por Silvio Meira

o motorista, vigiado

o

decisão judicial no espírito santo proibiu o uso de faceBook e twitter para divulgar a localização de blitzes da lei seca. olhando de longe, o ato é razoável e atende a interesse social, de salvaguardar vidas e bens, tentando capturar motoristas guiando sob efeito do álcool. a fundamentação legal e constitucional da decisão é nula, como decerto nos dirão os especialistas muito em breve. na prática, e de perto, a utilidade da decisão é discutível, como comentei sobre um tweet da revista época…

image

…porque ninguém que tem um smartphone [assuma que todos têm GPS e conta de dados, o que dá uns 30 milhões de usuários aqui] depende do uso de faceBook e twitter no trânsito. o WAZE que mencionei é uma aplicação de navegação social que permite compartilhar [sobre um mapa clicável] informação sobre tráfego, ruas e estradas, de buracos a baladas e, por acaso, a localização da polícia. abaixo, duas telas [não necessariamente atualizadas, da web].

arquivo waze

WAZE é mapa, é game [ganha-se pontos ao informar estradas e ruas que não estão no mapa, por exemplo], navegação e diversão: crianças no banco de trás podem passar muito tempo reportando engarrafamentos, acidentes, buracos, pistas com problemas… ao mesmo tempo em que coletam dados para instrumentar o motorista sobre o que rola ao redor, como um protesto de horas que fechou uma estrada inteira em pernambuco recentemente. WAZE já tem mais de 10 milhões de usuários, muitos no brasil, e se trata de um "mashup", uma combinação de fontes de informação diversas que, articuladas num certo "centro", criam toda uma nova aplicação. WAZE não é único, claro. um concorrente nacional é o WABBERS, que usa os mesmos princípios: rede social móvel, no tráfego, de pessoas que podem se informar mutuamente sobre as condições de seus arredores e minimizar as agruras de seu dia a dia no trânsito. e WABBERS ainda pretende que os usuários monetizem a agregação de valor à comunidade. tomara que dê certo.

e isso nada tem a ver com informar aos bêbados a localização da polícia. de certa forma, aplicações [de tamanha utilidade, por sinal] como WAZE ou WABBERS podem ser criadas por qualquer grupo de alunos de graduação em informática. o danado, claro, é transformá-las negócio de sucesso. ao mesmo tempo [haja filosofia…], a atividade cidadã, ao reportar onde está a polícia, é um contraponto ao panopticon de foucault, forma de criar um catopticon [de ganascia], ambiente social multifacetado onde todos vêem e supervisionam todos [sousveillance] ao invés de só o estado saber onde todos estão e o que estão fazendo [surveillance]. claro que muito bit ainda vai passar nessa conversa. e, pra tantos perfis quantos forem desligados, surgirão muitos outros. até porque, por lei, nada os proíbe…

Relógio

em dezembro de 2011 e janeiro de 2012, o blog publica [ao contrário da norma, aqui] bits: textos pequenos, bem mais frequentes, sobre nossa [mundana] vida digital. ao invés dos raciocínios estruturados e interligados de costume, vamos nos ater a TRÊS parágrafos, no máximo. boa leitura.

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
por Silvio Meira

Pela Rede

silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

Silvio no Twitter

Arquivo