o esquema quebrou e deixou muita gente sem o seu rico dinheirinho.

  11. Tiago Sozo Marcon disse:

    Por favor, respeitem a língua portuguesa nestes textos!Sinceramente..

  12. TAMBOSI disse:

    Na década de 60, o então governador Leonel Brizola, inventou no Rio Grande do Sul uma nova moeda apelidade de brizoleta, a ideia de uma nova moeda não parece tão nova assim, muitos colégios, internamente criaram um cupom que vale para lanches, etc…, é o mesmo principio

  13. Miguel Vieira disse:

    Há outro senão importante ao bitcoin (e sistemas similares): a médio prazo, incentiva loucamente o gasto de energia com atividades computacionais. Hoje, estimou-se que gerar um bitcoin custa, nos EUA, USD0,36 em tarifa de energia. Os bitcoins têm sido trocados por menos do que esse valor. (Fonte: )

    O custo do processamento deve continuar diminuindo, mas provavelmente não mais à velocidade da Lei de Moore; e o custo da energia, pelo contrário, só deve aumentar. O tempo de processamento necessário para gerar bitcoins (e logo a energia necessária) também cresce com o tempo. É uma ideia interessante, mas parece muito difícil que seja sustentável.

  14. Miguel Vieira disse:

    Fonte para os dados do comentário anterior (remova os espaços):
    http:// p2pfoundation. net/ Bitcoin#Bitcoin_wastes_energy

  15. Natã disse:

    Daqui cem anos talvez vocês verão essa noticia: COLAPSO MUNDIAL CAUSADO POR BITCOINS…

    Ou não, mas espero que dê certo.

  16. acredite se quiser!!! disse:

    Melhor nao comentar absurdo…eh terra nao aprende mesmo!!!!

  17. Flavio disse:

    Interessante esse tema. Mas quem escreveu o texto precisa de aulas de lingua portuguesa com urgencia, antes de escrever a proxima materia. Esse foi um dos textos mais mal escritos que eu li nos ultimos anos!

  18. celso martin disse:

    não tem qualquer sustentação o bitcoin; é vulnerável para os sabidinhos de plantão aplicarem golpes certos que não haverá punição. Parece mais uma daquelas correntes onde quem inventou leva vantagem

  19. maria disse:

    isso parece brincadeira de criança e so usar codigo de rastreamento q cada buticom q passa pela rede e detectado ate parce shuashuas

  20. Ryugami disse:

    eu por um momento achei que nao soubesse mais ler!!! kkkk

    bom… isso ae que eles querem inventar é como akele sistema de piramide , mas no caso virtual!! onde o ápice ganha encima das bases!

    mais uns engraçadinhos querendo fazer historia e ainda correndo o risco de ser presos! kkkkkkkkkkkkkkkk

    qta burrice!!!

    quer falir o sistema?? tenta outra coisa! como por exemplo nao ser capitalista! pq brasileiro ja nasce com mania de grandeza e capitalismo em seu DNA ! kkkk

  21. Glauber disse:

    Já existe na prática estratégias de moedas sociais que evitam a especulação e dão valor real a mercadorias reais. No atual sistema há diversos componentes que dão valor a uma mercadoria, por exemplo, uma bolsa pode custar R$ 50,00 ou R$ 20.000,00 (ou mais, ou menos…) dependendo da marca que tem. É um dos absurdos do sistema que vivemos, além da especulação e da inflação através de juros. Encimando o bolo, existem as bolsas de valores que quando estão em alta poucos ganham e quando estão em baixa todos perdem. Duvido que dê certo, mas torço que dê.

  22. Wall disse:

    Rastrear IP é muito simples. Ou os “user bitcoins” deverão ter como destino uma rede virtual paralela, como sugere o texto com um “português” alternativo

  23. Carlos Eduardo disse:

    O bitcoin e o Second Life são sinais de que as pessoas precisam largar vencidos modelos de todo o tipo e âmbito.O sr. Miguel Vieira fala de custo energético mas não ouviu falar de Telsa.A energia só custa porque as organizações querem ganho.Gente, ainda estamos usando motores a explosão!!Fala sério!Outro fala de cem anos, como se o computador já não existisse há mais ou menos isto, em outros moldes.Concluindo: O mundo mudará independentemente de quantas pessoas desejem ou consigam acompanhá-lo. A mudança político-social no oriente, mais recentemente, já refletiu isto também.
    Moldes milenares de crenças e valores, que ainda resistiam, sucumbem a olhos vistos. As manifestações de resistência a novos moldes sempre houveram em todos os momentos revolucionários da história, apenas tentando retardar o inevitável. A educação mal assistida e a informação manipulada assim como a crença em soluções invisíveis – do além- apenas servem para tirar das próprias pessoas o poder e a confiança de conquistarem tanto quanto possível a própria dignidade.

