por Silvio Meira

banda larga: estamos em terceiro lugar…

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…de baixo para cima. estudo que acaba de ser publicado pela saïd business school da university of oxford, em conjunto com a universidad de oviedo, mostra o brasil no rabo da gata de uma lista de 42 países na combinação de penetração [cobertura] de banda larga nas casas, combinada com a qualidade do serviço. os primeiros países estão no quadro abaixo que, clicado, leva direto à página onde está o relatório.ss-20080917084415-broadband-leadership.png

a pesquisa levou em conta os países membros da OECD e os grandes emergentes [os BRICs: brasil, rússia, índia e china] e, usando uma medida denominada índice de qualidade de banda larga [BQS, broadband quality score], comparou o que é preciso, em quantidade e qualidade de banda, para ter as atuais e futuras [daqui a três, cinco anos] aplicações ricas [código, vídeo, interatividade] nas casas. para hoje, se determinou que é preciso ter um BQS de pelo menos 32 [veja o estudo para entender como calcular], o que significa que portugal [veja histograma abaixo] é o último país da lista do que estão em dia com o presente da rede.

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O BQS do futuro muito próximo, daqui a três anos, é calculado em 75, fazendo com que o japão, que foi um dos últimos países ricos a entrar na internet comercial, seja o único que já está pronto para as aplicações de amanhã. pra nós, que estamos com uma nota 13, lá no fim da linha, à frente apenas da índia e rússia, o que isto significa?

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significa que, se seu negócio depende de um país conectado e você está tentando fazê-lo decolar no brasil, é bom diminuir o tamanho de seu país alvo e tentar fazer a coisa decolar em, digamos, parte do estado de são paulo. e que se você, pra trabalhar, depende de uma qualidade e distribuição de banda que lhe dê acesso à web 2.0 e suas aplicações, o lugar ainda não é o brasil. deveríamos repensar, aqui, sobre o outro campeonato mundial, onde se mede o tempo em que ficamos na rede.

no concurso de tempo na rede, o brasil ganha disparado, com 22h24 de uso por pessoa/mês. a seguir, na lista do ibope/nielsen, vêm estados unidos, com 19h52, frança, com 19h40, japão, com 18h29 e reino unido, com 17h46.  vai ver que isso ocorre justamente porque, entre os países que mais usam a rede, temos as piores conexões. fazendo uma comparação em termos de horas navegadas e qualidade de navegação, os japoneses talvez tenham acesso, a cinco vezes mais conteúdo do que nós, mesmo usando a rede quatro horas a menos, por mês.

de qualquer forma, o país entra na rede, até porque a classe C [e breve, a D] entra na rede pelas suas próprias mãos e bolso, face a completa ausência de políticas públicas para internet ou, como o mundo inteiro trata o assunto hoje, banda larga. como a imagem [do ibope] abaixo mostra, metade dos usuários da internet, no brasil, já é das classes C e D. é muito pouco, ainda [as classes A e B são apenas 15% da população], mas é muito, considerando que não há nenhum indício, até agora, de políticas públicas -do porte do brasil- pra resolver, como deveríamos, o problema de acesso à rede.

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Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
por Silvio Meira

Pela Rede

silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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