por Silvio Meira

pirataria: “apenas” mais um “modelo de negócios”?…

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image tá rolando a maior discussão no babel, excelente blog de ana paula sousa aqui neste terra magazine. isso porque daniel, o cantor, disse que pirataria poderia ajudar a divulgação de seu filme, o menino da porteira. nada que a gente não saiba desde tropa de elite, que teve a maior bilheteria de 2007 entre as produções nacionais. daniel, que de bobo não tem nada, quer ver o mesmo acontecendo com seu filme.

mas o sucesso, talvez, não seja repetível. até porque, depois dos incidentes todos envolvendo “tropa”, o auê ao redor daquele filme o tornava muito mais fácil de espalhar do que o “menino”. mas isso é outra história. desta vez, a união brasileira de vídeo mandou pro babel uma longa carta, explicando alto e bom som que… pirataria não é solução e alternativa para nada.  PIRATARIA É CRIME previsto em lei, ela é um câncer que deve ser combatido por toda a sociedade brasileira, mas, principalmente pela classe artística e produtora de obras audiovisuais.

será mesmo? parece mais que a pirataria que vemos hoje [no caso do áudiovisual, não vamos generalizar] se dá pela falência de um modelo de negócios baseado em distribuição de conteúdo sendo remunerado pelo preço do suporte físico. este modelo começou a funcionar lá na era do gramophone, começou a falir no tempo dos CDs, piorou nos DVDs e papocou, com calambote e tudo, quando o suporte físico se tornou irrelevante e as redes conectaram o mundo e as fontes de mídia.

no topo disso, a indústria cultural, preocupada em proteger suas fontes históricas de renda e seu legado, do ponto de vista de suporte e modelo de negócios, resolveu partir pra briga. ao invés de tentar entender o mundo. este blog publicou um número de artigos sobre o assunto nos últimos meses, inclusive um longo texto sobre propriedade intelectual na internet, daqui até 2020, onde tratamos de um livro e conferência de matt mason sobre o tema.

image mason é autor de the pirate’s dilemma, onde conta a história de como uma cultura jovem e de jovens está mudando os processos de inovação no mundo e por onde se muda os modelos de negócio… e onde se propõe a idéia de que pirataria é só mais um modelo de negócios, onde remix é um dos mais poderosos instrumentos de marketing e onde qualquer um com um computador… vá ver, em um post passado deste mesmo blog, o que mason diz sobre o assunto, o que inclui… quer derrotar a pirataria? copie os piratas. os piratas [jogos "originais" para PS2 a R$10, com nota e garantia!] estão adicionando valor à clientela, num clássico exemplo de falha no mercado; aprenda com os piratas e faça melhor.

claro que nem tudo o que mason diz se aplica a tudo o que fazemos. mas uma boa parte faz muito sentido e, entre estas, a que faz sentido mesmo é olhar ao redor e ver quais dos nossos modelos de negócio estão sendo vaporizados porque estamos falhando em um ponto muito simples: agregar valor aos consumidores e usuários, entregando qualidade no ponto de venda ou na casa do camarada. lembrando que a definição de qualidade é o que o cliente quer pelo preço que ele pode pagar. se algum modelo de negócios entregar isso na nossa frente, bate o nosso.

falando nisso, o álbum novo, inteiro, de lula queiroga, que será lançado com um show hoje, em recife, vai estar na rede pra download amanhã

bons tempos os do gramophone, hein? mas pra quem?…

Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
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Pela Rede

silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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