por Silvio Meira

FBI: a nova polícia digital, global?

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como parte de um processo de aumento constante de seus poderes de investigação no universo digital global, os EUA agora estão considerando dar ao FBI poderes para invadir qualquer tipo de sistema de informação -seu tablet, smartphone, PC, emeio… sua conta bancária- em qualquer lugar do mundo, em nome não mais da segurança nacional [de lá], mas da investigação de crimes federais de toda sorte. a notícia está no Guardian e a audiência sobre o assunto vai acontecer nesta quarta feira, num obscuro comitê que trata do processo criminal nos estados unidos.

a obsessão americana por segurança, investigação e informação, esteja onde estiver, obtida por que meios for, veio ao mundo em grande estilo com as denúncias de edward snowden, agente de outrora hipersecreta NSA. se o FBI conseguir autorização para investigação digital global, tudo o que a NSA estava fazendo para [pelo menos em tese] proteger o país estará ao alcance dos federais americanos para investigar qualquer coisa. e esse “tudo” inclui de criação e instalação de vírus onde a agência achar necessário até o sequestro de dados digitais, onde estiverem, dado que haja autorização judicial [americana] para tal. 

na prática, e em função da digitalização da economia e sociedade global, o que está sendo discutido nos EUA parece muito com uma agenda de criação de uma polícia federal global. Se houvesse uma, deveria ser da ONU. talvez devesse ser a interPol. mas não é. e, como ninguém é… e tampouco há uma articulação [global] para que haja uma… e como não há espaço político [ou policial] vazio, o FBI está a caminho de ser, caso suas demandas sejam aprovadas pela justiça americana, a polícia digital global. à minha, à sua, à nossa revelia.

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Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

4 comentário

  • É aquela velha história do espaço que ninguém ocupa, mas existe, tá lá e ninguém toma atitude (por vários motivos, inclusive negligência), até que dê repente, o ‘grandão’ vai lá e faz do seu jeito, aí todo mundo começa a reclamar. Os Americanos (até no tratamento eles se consideram a América toda), são campeões em fazer isso e vão fazer sempre, pelo simples motivo de serem a maior potência, por enquanto, deste nosso planetinha azul acinzentado. Esta errado? É claro. Mas não são só eles.

  • Me parece nada mais que a regulamentação do que eles já vinham fazendo…Como você mesmo disse, “quando veio ao mundo em grande estilo com as denúncias de edward snowden”… Foi um “choque” diplomático, mas me pareceu mais um choque o vazamento do que eles vaziam, mais do que o eles realmente faziam. Talvez por que os outros países, ou parte deles, também o fazem (o desejam fazer). Abcs!

  • Espetacular e, ao mesmo tempo, amedrontador. As tecnologias podem nos ajudar a resolver muitos intrincados problemas que afligem nossas vidas, particularmente nas grandes cidades. Por outro lado, a expectativa da restrição da privacidade é algo para o que a sociedade deveria olhar com muita atenção. Preocupa-me ainda mais essa potencial quebra de respeito à soberania dos países, agora de forma virtual. Há que se refletir muito sobre isso e sobre o que pode acontecer.

por Silvio Meira

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silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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