por Silvio Meira

dez tendências tecnológicas nos negócios [4]

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o blog está publicando uma série de textos sobre um relatório da mcKinsey que considera as dez principais tendências tecnológicas nos negócios nesta década; introduzimos as tres primeiras em um post inicial, que está neste link. os slides usados em nossos textos vêm de uma palestra do autor na CNI, em são paulo, cuja íntegra está neste link.

falar sobre tendências é fácil, porque se pode chutar qualquer coisa, e difícil, porque no futuro, quando as coisas não acontecerem, há de se fazer um encontro de contas com o chute do passado. por outro lado, sempre se pode encarar o problema como o fez alan kay, que entrou para a história da xerox e da tecnologia por ter dito, em meio a uma reunião de planejamento da empresa, que “a melhor forma de prever o futuro é inventá-lo”.

o futuro é uma construção coletiva que sempre depende de muita gente apostando que um futuro, ou um conjunto de possíveis futuros, vai acontecer. sempre que um bom número de forças se alinha para que um certo futuro aconteça ele acaba acontecendo; pode até dar errado, mas, por um tempo que seja, de uma forma ou de outra, acontece. aqui é onde entra uma mcKinsey identificando tendências, alinhando muita gente com vertos “possíveis futuros”.

pois: a quarta tendência identificada pela mcKinsey está ligada à “internet das coisas” e vem de uma observação quase trivial mas ainda desapercebida por boa parte dos atores da web: o número potencial de coisas que podem se conectar à rede é milhares, talvez milhões de vezes maior que o número de seres humanos que queremos e poderemos ver dentro do espaço digital. em ordem de magnitude, é como se fôssemos ter tres bilhões de pessoas na rede e o número de coisas, também na rede, rodasse pelos três trilhões.

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no slide acima, bote uns dois ou tres bilhões de pessoas a mais e, se quiser, eleve o número de coisas para dezenas ou centenas de trilhões… por aí. é exatamente o que veremos no médio prazo como parte do campo infomacional global.

falando nisso, o blog publicou há pouco tempo uma série sobre a “internet das coisas” [abaixo, em quatro tweets ligando os artigos] que resumem nosso ponto de vista do sobre a tendência apontada pela mcKinsey:

esta semana tem série no blog » A INTERNET DAS COISAS. a parte 1, SPIMES, tá no ar » http://bit.ly/dmckIm #HFC #PNW

série no blog, esta semana » a internet das coisas; hoje, parte 2: everyware » http://bit.ly/aBnMhb #HFC #PNW

série no blog, penúltimo capítulo » a internet das coisas, parte 3: spimeware » http://bit.ly/daOgsM #HCF #PNW

no blog, último da série » a internet das coisas: parte 4 » um campo informacional global » http://bit.ly/97hgbn #HFC #PNW

o problema central a ser resolvido antes que vejamos uma internet das coisas com a intensidade na qual ela eventualmente vai existir parece ser o de padronizar a visão do que é uma “coisa” na “rede”. a noção de spimeware, acima, dá uma idéia do que precisa ser tratado antes que cheguemos lá… e não vai ser fácil cuidar de todos os detalhes para que cheguemos nesse tal “lá”.

mas chegaremos. e razões há de sobra, quer ver? meus celulares android são configuráveis através de um web server; entram na rede wi-fi e entro neles pelo browser, para tratar absolutamente tudo dentro da coisa. na versão pré-android do mesmo fabricante, era um verdadeiro milagre se você conseguisse fazer com que os drivers do celular se instalassem no PC e outro, ainda maior, se o PC e o celular conseguissem se entender… usando um cabo de interface que era diferente e tratado diferentemente pelo software para cada celular. na rede, presto!, o celular se torna spimeware; passamos ao largo de toda a conectividade física e tratamos o problema de informação como deveria ser tratado, ao invés de ficarmos perdidos na eletrônica.

breve, o mesmo tipo de ideia vai estar funcionando para geladeiras, microondas, automóveis, motos… marcapassos, implantes neurológicos, corações e olhos artificiais, o que for. e aí vai ter começado a internet das coisas. preste atenção nesta década de integração das pessoas e coisas nos negócios [e na vida cotidiana], pois muito bit vai rolar, vindo de tudo o quanto é canto.

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PS: referências adicionais…

The Difference Engine: Chattering objects, the economist, 13/08/2010;

Will Carriers Be Big Players in the Internet of Things?, business week, 10/06/2010;

IBM’s Mote Runner Project to Integrate Internet Connectivity into Everything, POPSCI, 06/07/2010;

Close Encounters of the Smart Kind, material handling management, 01/03/2010;

Unraveling The Internet Of Things, forbes.com, 22/03/2010;

Sony, Mattel, Nike and Barbie Are Already on Board With the ‘Internet of Things’, creativity, 25/03/2010;

Talk to Me, Fridge, bloomberg/business week, 22/06/2008;

Internet of Objects vs. Internet of Things vs. Web of Things vs. Things on the Web vs. Real World Web vs. Whole World Web, purselipsquarejaw.org, 24/04/2010;

Intel to expand beyond computers and into the booming market for mobile and Internet-connected devices, san francisco chronicle, 20/08/2010.

 

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
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silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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