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Escrito por • 25/10/2013

nas ruas, breve: carros sem motorista

Um carro sem motorista, sob vários aspectos, não passa de um robô móvel. não faz muito tempo que este blog deu nota de um estudo que, levando em conta a evolução dos robôs móveis e de aprendizado de máquina sobre grandes volumes de dados, previa uma alta probabilidade de eliminação [70% ou mais] de 47% de todos os empregos da economia americana nos próximos 20 anos. a probabilidade de automação do trabalho dos motoristas de ambulância é menor, 25%; a dos motoristas de ônibus é maior, 67%; a dos de caminhões de entrega é 69%, dos de caminhões pesados é 79% e a de motoristas de taxi é nada menos de 89%. o contexto para o estudo e referências para ele e outros textos estão neste link.

a automação de funções humanas é parte de uma [r]evolução que vem de longe, como se pode ver no texto do link anterior e tende a se acelerar nos próximos anos, à medida em que vamos [re]escrever um número cada vez maior das nossas ações [especialmente as repetitivas, longas, complicadas e perigosas] em software. o blog escreveu uma série inteira sobre o assunto, publicada neste link. vá ver.

um estudo que acaba de ser publicado nos EUA tem duas tabelas que dão uma boa ideia do que está para acontecer em relação a carros sem motoristas, e porque o que está para acontecer tem que e vai mesmo acontecer. olhe a tabela abaixo…

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…onde se aponta que o fator primário de 93% dos acidentes automobilísticos dos EUA é humano. uma análise recente de 1.000 acidentes com vítimas fatais, em são paulo, descobriu que o fator humano está envolvido em 98,6% dos acidentes.

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no estudo Preparing a Nation for Autonomous Vehicles: Opportunities, Barriers and Policy Recommendations, o ENO center for transportation assume 3 cenários e aposta que mesmo uma pequena porcentagem de veículos autônomos nas ruas e estradas já terá um retorno significativo para a economia e sociedade nos EUA. só pra se ter uma ideia, veja a tabela abaixo [incompleta, neste texto] e note que, já com 10% de veículos autônomos, 1.100 vidas seriam salvas [por ano; mais de 30 mil pessoas perdem a vida no trânsito, nos EUA, por ano] e custos de acidentes de US$17.7B deixariam de existir. e isso é só a economia em acidentes; outros quase US$17B seriam economizados em tempo e combustível. vá na página do estudo, neste link, pra ver o relatório completo.

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problemas nos veículos e vias respondem por 5.9 e 17.7% dos acidentes fatais no brasil; se fosse um veículo autônomo, sem motorista, é pouco provável que o ônibus da imagem tivesse se jogado de um viaduto no rio de janeiro, provocando a morte de 9 pessoas. e isso porque a sorte estava ao lado… poderiam ter sido muitas mais.

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à medida que se entende que os humanos, no trânsito de hoje, são uma das causas principais de uma verdadeira carnificina e da possibilidade de substituí-los, num futuro próximo, por algoritmos, sensores e atuadores, isso será feito; e não porque a tecnologia está disponível mas porque seus benefícios serão tão óbvios que não será possível não fazer uso dela. ninguém chega a prever, agora, que haverá um clamor pela substituição dos motoristas por carros autônomos… mas dificilmente haverá resistência indefinida à sua entrada no mercado, em larga escala, assim que a relação entre custo e benefício for aceitável.

no vídeo, só o caminhão da frente [na segunda parte] tem motorista; os outros são “programados para seguir o líder”, o que aumenta a segurança de todos e diminui o gasto de combustível, pois os de trás podem seguir os da frente bem mais de perto. breve, estarão numa pista de uma estrada onde, também breve, nem você estará guiando o seu carro…

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