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Escrito por • 24/08/2010

urnas da índia são frágeis. e as do brasil?…

a notícia correu o mundo: o “TSE” da índia mandou prender hari prasad, indiano que participou de um grupo de pesquisadores que quebrou a segurança da urna eletrônica indiana de mais de uma forma, em teste feito juntamente com pesquisadores da universidade de princeton, que tem um nome não trivial no mercado de reputações acadêmicas, sendo nada mais nada menos do que a instituição de einstein e gödel, entre muitos outros.

image pra lembrar o contexto local, o blog publicou uma longa série sobre segurança das urnas eletrônicas brasileiras [que são apenas uma parte do sistema eleitoral] em 2008, antes das últimas eleições. a posição de nosso TSE, à época, de que [claro…] as urnas são absolutamente seguras, está neste link [de onde se pode chegar a outros cinco textos sobre a eleição eletrônica no brasil]… ao que se seguiu uma carta aberta de uma das empresas que participaram do processo de fabricação das urnas brasileiras dizendo que claro que não, as urnas são inseguras. e dizendo porque, o que você pode ler neste link.  ainda hoje vale a pena ler, vá lá.

mais recentemente, em abril deste ano, o blog chamou atenção para o relatório do CMIND, o comitê multidisciplinar independente que acompanha o processo eleitoral, dando conta de que a… concentração de poderes no sistema eleitoral brasileiro não permite auditoria independente.

e aí apareceram estas notícias da índia e o artigo de halderman et al., do qual prasad participou, mostrando como a urna indiana é susceptível a uma série de ataques capazes de fraudar sua segurança e contaminar todo o processo eleitoral.

pois bem: o blog resolveu perguntar a amílcar brunazo filho, membro do CMIND, o que é que ele acha disso tudo. brunazo, 60, é engenheiro, assistente técnico em perícias em urnas eletrônicas, acompanha o desenvolvimento dos sistemas do TSE desde 2000 e conhece o nosso sistema e suas urnas como poucos.

a pergunta do blog foi… brunazo, face às notícias sobre as falhas de segurança das urnas eletrônicas da índia [e a proximidade de mais uma eleição nacional e estadual, no brasil]… como andam as coisas por aqui? o que a situação da índia tem a ver com a do brasil?

a resposta de brunazo, didática, chegou por emeio e está reproduzida ipsis litteris abaixo, com negritos nossos. leia com calma, para não chegar a conclusões precipitadas; se tiver dúvidas, clique nos links deste texto e nos links que estão nos textos correspondentes a estes links antes de tirar suas conclusões:

O Brasil e a Índia são os únicos países que ainda usam máquinas de votar de 1ª geração em larga escala. Máquinas dessa geração estão sendo abandonadas e até proibidas em outros países, como nos EUA, Rússia, Holanda e Alemanha. Até o Paraguai abandonou as 20 mil urnas brasileiras que tinha recebido de graça.

Máquinas de votar de 1ª geração tem por característica a gravação eletrônica direta do voto e são denominadas DRE (de Direct Recording Electronic voting machines). Estas máquinas (DRE) são consideradas equipamentos de votação de 1ª geração porque não atendem ao "Princípio da Independência do Software em Sistemas Eleitorais", isto é, não possibilitam uma conferência da apuração que seja feita de uma forma independente do próprio software das urnas-e.

Os equipamentos de votação mais avançados, de 2ª e de 3ª geração, atendem ao "Princípio da Independência do Software em Sistemas Eleitorais" e possibilitam uma conferência da apuração totalmente independente do próprio software das urnas-e.

A diferença técnica entre as urnas-e brasileiras e indianas é que estas tem software fixo (firmware) gravados em chip soldados na placa-mãe enquanto as brasileiras possuem software variável (modificado a cada eleição) carregados por meio de um soquete externo (flash-card externo "de carga"). Por este detalhe, o modelo indiano dá mais trabalho para ser violado.

Uma demonstração de violação urnas de modelo idêntico ao brasileiro (de carga externa do software) havia sido apresentada em 2006 (veja este link) por uma equipe de Princeton que incluia o Prof. J. Alex Halderman. Agora, em 2010, foi apresentada uma demonstração de violação das urnas indianas (clique aqui para saber mais) pelo mesmo Halderman e pelo ativista indiano Hari Prasad, que conseguiu um exemplar de urna indiana de fonte anônima.

Em vez de reconhecer a inevitável fragilidade das máquinas de votar de 1ª geração e proceder a migração para uma geração mais avançada e segura, a Comissão Eleitoral da Índia (equivalente do nosso TSE) laborou para prender o Hari Prasad para que ele revele a fonte que lhe forneceu uma urna para teste.  Enfim, optaram por "retirar o sofá da sala" quando descobriram que o "Ricardão estava confraternizando com a mulher no dito sofá".

E há mais alguns pontos em comum nos procedimentos das autoridades eleitorais da Índia e do Brasil: 1. ambos afirmam repetidamente que seus equipamentos são 100% seguros contra fraude; 2. em julho de 2009, a Comissão Eleitoral da Índia anunciou que permitiria um teste de segurança público em suas urnas; 3. imediatamente depois (ago/2009) o nosso TSE fez o mesmo anúncio; 4. como as condições de ambos testes eram muito restritivas, ninguém se apresentou para os testes públicos, nem lá, nem cá. No Brasil, os partidos que haviam previamente solicitado o teste desistiram diante das restrições impostas.

Aí surgiram umas diferenças: 1. em ago/09, a Comissão Eleitoral da Índia anunciou o "sucesso" de seu equipamento já que ninguém se apresentou para tentar violá-lo; 2. em out/09, observando a repercussão negativa do "teste sem testadores" na Índia, o nosso TSE enviou convites-convocações para uma porção de repartições públicas para que enviassem pretensos "hackers" para participar de seus testes. Os funcionários públicos enviados e outros convidados não tinham nenhuma capacitação para tal serviço e não tiveram sucesso; 3. em mar/10, o Hari Prasad conseguiu um exemplar da urna indiana e levou-a para ser testada pelo pessoal de Princeton. Como os “testadores”, agora, eram capazes para o serviço, o teste teve sucesso.