  24. renato disse:

    Uma execelente forma de tirar do governo o monopolio da emissao de moedas e acabar de vez com a inflação, alem de garantir e preservar a liberdade e a propriedade das pessoas.

    Espero que esta idéia não seja sabotada pelo governo.

  25. Fabrício disse:

    Acredito que se esse sistema for contra os interesses da “Nova Ordem Mundial” (ver video com título: saindo da matrix) não irá durar muito tempo. Afinal os criadores dessa moeda não estarão desafiando somente governos com seus sistemas capitalistas dominantes e sim as famílias (acredito que sejam 6) que controlam tudo, inclusive a tua vida! PENSE NISSO!

  26. Chaos disse:

    O que vai acontecer:

    1) Os governos vão proibir que civis criem este tipo de software;
    2) Os governos investirão em pesquisas no mesmo;
    3)Encontrarão uma forma de rastrear o dinheiro virtual, cobrar impostos, e guardar o histórico (logo, vai ter de declarar no IR);
    4) Em nome do ambiente e poupança dos recursos naturais, os países vão começar a adotar a moeda virtual e os bancos vão poder trabalhar com ela em forma do nosso tradicional cartão de debito/crédito (que é uma forma mais simples do que o “Cesto de Divisas” proposto pelo governo Lula);
    5) Depois de implantado o sistema com sucesso, vão eliminar os cartões e juntarão (como estão fazendo com a Identidade, CPF, etc) todas as informações pessoais em um pequeno chip e implantarão nas pessoas.

    E pronto. Estaremos todos controlados. Ninguém comprará nem venderá sem essa tecnologia. Isso se até lá não tivermos de pagar taxas de emissão de CO2 do nosso corpo (como já se faz em vários países em relação a carros) e por causa disso, quem não aceitar passará a ser criminoso.

    Quem viver, verá.

  27. Marcos disse:

    Do jeito que você fala, parece que a criação de moeda por parte de empresas privadas sem controle pelo banco central é uma coisa boa. Não é.

  28. Marcelo B. disse:

    Quem regula a emissão da moeda? Sei lá, a coisa não parece tão simples assim… como sempre, alguém tá ganhando, e muito, com bitcoins.

  29. Eagle disse:

    Qualquer medida que nos livre do roubo que uma minoria impõe a maioria através de impostos, aparentemente seria bem vinda, só tem um problema, essa tal conversibilidade em dinheiro real, causa inflação, em pouco tempo, se o negócio pegasse a economia seria destruída.

  30. M. F. Junior disse:

    Esse texto está tão mal redigido que parece até tradução automática do google.

  31. Anna Fraga disse:

    O assunto é muito interessante. Porém, o ‘estilo’ do blogueiro incomoda e atrapalha a matéria. Por que não pode escrever como gente grande? Só vejo duas explicações: incompetência ou vontade de aparecer.

  32. Pedro Daltro disse:

    na moral, quem reclama do português do sílvio meira tem q fazer mais sexo!

  33. Cristina disse:

    Ainda estou tentando entender mas se o bitcoin é comprado com dinheiro de verdade então acabou a brincadeira…. tem de inventar um sistema sem essa paridade com o dinheiro real!

    A adesão é um ato político, sem dúvida. Vai dizer se você concorda ou não com o sistema. Agora, Silvio, eu não entendo porque você foi contra o Wikileaks, que é legal. Até hoje não encontraram um argumento jurídico para enquadrar os responsáveis, muito pelo contrário, só encontram argumentos a favor. Interessante as conexões entre os eventos. Deve ser possível contribuir com o Wikileaks usando bitcoin.

  34. cacovsky disse:

    na moral, quem reclama do português do sílvio meira tem q fazer mais sexo! [2]

  35. Cristina disse:

    Quem quiser defender o português escrito pelo Silvio Meira deve defendê-lo com foco no tema abordado, no caso, as regras do idioma. Atacar o atacante é o erro mais elementar que pode ocorrer em uma discussão. Aí sim, a pessoa perde a moral na discussão.

    BTW, é interessante notar que, mesmo fazendo *muito* sexo, eu não perdi o senso das regras do idioma 😉

  36. Pedro Daltro disse:

    Bem, não considere um ataque, mas um ironia, uma piada.

    O ponto é que este é o blog do Sílvio Meira, não é nenhuma página editorial do Terra. Nesse blog, o sílvio meira escreve como quiser e bem entender. Uma notícia do terra não poderia ser escrita assim, mas um post opinativo, como esse, sim.

    O motivo da ironia foi um post tão bom quanto esse render comentários sobre a escrita, e não o conteúdo.

  37. Adriano disse:

    Me avisa quando você voltar a usar maiúsculas que eu volto a ler.

    Obrigado.

  38. Minho disse:

    Notícias sobre luta de minotauro http://www.ufccombate.com.br