por Silvio Meira

seus dados… guardados… por quem? pra que?

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o texto anterior do blog era sobre livros digitais e toda a rede de valor ao redor deles. no meio da conversa, entramos no assunto da propriedade dos textos e, de resto, da discussão ao redor de sua [e minha] vida digital e a quem pertencem "nossos" dados. a conversa era mais ou menos assim…

…e aí é que está outro X, o da questão: como em todos negócios em rede, hoje, quase todos os agentes [da microsoft a google a apple a facebook e amazon e muitos mais…] estão trabalhando para fechar suas plataformas de serviço com os clientes dentro, criando silos para seu conteúdo, que de lá só sai pirateado, é preciso reverter tal situação para um cenário aberto.

este é o grande problema que teremos que enfrentar para que os livros, desde sempre um dos fatores libertários da humanidade, voltem a cumprir seu papel, de irem sempre o mais longe possível e ao alcance de todos, seja lá onde e por que meio de acesso tentarem.

podemos ser otimistas neste aspecto? acho que sim, porque na rede [de todos os tempos, passado, presente e futuro] a propriedade de "seus" dados e bens digitais deve, tem que ser sua; você tem que ser capaz de controlar sua identidade digital e disponibilizar que parte dela você quiser, sob seu exclusivo controle, para quem você achar que deve.

parecia premonição, pois nos dois dias seguintes se descobriu que [os microtextos abaixo saíram no meu twitter]…

descoberta: iPhones e iPads guardando TODA localização dos usuários http://m.wired.com/gadgetlab/2011/04/iphone-tracks/ #privacidade? #comoExplica, apple?

e, logo depois…

RT @MikeElgan Android phones record user locations, too http://www.guardian.co.uk/technology/2011/apr/21/android-phones-record-user-locations#privacidade? e aí, google, #comoExplica?

…ou seja, tanto apple como google estão "pegando" informação sobre onde estamos, sem que estejamos plenamente conscientes disso e os tenhamos autorizado a tal.

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claro que deve haver alguma cláusula contratual em fonte tamanho 3 [5, vá lá…] em algum contrato de muitas páginas que diz que eles vão fazer isso. e quem defende android foi rápido ao apontar que a apple está populando um banco de dados dela, ao invés de google, que está usando a informação sobre localização móvel para prestar serviços ao usuário. pouco importa, quando consideramos o problema mais amplo.

e o tal "mais amplo" tem que ser posto, de uma vez por todas, da seguinte forma: todos os "nossos" dados são de cada um de nós, individualmente, e só podem ser capturados, guardados, processados, transmitidos, usados, distribuídos com a autorização, consciente e livre, de cada um. e pouco importa se a maioria dos usuários não vai entender os porquês disso. para quem não entender, o modo de autorização para captura ou uso de informação pessoal de qualquer tipo tem que ser não, mesmo que isso contamine a qualidade do serviço.

o usuário tem que aprender, entender o que está sendo feito com seus dados e o que ele ganha [muito…] e o que perde [potencialmente muito, também] com sistemas de informação de todos os tipos capturando suas pegadas informacionais.

esta é mais uma daquelas coisas que gente como o ex-senador azeredo deveria estar tentando regular. ao invés de perseguir usuários da rede e das infraestruturas de comunicação móveis, que tal, galera do congresso, defendê-los?…

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Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
por Silvio Meira

Pela Rede

silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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