Eu tenho certeza que as urnas brasileiras também não resistiriam a um ataque realizado por gente capaz.

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0 Responses to urnas da índia são frágeis. e as do brasil?…

  1. Fran disse:

    Silvio, Já ouvimos nas notícias por aí que as eleições já tem at[e vencedor!

    Será que o(a) suposto vencedora já sabe o resultado das eleições?

    Isso são indícios de fraude escancarada!! Cadê o povo! Os cara pintada! TSE? TRE? Os observadores internacionais?

  2. Marquito disse:

    …. enquanto isso, no brasil, tecnologia, acesso e transparência continuam sendo arrastados com as barrigas….

    … em outubro, cenas dos próximos capítulos

    quem pode tomar providências, mr. meira? como nós [ralé política, nata tecnológica] podemos nos movimentar MAIS?

  3. Mundinho disse:

    Se eu votar 45 e aparecer a foto de Lula ao lado de Serra é indício de fraude na urna eletrônica?
    Por favor, me esclareçam, senhores especialistas.

  4. Chrineu Novaes disse:

    Lendo agora este texto eu entendi a expressão “máquina do governo”…

  5. Nilson Pereira disse:

    As urnas do Brasil já devem ter sido violadas várias vezes, mas ficou por isso mesmo…
    A propósito? Urna eletrônica permite recontagem de votos? A Lei nos garante este direito, que foi banido pelas urnas eletrõnicas.

  6. Raji disse:

    Urnas violadas na Índia? Are baba!

  7. KInaldo disse:

    Na república dos imbecis, o que não se quer admitir é que a Urna Eletrônica, tal qual qualquer outra coisa a ser vendida para o governo como coisa única por espertalhões com sócios dentro do sistema; não é feita para efetivamente funcionar, mas só para VENDER E GERAR FORTUNAS PARA O GRUPINHO BEM REDUZIDO.

  8. Cleber disse:

    Caramba! A matéria até que poderia ser interessante, mas, com esta redação… Não há revisores no Terra? Depois acham ruim quando o STF diz que não é preciso diploma para ser jornalista. E olha que já escrevi para pequenos jornais, mas sempre procurei ter uma boa redação. Isto é básico para compreensão do texto! Por favor né Terra! Por favor, né Silvio Meira!

  9. Carlos Batista disse:

    Afff…

    Fraude ? A eleição já é uma fraude em si mesma. Quando se diz que o povo vai ser representado por uma cambada de gente que tá pensando mais no próprio bolso. Aqui ou na India… kkkkkk…
    O que tb parece estar acontecendo é uma já manjada técnica de empurrar novas tecnologias para que se compre novos produtos em nome da segurança, da eficiência, etc.

    bjs.

  10. Caio disse:

    CAROS INTERNAUTAS, AS CARTAS JA SAO MARCADAS ANTES DE IREM PRA MESA, PRA BOM ENTENDEDOR MEIA PALAVRA BASTA!

  11. Leo Moura disse:

    Corre um boato aqui em BH que o Aécio mandou fraudar as eleições pra prefeito pra que seu partidário Márcio Lacerda ganhasse as eleições, mesmo tendo as pesquisas apontado a vitória do adversário. E não foi que no dia da eleição o outro candidato virou o jogo? Muito estranho!

  12. Rafael disse:

    Acompanho este blog deste a primeira vez que falou da urnas eletrônicas na última eleição e concordo em grau, número e gênero… é só colocar pessoas qualificadas que essas urnas brasileiras não são de nada… mas fácil de entrar que um Play 3

  13. Alexandre disse:

    O TSE, este conjunto de elementos vestidos de juizes, promoveu uma verdadeira farsa para validar o uso das urnas eletronicas. Essas urnas não tem a menor segurança, nunca tiveram. E eram ultrapassadas desde sua confecção original nos anos 90 (conheci professores que faziam parte da licitação que apontaram várias falhas já naquela época, mas foram voto vencido pelo poder do capital!).
    O Judiciário brasileiro é uma vergonha! Já era hora da imprensa mostrar a verdade sobre “o poder intocável” …

  14. Luis disse:

    A grande falácia da democracia começa com a escolha dos candidatos. Nós não votamos em quem queremos, mas sim nos candidatos apresentados pelos partidos, por isso é impossível escolher um candidato honesto, pois se ele for honesto não conseguirá se inscrever num partido.

  15. Danilo de Castro disse:

    O Helio Costa em Minas Gerais foi roubado descaradamente pelo sistema de urna eletronica quando disputou o governo com o senador do mensalão Eduardo Azeredo. Azeredo foi diretor do PRODEMGE sistema de processamento de dados do Estado de Minas e manipulou o resultado nas famigeradas urnas eletronicas. Agora a turma do tucanato mineiro deve usar da mesma estrategia para eleger o primeiro governador homossexual do Brasil o Anestesia.

  16. Marcelo disse:

    Olá Silvio Meira. Agradeceríamos profundamente se você utilizasse letra MAIÚSCULA no início de parágrafos e frases. É extremamente chato ler um texto da forma como você escreve.

  17. Anphilloginus Bisneto disse:

    isto é uma camapnha pra desmoralizar nosso país e tirar a confiança nas insituições democráticas, muito cuidado com esta onda e no que ela pode gerar, vamos ter cuidado com estes movimentos que estimulam as revoltas e os golpes
    a eleição é segura, todo mundo sabe disso, se nao lula nao teria vencido fernando henrique. que r exemplo mais claro?
    vamos apoiar nosso país e nao criar boatos e alarmes falsos de instabilidade, principalmente nesta época

    • srlm disse:

      “Patriotism is supporting your country all the time and your government when it deserves it.” — Mark Twain

  18. Luis disse:

    Silvio volta para escola sua anta. Aprenda a escrever corretamente.

    :@

  19. João disse:

    Sr. Silvio,
    Já que conhece tão bem as urnas utilizadas aqui no Brasil, por que não oferece seus conhecimentos para ajudar o TSE a desenvolver uma urna segura? O ensinamento mais importante que recebi nesses meus 47 anos de vida foi o seguinte: só um idiota para emitir uma opinião sobre o que ele não conhece.

  20. Carlos disse:

    Brizola jpa alertava. Lembram?

