por Silvio Meira

TICs na crise: dá pra inovar? [3]

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este é o terceiro artigo de uma série, neste blog, sobre as tecnologias de informação e comunicação [TICs] e a crise econômica, financeira, industrial e de credibilidade, mundial, que assola de forma cada vez mais intensa o brasil. no primeiro texto da série [TICs: a crise se instala] o ponto de partida era que…

a crise mundial chegou; segundo os analistas do gartner group, o mercado mundial de hardware deve diminuir em quase 15% no ano; o setor de serviços de TICs deve cair 1.7% e o mercado de software vai ficar estagnado, com um crescimento de 0.3%. dependendo da margem de erro da previsão, vai cair também. segundo o chefe de previsões globais do gartner group, a queda nos orçamentos de TICs nas empresas e o controle de gastos dos consumidores“vai resultar numa forte queda do mercado de TI neste ano, que vai ser pior do que a retração causada pelo estouro da bolha da internet em 2001".

o segundo texto [TICs em crise? software como serviço], como o próprio título diz, aponta para software como serviço como forma de atender, na prática, a um mantra –fazer mais com menos– que os diretores financeiros começam a impor aos CIOs, os chief information officers, a galera que, em última análise, é responsável por informação e seu processamento nas empresas:

se você e sua empresa não migraram para SaaS na última crise, esta crise é a hora de mudar de lado. um grande número de empresas já provê suas soluções, na rede, como serviço. e a rede está ficando mais rápida, mais resiliente e tem, a cada dia, um melhor custo/benefício. daí, um número cada vez maior dos serviços que precisamos prover para nosso público interno, clientes, usuários e parceiros está lá, prontinho, na rede.

ontem, em recife, participei de um fórum de perspectivas para CIOs, promovido pelo IDG; as palavras-chave da agenda do evento dizem tudo sobre nosso tempo: crise, riscos, desafios, transformação, oportunidades, inovação, evolução…

minha contribuição ao debate tinha a ver com inovação, TICs e crise. o ponto de partida era a pergunta, singela… é possível inovar em tempos de crise? a resposta, imediata, é que em tempos de crise é preciso inovar e quem não inova não sobrevive. em TICs e em qualquer outra coisa. porque?

image primeiro, o cenário –digamos assim, mais amplo: todo mundo está competindo numa economia exponencial, onde todo negócio é de software e em rede. exponencial por que?… porque o preço da mesma capacidade de tecnologias de informação cai cerca de 50% por ano.

isso não quer dizer, claro, que eu e você [e as empresas] estejamos pagando cada vez menos pelo hardware e software que usamos: significa que estamos comprando cada vez mais hardware e software pelo mesmo preço. se você, todo ano, dobrar o valor de alguma coisa, o comportamento da coisa parece com o gráfico da figura, uma exponencial. e exponenciais, num mercado qualquer, sejam de oferta, demanda, capacidade, custos ou preços, resultam na transformação radical de todos os negócios. no nosso caso, significa que os negócios, por causa da queda dos custos, estão se transformando em software e rede.

o que quer dizer, em última análise, que seu [e meu] negócio, sejam lá do que forem, são parte de uma economia exponencial; se a gente errar no uso de algum meio ou forma de TICs, é melhor passar pra próxima geração, pois não teremos tempo de “ir atrás”. se TICs [e as empresas para as quais servem de infraestrutura] fossem uma ecologia, estaríamos falando de um sistema em que o tempo passa muito rápido e onde, ao mesmo tempo, a frequência de queda de grandes meteoros é muito alta. resultado? todo mundo, o tempo todo, é um dinossauro em potencial… de outro ponto de vista… estamos sempre em crise. e isso pode ser um problema ou oportunidade. e quase sempre é alguma combinação dos dois.

em tempos de crise, três fatores adicionais de seleção natural [de empresas e de TICs] entram em ação: 1] nas crises, há muito mais pressão e incentivos para assumir riscos, porque as práticas estabelecidas não dão o resultado esperado; 2] sob pressão, numa ecologia qualquer, a lei de darwin [que aponta para a sobrevivência dos mais aptos] é ainda mais relevante e 3] sob pressão, na crise, investimento é muito mais importante do que crédito porque, nas crises, o crédito para manter o passado é sempre muito mais caro do que o investimento para criar o futuro…

resultado? toda crise é tempo de procurar, em TICs e no resto do seu negócio, oportunidades para evoluir, para inovar. evolução -e inovação- é transformação, permanente e para continuar competitivo, frente a um contexto que pode estar mudando muito rapidamente, e onde, muito antes do que você espera, competidores podem aparecer com novas tecnologias e modelos de negócio que podem destruir o seu. simples assim. nunca tão fácil de fazer quanto falar, mas simples assim.

meus slides de ontem estão aqui, é só clicar pra pegar. domingo, depois do feriado em maragogi [onde?] vai aparecer, aqui, mais um capítulo desta série. até lá.

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Sobre o autor

Silvio Meira

silvio meira é cientista-chefe da TDS.company, professor extraordinário da CESAR.school e presidente do conselho do portodigital.org

por Silvio Meira
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Pela Rede

silvio meira é PROFESSOR EXTRAORDINÁRIO da cesar.school, PROFESSOR EMÉRITO do CENTRO DE INFORMÁTICA da UFPE, RECIFE e CIENTISTA-CHEFE, The Digital Strategy Company. é fundador e presidente do conselho de administração do PORTO DIGITAL. silvio é professor titular aposentado do centro de informática da ufpe, fundou [em 1996] e foi cientista-chefe do C.E.S.A.R, centro de estudos e sistemas avançados do recife até 2014. foi fellow e faculty associate do berkman center, harvard university, de 2012 a 2015 e professor associado da escola de direito da FGV-RIO, de 2014 a 2017.

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