por Silvio Meira

celulares e câncer: a discussão recomeça

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celulares aumentam o risco de câncer de cérebro? esta pergunta, até agora não respondida de forma simples e definitiva por nenhum estudo, ganhou recentemente uma resposta preocupante e pouco divulgada. segundo estudos do dr. vini khurana, um dos mais renomados neuro-cirurgiões da austrália, o risco de desenvolvimento de câncer de cérebro é duplicado pelo uso constante de celulares em longos períodos de tempo, tipo dez anos ou mais. dr. khurana acredita que a ligação entre celulares, tumores cerebrais e os óbitos decorrentes será comprovada no decorrer da próxima década. na prática, os governos da frança e alemanha já estão alertando para o uso excessivo de celulares. mas, questionada, a associação inglesa dos operadores móveis [como todas as outras] diz que está tudo bem… assim como muitos outros cientistas e estudos. e o debate continua.

segundo dr. khurana, o uso intensivo de celular cria riscos à saúde maiores do que fumo e asbestos. se for verdade, estamos para presenciar uma catástrofe de grande porte: com mais de 3 bilhões de celulares no mundo e cada vez mais gente fazendo dos telemóveis sua conexão com o mundo, para os negócios e contatos pessoais, o risco eventual que o uso intenso de celulares representa não pode ser minimizado.

talvez seja necessário um esforço mundial -e a isenção e recursos correspondentes- para tentar resolver uma dúvida tão importante de forma mais definitiva. o tamanho do problema pode ser visto na página do instituto nacional de câncer dos eua, onde se diz claramente que a tecnologia celular é nova, ainda está mudando e que, justamente por causa disso, não há estudos de longo prazo sobre os efeitos da energia de rádio-freqüência dos celulares no corpo humano. mas há alguns resultados alarmantes, especialmente para crianças e para adultos que fazem uso intenso de celulares, com especialistas dizendo que alguma coisa não muito boa acontece após dez anos de uso radical. como um aumento de 240% no risco de câncer no lado do cérebro onde mais se usa o celular.

e o debate começou a esquentar nos eua, nos últimos dias, até porque o sen. edward kennedy sofre de um glioma, um dos tipos de câncer supostamente causados por radiação vinda dos celulares. e nós, aqui? os celulares -e a tecnologia- que usamos são a mesma que todo o planeta usa. seja lá o que for verdade para o resto do mundo, será verdade para o brasil. não devemos entrar em pânico porque um estudo indica um aumento de probabilidade de câncer face ao uso de celulares. em medicina e saúde, estudos têm que ser repetidos, validados e revalidados. mas talvez devêssemos, por precaução, restringir o uso do celular colado ao ouvido e passar a usar fones e viva-voz. e o brasil certamente deveria [através da anatel? do ministério da saúde? dos dois?] participar mais ativamente da rede internacional de estudos sobre os impactos dos celulares na saúde.

entender os riscos das tecnologias que usamos no cotidiano leva, com muita freqüência, a melhorias nos padrões de uso e nas tecnologias propriamente ditas. cintos de segurança em automóveis, capacetes em motos, proibição de fumo, primeiro em aviões e depois em lugares públicos, são três exemplos conhecidos de todos. se houver mesmo algum risco radical, comprovado, do uso de celulares, saberemos lidar com isso, modificando a tecnologia ou redefinindo seu uso de forma saudável. o que não se pode é esperar pra ver. é preciso agir antes que alguma -ou muita- coisa irreversível aconteça.

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
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silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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