  21. Gomildo disse:

    Luis, volte pra escola, seu jumento. Aprenda a respeitar os outros, já que seus pais não conseguiram lhe educar a ponto de você aceitar a diversidade de opiniões e estilos.

  22. Beto disse:

    O ‘jornalista’ se preocupou tanto com o suposto ‘furo’ que se esqueceu de montar um texto coerente e com informações precisas. Ficaria melhor, inclusive, com a opinião da Unisys, responsável pela construção das máquinas no Brasil.

  23. Clécia disse:

    Beto, está no texto, que não precisa ser necessariamente jornalístico:
    “a posição de nosso TSE, à época, de que as urnas são absolutamente seguras, está neste link … ao que se seguiu uma carta aberta de uma das empresas que participaram do processo de fabricação das urnas brasileiras dizendo que claro que não, as urnas são inseguras. e dizendo porque, o que você pode ler neste link. ainda hoje vale a pena ler, vá lá”.

    Vá lá.
    Ou você quer mais xaropada de quem insiste na farsa da segurança das urnas?

  24. Houaiss disse:

    O que eu não tenho mais saco é pra ver os inimigos do Silvio Meira aqui, todo dia, comentando as letras maiúsculas e minúsculas. O cara já explicou mil vezes porque escreve assim. Ponto. É um direito dele. Quem não gosta, quem é babaca a ponto de se incomodar com isso, que não entre, que vá ler horóscopo e não encha o saco. Ou, pega a foto do Silvio, compra um dardo e fica atirando nele.

    • srlm disse:

      taí uma boa idéia! silviodarts… quem sabe vira um game. pra quem quiser ler sobre o estilo do blog, sugiro uma olhada em… http://bit.ly/9LbOx1; pra quem quiser entender mais profundamente a problemática da urna brasileira, sugiro o relatório do CMIND, que está no texto… é só clicar aqui: http://bit.ly/c50LTr

      abs a todos, e grato pelos comentários.

  25. Armando disse:

    Tenho quase certeza que no meu município as urnas foram alteradas,fraudadas ou sei lá oquê, pois trabalho com0 presidente de sessão e o comportamento da urna foi muito estranho, e o candidato do PT se reelegeu, apesar das pesquisas da vontade popular ter sempre dado como derrotado, viva a tecnologia!!

  26. RONIER BLANK MARTINS disse:

    alguém tem dúvidas que estas urnas são invioláveis? alguém tem duvidas que nas últimas eleições n houve manipulação dos votos? alguém tem dúvidas que nestas eleições haverá manipulação de resultados? O Pt tem o seu jeito de ganhar eleições, e tudo começou nos anos 80 nos sindicatos do ABC.

  27. afonso tabares disse:

    não há o que comentar com este governo que ai está as pequisas sendo enganosas pois fazem as pesquisas no norte e no nordeste aonde os coitados dos eleitores não tem muita informação e instrução,fácilmente les fraldarão mais uma vez as urnas.

  28. João Pedro disse:

    Vamos ser mais especificos com relação a quebra de seguranca da UE, o q

  29. Urna disse:

    Para que fazer eleiçao se o IBOPE ja descobriu quem vai ganha-la?

  30. Carl Albert disse:

    É isso aí. Desde que foi implantado essa famigerada forma de se votar no Brasil o candidato da situação está com a faca e o queijo na mão. Ele manipula os votos a bel prazer. Lula, você não é tão intelignete quanto pensa!!

  31. Névia disse:

    As pesquisas eleitorais são fraudadas ou são as urnas? Pq definitivamente elas não entram em acordo…

  32. Emerson disse:

    Silvio, é importante também analisar, além da urna em si, todo o procedimento que a acompanha.

    Fui mesário em eleições com a urna em papel e com a urna eletrônica, e posso garantir que o TRE trabalha com muita diligência no sentido de que todos os procedimentos sejam cumpridos – deste modo, todos os que quiserem acompanhar e auditar os resultados da eleiçao podem faze-lo.

    Ou existe alguma crítica também ao processo eleitoral?

    Abs e parabéns pelo blog

  33. Fernando disse:

    O Tema da segurança das urnas é super importante, porém, o que vemos é que os resultados das urnas têm confirmado os resultados das pesquisas de intenção de voto . Dito isso, não vejo motivos para desacreditarmos o nosso sistema de votação eletrônico.

  34. ROGERIO PEREIRA disse:

    NOVO ESCÂNDALO POLÍTICO VAI ESTOURAR A QUALQUER MOMENTO !!!(NÃO DEIXE DE MANDAR PARA OS SEUS AMIGOS(TODOS) DEPOIS DE LER)
    Para:

    Acho que até a imprensa já sabe mas, prefere não se envolver.bjs
    ________________________________________
    Ai está pessoal, o que eu venho falando ha anos !!!.
    O assunto já começa a aparecer na Internet, porém, infelizmente, na imprensa acho que não chega !
    Não será necessário convencer eleitor nenhum. Basta criar a impressão de que a vitória era previsível, factível. verossímil. Isso já está sendo feito com a manipulação das pesquisas e será completado com a minoria barulhenta preparada como “claque” no dia da eleição e após a divulgação do resultado. Aguarde e confira.
    Insisto: mais de 50 países já vieram conhecer o nosso sistema eletrônico de votação e até agora nenhum o adotou! E nem adotará.
    Paulo Ovidio
    ________________________________________REPASSANDO
    O BRASIL PRECISA DE UMA “FAXINA” COMPLETA !!!!

    É SIMPLES… ACREDITE SE QUISER!!!! MAS, LEMBRE-SE DE QUE, ONDE HÁ FUMAÇA, HÁ FOGO!!!
    NOVO ESCÂNDALO POLÍTICO DEVE ESTOURAR A QUALQUER MOMENTO!!!
    (A Notícia já vazou. Agora falta um Roberto Jeferson da vida, prá colocar a boca no trombone ao, também, sentir-se prejudicado).
    Manipulação do sistema de votação (Software) da Urna Eletrônica, em desenvolvimento (ultra secreto) nos laboratórios de Tecnologia da Informação (TI) do governo, visando a adulteração do resultado do pleito de Outubro de 2010, de modo a garantir a eleição de uma determinada CANDIDATA de preferência do establishment sócio-político dominante atual do Brasil.
    Esse projeto secreto, conhecido no submundo petista como “Milagre da Multiplicação dos Pães” ou, em resumo, 3 prá nóbis, 1 prá vóbis, se destina, através de um programa fraudulento ou malicioso, previamente inserido no chip do computador, que programa as urnas antes da operação, chamada pelos técnicos, de “inseminação das urnas”, a computar sempre – para determinada candidata – 3 de cada 4 votos digitados, independentemente de qualquer que seja o candidato de preferência do eleitor, voto em branco, voto nulo, de forma a assegurar a sua eleição já no 1º turno.
    Pasmem! A situação se agrava muitíssimo pelo fato de o TSE não permitir que os partidos políticos tenham acesso aos softwares que rodam na urna eletrônica ou são que usados na totalização, em parte preparados pela Agência Brasileira de Informações (ABIN) através de um órgão chamado CEPESC – especializado em criptografia – que ajuda ao TSE desde os tempos do falecido SNI. Tudo acertado direitinho… Silenciosamente… Detalhadamente… Legalmente… Não permitir a auditoria é uma evidência da fraude!
    Agora, imaginem só: se a máfia do governo está se lixando pro TSE, passando por cima de sua legislação com o totalitário rolo compressor do PT, com a estapafúrdia escancarada antecipação da campanha eleitoral, o que o impediria de lançar mão de mais essas e outras maracutáias do seu vasto e infindável repertório de sujeiras, escândalos, maldades e ilegalidades para se garantir no poder por mais quatro anos? Dopar softwares, adulterar programas, corromper sistemas de apuração? Isso é pouco!…
    Paralelamente, está sendo programada uma maciça produção de cartazes, bandeiras, faixas e galhardetes para inundar as cidades brasileiras (principalmente nos municípios mais pobres do interior), no dia da eleição (boca de urna, voto-cabresto, vale-voto, etc.), com a contratação (por R$ 30,00/pessoa) de milhares de beneficiados dos bolsa-família, bolsa-isso, bolsa-aquilo, de modo a dar a impressão da confirmação do resultado das urnas eletrônicas viciadas, preparadas, fajutadas.
    Você pensa que essa é uma patrulha anti-petista?
    Então vá à página do Google e digite essas palavras: Urna Eletrônica Fraude e clique em Pesquisar.
    Está aí, escancarado!
    Não vê quem não quer ou está satisfeito, porque está tirando proveito da situação.
    Envie esse email para todos os seus amigos!!!!!!!

  35. Edgar K. Aox disse:

    Mas quanta falta de bom senso… alguém aqui sabe porque o cocô do cavolo é diferente da do cabrito se eles comem a mesma grama? Se não entendem nem de MERDA nenhuma, como podem querer discutir sobre um tema como esse que envolve política e tecnologia que ninguém entende.
    Vou dar uns exemplos de temas sobre a eleição já que o assunto é esse:
    1º – A propagando eleitoral é Gratuita ou Obrigatória?
    2º – Votar é Obrigatório ou é de Direito?
    3º – O Lula representa sua desgraça? Por que… vc estudou? Vc tem todos os dedos? Vc tem boa dicção? Ou é nordestino mas não teve tanta sorte em sunpaulo?
    Quanta falta de bom senso e senso é tudo e só diz a verdade…

  36. Romano disse:

    Extraído de “Secrets & Lies”, Bruce Scheier:

    “Segurança é uma corrente; ela é tão segura quanto seu elo mais fraco”.

    “Segurança é um processo, e não um produto”.

    Portanto, inclua pessoas e tecnologia neste processo.

    Quem trabalha com segurança de sistemas de informação já ouviu falar em “segurança em profundidade”, ou seja nenhum componente único poderá defender uma rede com perfeição (“Inside Network Perimeter Security”, Northcut et al).

    Existe uma máxima que diz (não lembro o autor)”: “quem acha que o seu sistema é 100% seguro não sabe o que é segurança”.

    Bem, é isto!

  37. antonio disse:

    gente, temos tido eleições sem indícios de fraude e até onde eu sei nosso modelo é um exemplo. ou não? fala-se como se estivéssemos à beira do precipício eletrônico eleitoral… mas será verdade? quantos anos de eleições eletrônicas nós temos de experiência? quantos problemas efetivos, reais, de grande dimensão que comprometesse a credibilidade do sistema?

  38. Antonio, como você diz que nossas urnas são modelo no exterior?

    Vejamos os fatos. Mais de 50 países vieram conhecer as urnas brasileiras e nenhum, eu disse NENHUM, adotou este modelo.

    Até o Paraguai que recebeu 20 mil urnas brasileiras de graça, as experimentou em 2006 e as abandonou em 2008.

    Nos EUA, em 2007 foi baixada uma norma técnica sobre eleições eletrônicas que descredencia urnas do modelo brasileiro.

    Na Holanda, este modelo foi proibido em 2008 e na Alemanha foi declarado inconstitucional em 2009.

    Você precisa se informar melhor e em fontes mais confiáveis e atuais, Antonio.

    Seu conhecimento do assunto está baseado apenas na propaganda da autoridade eleitoral que, é óbvio, protege sua cria de todas as maneiras, escondendo seus problemas.

  39. Friday13 disse:

    Silvio,
    Fui mesário por 10 anos e concordo em partes com o seu post, até pq nesse tempo pude observar bem o processo e analisar as possibilidades de fraude, não sou um Dr. de Princeton e não tive oportunidade de abrir a urna para analisar o hardware e o software, porém acredito que se a urna não vier com modificações do TRE é muito difícil ela ser fraudada. Talvez o sistema não seja perfeito, mas existem muitas pessoas sérias que trabalham para que o processo ocorra de forma transparente. É muito fácil criticar o processo e o sistema, mas vale lembrar que todos temos o direito de ter eleições honestas, porém temo o dever de fiscalizar! Diferente do que fazemos que é ficar com a bunda na cadeira e apenas reclamar.
    Abraços

  40. Fran disse:

    a fraude eleitoral já começa no início do processo eleitoral, a questão da urna fraudada é só uma extensão da corruPTa cambada de ladrões que financiamos para representar nossa nação.

    o que devia ser alterado é esse modelo eleitoral, não há outro caminho senão a democracia, e isso que aí está não tem nada de democracia.

  41. Orlando Brasil disse:

    Não é prá menos que Lulla já apresentou Dillma como presidente em S. Bernardo, para os sindicalistas. As pesquisas são manipuladas da mesma forma, sob a direção de Dirceu e Marco Aurélio Top Top Garcia.

  42. Parabenizo o professor pela clareza e pela percepção de que certas coisas não são como o PODER SUPREMO DO TSE deseja.
    Infelizmente, tentamos fazer que algumas pessoas entendam que o processo eleitoral brasileiro (e não somente a máquina de votar) é FRÁGIL e VULNERÁVEL. Os patetas de plantão preferem atribuir isto ao mandatário do momento (a urna está aí há muito mais tempo que o mandato do atual presidente).
    Se até profissionais de TI não sabem do que falam, imaginem o eleitor comum teleguiado por propagandas que falam em 100% Seguro.
    Tenho alguns processos de acompanhamento eleitoral (auditoria para alguns!) e posso afirmar que as máquinas de votar tupiniquins são mais frágeis que as urnas indianas.

  43. Efetivamente triste é ver eleitor que pensa ser esclarecido, pedir ao TSE, TREs e outros para apurarem as denúncias de fragilidade e vulnerabilidade da Urna Eletronica e do processo eletrönico eleitoral.
    Ainda estamos anos-luz de democracia eleitoral verdadeira.
    Que lastima!

  44. ROGERIO PEREIRA disse:

    URNAS ELETRÔNICAS, A FRAUDE ANUNCIADA

    Osvaldo Maneschy
    Jornalista
    Rio de Janeiro, 8 de junho de 2001
    Este é o artigo citado pelo Ex-presidente e Senador José Sarney
    em seu discurso no Senado em 20/03/2002
    quando denunciou a interferência da ABIN no processo eleitoral e
    sugeriu a fiscalização das eleições por observadores internacionais
    Em matéria de processo eleitoral informatizado não há país no mundo que tenha ousado tanto quanto o Brasil. É por isso que os brasileiros, ao contrário dos norte-americanos, japoneses ou europeus, podem saber no mesmo dia o nome do presidente eleito apesar do eleitorado do país ser de 107 milhões de pessoas e estar espalhado pelos seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Todos se lembram dos dias de incerteza que os Estados Unidos atravessaram no final do ano passado para saber quem vencera – Bush ou Al Gore – enquanto a Flórida recontava votos. Isto jamais aconteceria aqui, garantem os defensores da urna eletrônica brasileira, devido a velocidade da proclamação dos resultados. Seria o caso de os Estados Unidos e o mundo finalmente se curvarem diante do Brasil?
    A resposta clara é não. O que o Brasil ganhou em velocidade perdeu, e muito, em confiabilidade dos resultados – comparando-se o voto eletrônico com as antigas cédulas de papel contadas uma a uma. Hoje o voto dos brasileiros foi reduzido a um registro eletrônico na memória de um microcomputador sem que seja possível recontá-los ou realizar qualquer tipo de auditoria. O voto do brasileiro tornou-se virtual, não existe mais materialmente, e eleição inauditável é sinônimo de eleição inconfiável.
    Só não vê isto quem não quer e o problema é que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – que informatizou a eleição brasileira do jeito que ela é hoje – não admite críticas ao sistema que garante, de pés juntos, ser 100% seguro. No que depender do TSE, ano que vem o próximo presidente da República será eleito pelas urnas eletrônicas exatamente do jeito que elas são desde 1996, quando foram usadas pela primeira vez. A lei em vigor ajuda o TSE porque qualquer alteração no processo eleitoral precisa ser feita com um ano de antecedência – no caso das urnas eletrônicas, modificações só são permitidas até outubro deste ano. A situação se agrava pelo fato de o TSE não permitir que os partidos políticos tenham acesso aos softwares que rodam na urna eletrônica ou são usados na totalização, em parte preparados pela Agência Brasileira de Informações (ABIN) através de um órgão chamado Cepesc – especializado em criptografia – que ajuda o TSE desde os tempos do falecido SNI.
    Embora o TSE gaste milhões para convencer a opinião pública brasileira de que as eleições são 100% seguras, especialistas em informática garantem exatamente o contrário. Argumentando que ao contrário do que recomenda a boa técnica, o TSE optou por um sistema fechado que tem na falta de transparência sua segurança, quando deveria ser adotado sistema aberto que facilitasse a fiscalização externa. Sistemas fechados, como o painel eletrônico do Senado Federal, são alvos fáceis de fraudes conduzidas por agentes internos – pessoas que dominam o sistema e o usam por algum motivo em proveito próprio. Exatamente como fez a diretora do Prodasen com a ajuda de um técnico, por ordem dos senadores Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda.
    Tecnicamente não existem grandes diferenças entre o voto eletrônico dos 81 senadores e dos 107 milhões de eleitores brasileiros. Esses mesmos críticos argumentam que tradicionalmente os partidos políticos sempre fizeram o papel de auditores externos das eleições brasileiras, dando credibilidade aos resultados via fiscalização rigorosa prevista pelo antigo Código Eleitoral. Fiscalização que o TSE, contrariando a própria lei que fez, tornou na prática absolutamente inócua no caso das urnas eletrônicas, ao impedir os partidos de terem acesso aos softwares que rodam na urna. E por eles não terem a menor condição técnica de acompanharem o jorro de 107 milhões de votos em Brasília, via sistema de totalização. O TSE também não permite que os partidos confiram se o programa inseminado em cada uma das 354 mil urnas usadas no país é idêntico ao que o TSE despacha para cada TRE nas semanas que antecedem as eleições.
    A falta de transparência, na opinião dos técnicos reunidos no Fórum do Voto Eletrônico – lista da internet que há quatro anos discute a segurança do voto eletrônico no Brasil – deixa escancarada a porta para fraudes promovidas por agentes internos (como aconteceu no Senado), ou gente do próprio TSE, já que não existe outra garantia a não ser a palavra das autoridades do tribunal de que o sistema é seguro. Na avaliação desses técnicos, essa falha grave compromete totalmente a lisura das eleições brasileiras porque hoje é impossível recontar votos, auditar urnas ou acompanhar a totalização de resultados, tal a velocidade em que ela se dá. Com a informatização, na prática, o TSE tirou a transparência da eleição e alijou os partidos políticos do processo.
    O brasileiro, de uma maneira geral, confia nos computadores – acha que eles não erram. Mas a verdade é que as máquinas fazem o que se quer que elas façam, e só agora, por conta da violação do painel do Senado é que o cidadão comum começa a abrir os olhos para a possibilidade de fraude eletrônica. Começa a perceber que se é possível fraudar computadores no Senado, protegido dia e noite por seguranças, o que não é possível fazer com urnas eletrônicas transportadas para os mais longínquos e ermos lugares do país? Para incômodo do TSE, aumenta a cada dia o número de pessoas que duvidam da lisura do voto eletrônico que começou a ser implantado em 1985, quando foram aposentados os antigos títulos – documentos com fotos, dados pessoais, endereço e filiação do eleitor – substituídos pelos novos, emitidos por computador, sem fotos e sem assinaturas – que facilitam a fraude de um eleitor votar pelo outro.
    Começa a ficar claro para a opinião pública que o TSE – que projetou, desenvolveu e gastou quase US$ 1 bi para a informatização do sistema eleitoral brasileiro – ultrapassou, de muito, todos os limites que a prudência e a responsabilidade recomendavam. O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, junto com os técnicos independentes da área de informática, vem questionando duramente a lisura das urnas eletrônicas. Com a autoridade de ter sido compro-vadamente vítima em 1982 de uma tentativa de fraude na totalização eletrônica de votos para impedir que chegasse ao governo do Rio de Janeiro. O ano de 1982 é especialíssimo porque foi o primeiro ano, por resolução do TSE, que se permitiu o uso de computadores nas eleições brasileiras. E foi neste mesmo ano que o TRE do Rio de Janeiro contratou uma firma de informática, a Proconsult, que tinha em seus quadros gente do SNI, para totalizar a eleição. E foi o que se viu a Proconsult tentou desviar os votos de Brizola para brancos e nulos, não deu certo, o escândalo chegou as manchetes dos jornais – como agora, na fraude eletrônica do Senado. Detalhe fundamental ninguém foi preso, ninguém foi punido.
    As críticas contra a urna vêm se avolumando desde 1996, mas antes do escândalo do painel do Senado Federal elas praticamente não conseguiam chegar à opinião pública. O engenheiro Amílcar Brunazo Filho, especialista em segurança de dados, criador e moderador do Fórum do Voto Eletrônico, explica a insegurança da urna. “Ela não é segura porque identifica o eleitor no mesmo ambiente em que ele deposita o voto, além de não permitir auditoria externa ao TSE.” Aristóteles Gomes, outro profissional da área de informática e assíduo freqüentador do Fórum, considera uma impropriedade “até lingüística” chamar de urna o microcomputador do TSE porque “urna, em latim, significa local onde se pode depositar algo que possa ser retirado a qualquer tempo; conteúdo previamente estabelecido que possa ser visto ou conferido”. Exatamente o que não acontece na máquina, que só totaliza votos. Mas em 1996, quando as máquinas de votar foram usadas pela primeira vez, além do registro magnético, as urnas imprimiam o voto em papel – o que permitia ao eleitor conferir o próprio voto, um direito seu assegurado por lei. O TSE aboliu a impressão do voto em 1998, medida que o Senador Roberto Requião (PMDB/PR) quer restabelecer como forma de permitir que a voto volte a ser conferido pelo maior interessado – o próprio eleitor. O fato de aparecer na tela da máquina o nome, o número e a foto de determinado candidato na hora de confirmar o voto do eleitor, não significa que ele receberá o voto. Um software desonesto pode totalizar o voto para outro candidato ao mesmo tempo em que mostra na tela o político que o eleitor escolheu. O programa que faz a urna funcionar pode tudo a partir do momento em que não é conferido. As urnas eletrônicas têm o poder de ‘eleger’ candidatos sem votos, ‘deselegendo’ candidatos com votos.
    Há uma máxima em informática que diz que quando um sistema depende exclusivamente da palavra de quem o controla, ele é intrinsecamente inseguro. Só o TSE garante que as urnas brasileiras são 100% seguras, mais ninguém. Para os críticos do voto eletrônico, o TSE escancarou as portas para novas e sofisticadas fraudes que põem em risco a própria democracia – já que elas são muito mais graves do que as tradicionais. Os controles que a sociedade dispunha no sistema anterior, que envolviam milhares de pessoas, foram todos desativados. Em palestra no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (CTA), Amílcar Brunazo Filho advertiu “Alguns entendem que o voto eletrônico brasileiro seja sinal de pujança e desenvolvimento da tecnologia da informática, mas a prudência e o bom senso recomendam que este tema seja pensado com maior cuidado e profundidade”. Trocou-se a segurança do processo eleitoral anterior pela velocidade e a rapidez da proclamação dos resultados. Sem dúvida alguma um retrocesso levando-se em conta que uma das bandeiras da Revolução de 30 foi exatamente a moralização dos costumes políticos brasileiros e o fim das fraudes eleitorais tão comuns na República Velha. Para Brunazo os procedimentos de segurança são essenciais “Chegou a hora de o Brasil discutir a segurança do voto eletrônico, sob pena de deixarmos para nossos filhos um arremedo de democracia onde o eleitor jamais saberá em quem votou e a oposição jamais terá condições de conferir votos”.

  45. ROGERIO PEREIRA disse:

    Paulo Gustavo Sampaio Andrade

    advogado em Teresina (PI), especialista em Direito Constitucional pela Escola Superior de Advocacia do Piauí

    O Brasil foi o primeiro país do mundo a informatizar totalmente o processo eleitoral, e ainda é o único. Mas a urna eletrônica brasileira, tal como está, representa, sob a aparência de um pioneirismo tecnológico, um retrocesso na instituição democrática do voto. Foram desprezados procedimentos de segurança eletrônica, bem como diversas garantias jurídicas do eleitor que já existiam na urna convencional.

    Apesar de a primeira votação com a urna eletrônica ter ocorrido há quatro anos, pouco ou nada se questionou acerca de sua segurança desde então, ao menos na grande imprensa. Na Internet, o Fórum do Voto Eletrônico (www.votoseguro.org), do qual participam especialistas em informática, advogados, jornalistas e público em geral, tem feito análises científicas sobre a segurança da urna eletrônica, e chegado a conclusões preocupantes.

    É inegável que a urna eletrônica evita a maioria das fraudes, principalmente aquelas amadorísticas, feitas com papel e caneta, nas quais urnas eram “engravidadas” com cédulas falsas, ou votos em branco eram desviados para certos candidatos. Contudo, a votação totalmente digital deixou abertas brechas para novos tipos de fraude, estas profissionais, com repercussão muito maior e, o que é pior, totalmente indetectáveis.

    Ao votar, o eleitor vê na tela da urna o nome e o número do candidato, e depois confirma. Mas um programa malicioso escondido na própria urna pode fazer com que o voto guardado na “memória” da urna seja diferente do que foi visto na tela. Pode-se, por exemplo, fazer inserir nos programas da urna um comando para que, a cada quatro votos para um candidato, um seja desviado para outro candidato. Pior: este programa de desvio de votos pode ser programado para se autodestruir, sem deixar vestígios, às 17 horas do dia da votação, tornando inócua qualquer verificação posterior nos programas da urna.

    E você sabia que, caso um partido político, por algum motivo, venha a pôr em dúvida o resultado de qualquer urna, é tecnicamente impossível fazer uma recontagem dos votos? O máximo que poderá ser feito é simplesmente imprimir novamente os dados que já foram impressos anteriormente. Ao contrário do voto convencional, no qual a fraude sempre deixava algum vestígio, o voto eletrônico permite a existência da fraude perfeita.

    O Fórum do Voto Eletrônico apontou uma solução bastante simples para permitir a auditoria das urnas. Bastaria que fosse impresso um comprovante de voto, que possa ser conferido visualmente pelo eleitor e depois depositado automaticamente numa urna convencional própria anexada à urna eletrônica, sem necessidade de manuseio. Assim, cria-se uma contraprova posterior em caso de dúvida, para fiscalização ou recontagem.

    Outro problema encontrado é a possibilidade técnica de violação do voto secreto, pois, sem necessidade alguma, o terminal onde se digita o número do título de eleitor fica ligado à urna. Bastaria a desconexão entre o terminal e a urna para eliminar este risco. É uma alteração tão simples que o TSE sequer comenta o assunto.

    Estas duas idéias foram adotadas por um projeto de lei de autoria do senador Roberto Requião (PMDB), que se encontra em discussão no Senado, contra o qual, porém, o Tribunal Superior Eleitoral vem empregando ferrenha resistência, não se sabe a que pretexto.

    Alega o TSE que os programas das urnas são auditados pelos partidos, e foram por eles aprovados. Em verdade, os programas foram disponibilizados por apenas 5 dias, para análise dentro do próprio prédio do TSE, tempo e local inadequado para qualquer verificação. Além do mais, os programas também não foram disponibilizados integralmente, ora sob alegações de segurança, ora sob a justificativa de supostos direitos autorais. Ora, se existe uma parte que não é conhecida, frustra-se todo o processo de auditoria: não se pode aprovar o que não se conhece por completo. E quem conhece informática sabe muito bem que o fato de um código ser aberto não implica em que seja inseguro, muito pelo contrário!

    E mais: parte deste “código secreto” é elaborado por um órgão da ABIN (ex-SNI), órgão diretamente ligado ao Executivo federal. Algo como se a NSA ou a CIA fosse responsável pela eleição norte-americana. Há ainda programas que são criados por empresas privadas e outros órgãos públicos, que não estão sob o controle direto da Justiça Eleitoral.

    Por fim, o próprio TSE admite que os programas das urnas são alterados entre o exíguo prazo de “fiscalização” pelos partidos e a data das eleições. Além do mais, quem garante que todas as urnas do Brasil (são 320.000 seções eleitorais, em mais de 5.000 cidades) possuem todas os mesmos programas instalados?

    Resposta: a garantia é a palavra do TSE: “nós garantimos que a urna é segura”. Ora, a democracia de uma Nação não pode se basear apenas na palavra da Justiça Eleitoral. Estamos numa situação em que não temos mais o direito de saber o que acontece com o nosso voto, pois somos obrigados a depositar na “caixa preta” chamada de urna eletrônica, além de nosso voto, uma confiança cega, total e irrestrita na honestidade da Justiça Eleitoral e de todas as pessoas envolvidas na confecção da urna eletrônica e de seus programas.

    Não se afirma aqui que já houve fraude nas eleições eletrônicas ou que os desenvolvedores da urna desejem sinceramente que ela aconteça, embora possam com ela estar contribuindo por excesso de confiança. O objetivo é de apontar soluções para que os avanços técnicos proporcionados pela computação sejam utilizados em prol da segurança do voto, viga mestra da democracia.

  46. ROGERIO PEREIRA disse:

    segunda-feira, 23 de agosto de 2010

    Poderia ser no Brasil, mas é na Índia que usa praticamente o mesmo sistema. Pois é, aqui não é diferente, é o mesmo discurso de invulnerabilidade do TSE – Tribunal Superior Eleitoral – para esconder a fraude que ocorre dentro da Justiça Eleitoral, é uma vergonha completa, é o coronelismo eletrônico, é a ditadura digital, é o golpe de estado operado pelos homens da toga, via computador. Há uma série de evidências sobre a fraude, que o TSE como réu e juiz, simplesmente, desconsidera. Como o TSE pode ser juiz de si mesmo? Vergonha! Se o TSE insiste no discurso da invulnerabilidade das urnas é apenas por uma razão: o medo da casa cair e o maior escândalo da República vir à tona. E ela cairá!

    Altieres Rohr Especial para o G1

    Hari Prasad é o principal pesquisador de segurança indiano envolvido com urnas eletrônicas.

    Dez policiais invadiram a casa do ativista Hari Prasad, em Hyderabad , na Índia, neste sábado (21), em busca de informações sobre a fonte anônima que cedeu uma urna eletrônica para pesquisa realizada pelo hacker no início do ano. Prasad não revelou o nome da fonte e foi levado a Mumbai – uma viagem de 14 horas – e acabou preso. Os policiais admitiram estar “sob pressão”, de acordo com uma conversa por telefone de Prasad com o colega J. Alex Halderman, professor na Universidade de Michigan.

    Prasad e Halderman trabalharam juntos em um estudo que mostrou como uma urna eletrônica indiana poderia ser modificada para fraudar uma eleição. Eles também conseguiram fazer com que a urna pudesse ser controlada remotamente por um celular. As modificações propostas pelos pesquisadores seriam difíceis de notar.

    Halderman é o mesmo pesquisador que mostrou este mês ser possível instalar o jogo Pac-man em urnas usadas nos Estados Unidos.

    A pesquisa foi realizada com uma urna enviada a Prasad por uma fonte anônima em fevereiro. As autoridades indianas não permitem testes com as urnas, alegando que elas são “invulneráveis”, apesar das suspeitas de fraudes nas eleições do país.

    Os resultados deixaram políticos e cidadãos em dúvida a respeito do sistema de votação eletrônica indiano. Houve quem pediu que o projeto inteiro das máquinas fosse abandonado. Segundo os especialistas, 16 partidos políticos mostraram preocupação com o uso de sistemas eletrônicos para contabilizar os votos.

    http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2010/08/policia-prende-hacker-indiano-que-identificou-falha-em-urna-eletronica.html

    Ver as notícias originais em inglês (incluindo vídeo) em:

    http://www.freedom-to-tinker.com/blog/jhalderm/electronic-voting-researcher-arrested-over-anonymous-source

    http://rop.gonggri.jp/?p=340

  47. Amilcar Brunazo filho disse:

    Respondendo ao Nilson Pereira:
    As urnas-e brasileiras NÃO POSSIBILITAM RECONTAGEM DOS VOTOS conferidos pelo eleitor.

    Na urna brasileira, o eleitor não tem como ver se o voto que viu e confirmou na tela foi o mesmo que foi gravado como registro do voto.

    É por este motivo que elas não atendem o princípio da auditoria independente do software, é por isso que foi proibida nos EUA, na Holanda e na Alemanha e é por isso que nenhum outro pais que veio conhecê-la a adotou .

  48. Luiz Antonio disse:

    Foi com todas essas informações que li aqui, que cheguei a conclusão que votar no Brasil é perigoso .
    Portanto já escolhi meu candidato O “NULO”

  49. carlos disse:

    não existe sistema inviolável.
    desde que se tenha tempo, paciencia e competência para invadi-lo.

  50. Dhyogo disse:

    Não sei como é a situação política da Índia, mas no Brasil fica dificílimo fazer algum diagnóstico sobre as eleições, pois além de que pode acontecer de algum hacker invadir o sistema ainda contamos com as disputas políticas, que de políticas não tem nada, representam apenas disputas de coro pessoal. O que um candidato não faria para conquistar uma eleição???

  51. Fernando disse:

    Lamentavel ofender, os profissionais que participaram do teste publico da urna .. Fico na espera de uma matéria escrita por gente capaz.

  52. Paulo disse:

    As urnas aqui deviam ser como as venezuelanas.
    Você vota, o voto é ao mesmo tempo impresso e você após conferir, deposita em uma urna anexa.
    Depois é só bater o digital com o fisíco em um determinado número de urnas por sorteio.
    Mas em relação as nossas, como as pesquisas que antecedem os pleitos, inclusive as de boca de urna, tem mostrado resultado muito próximo do oficial, não parece haver desvio não.
    Para infelicidade dos perdedores…

  53. Nóis di novu disse:

    Daqui a pouco vão colocar até as pesquisas do Vox Populi, DataFolha, Ibope em questão né… afinal existe algo 100% confiável? Deixem de ser hipócritas… seus demônios esfomiados pelo dinheiro…

  54. Bruno Penteado disse:

    Caro Silvio,

    Acredito que a tecnologia serve para estender o estado da arte.

    O processo não automatizado, baseado em cédulas, como há pouco tempo usado, deixava buracos de segurança em cada uma de suas atividades e nas conexões entre elas. Lembram da eleição do Bush e os votos na Flórida?

    Falhas essas que podiam ser exploradas por pessoas menos capacitadas tecnicamente (o que aumenta a cobertura populacional e consequentemente a probabilidade de ocorrência).

    Vendo por esse lado, a urna eletrônica é sim um avanço, pois minimiza os riscos – torna o processo mais eficiente. Sendo assim, acredito que a urna-e deve ser usada; não devemos retroceder.

    O que NÃO DEVE acontecer é sonhar que uma versão/modelo de 10 anos deve continuar sendo usada. Quase nenhum software tem esse tempo de ciclo de vida.

    A evolução do software deve acompanhar os conceitos como esse do “PISSE” bem como pareceres técnicos especializados, minimizando a superfície de ataques. A auditoria independente também não pode ser descartada.

    Mas lembre-se: não adianta ter um software perfeito se ele depende do fator humano para que o processo como um todo dê certo. A corrente pode ser quebrada por um simples ego. Daí a necessidade da auditoria.

    Parabéns pela intervenção neste assunto de suma importância.

    Abraço.

  55. “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas” – Samuel Johnson

  56. Não seria o caso, se é que já não existe, de ter-se, por amostragem surpresa, ter-se a impressão e contagem manual em um número adequado de urnas?

  57. João disse:

    Os EUA jamais comprariam urna do Brasil, independente de elas serem ou não seguras, mais por fatores comerciais mesmo.

    E comprar urnas novas a cada 2 eleições seria complicado.

    Oque deveria ser feito é melhorar a fiscalização, principalmente durante a hora do transporte dos disquetes com os votos até o local de apuração.

    Pois parece que estão defendendo a volta do voto de papel, como forma segura, mas para fraudar os votos tanto faz ser de papel ou voto eletrônico, oque vai inibir isso é a fiscalização.

    E a decisão do TSE de não deixar os PARTIDOS terem acesso ao software…eu não condeno 100% não.